Mapa político na Grande SP

PT e PMDB varridos da Grande São Paulo

Na eleição de 2016 aconteceram muitos fatos históricos, como a eleição de João Doria (PSDB) em São Paulo e no primeiro turno; o derretimento do PT em várias prefeituras pelo país, de mais de 600 para pouco mais de 200 em quatro anos. Marcelo Freixo (PSOL) foi ao segundo turno derrotando o PMDB do Rio com 11 segundos no horário eleitoral, perdeu para Marcelo Crivella (PRB). Depois de algumas tentativas fracassadas, finalmente o Bispo licenciado da IURD se torna prefeito da segunda maior cidade do país. Alexandre Kalil (PHS) foi eleito prefeito de Belo Horizonte nas Minas Gerais.

A região metropolitana de São Paulo – Grande São Paulo – é simbólica para o petismo, só que 2016 foi trágico para o PT. Não bastou perder São Paulo, o PT administrará apenas uma prefeitura no entorno da capital paulista (Franco da Rocha). O partido perdeu cidades como Guarulhos, a segunda maior cidade do Estado e todo ABC paulista, o berço do Partido dos Trabalhadores, inclusive São Bernardo do Campo, de Lula.

Em Santo André, por exemplo, o atual prefeito Carlos Grana só teve 21% dos votos válidos no segundo turno, um vexame histórico para o PT. Para completar, a derrota foi para um candidato do PSDB e que foi secretário do próprio prefeito Grana, Paulo Serra. Em São Bernardo, o sobrinho de Lula não conseguiu ser eleito vereador. E o candidato a prefeito na cidade onde o partido nasceu caiu no primeiro turno.

Outro perdedor na Grande São Paulo foi o PMDB, o partido caiu de 6 para 1 prefeitura. O grande vencedor foi o PSDB, subiu de 8 para 11 prefeituras na maior região metropolitana do Brasil. Surpreendente desempenho do PR, segundo com mais prefeituras, e do PSB, PRB, PTB, PV. Além do nanico PTN, com 2 prefeituras.

Carta Capital e Justo Veríssimo

Capa da revista Carta Capital é revoltante

carta-capital

Capa da revista Carta Capital é revoltante. A revista que se diz de esquerda chama os eleitores de mentecaptos sem o menor constrangimento apenas por não votar nos candidatos que a revista apoiou nas eleições de 2016.

Depois da Mayara Petruso convocando paulistas a afogar nordestinos, após a vitória de Dilma em 2010, a onda de ofender eleitores pobres de ignorantes, ingratos ou Síndrome de Estocolmo começou em São Paulo, com a derrota ainda no primeiro turno de Fernando Haddad (PT) e a vitória de João Doria (PSDB). No último dia 30/10, com a vitória de Marcelo Crivella (PRB) sob Marcelo Freixo (PSOL), assim como na vitória de Doria, Crivella obteve a vitória com enorme votação nas regiões menos desenvolvidas da cidade explodindo mensagens ofensivas nas redes sociais aos eleitores de menor poder aquisitivo.

No lugar de autocrítica para saber onde errou e tentar recuperar o eleitor desiludido, a esquerda – ou parte dela (Carta Capital e outros iluminados não representam toda esquerda) – simplesmente faz o que extremistas do outro lado fizeram nas últimas duas eleições presidenciais e derramaram toda fúria e rancor da derrota nas urnas contra os eleitores, contra o povo, contra o povo pobre e das periferias.

A lacração tudo por um like afastou muita gente dessa esquerda que se mostrou preconceituosa e se acha superior. Até mesmo Eliane Brum, a formadora de opinião badalada de esquerda, não teve pudor de soltar sua ira e chamou, em artigo no El País, os eleitores que votaram nessa tal onda conservadora de estúpidos.

Estúpido, Eliane Brum, é quem respeita o eleitor, principalmente o pobre, só quando ele vota no seu candidato ou naquele que você quer que ele vote. Não deixa de ser triste e ao mesmo tempo divertido parte da esquerda adotando como mascote Justo Veríssimo (personagem do saudoso Chico Anysio).

Rio: O povão da zona oeste derrotou o ‘socialismo de boutique’ da zona sul

Quem leu o plano de governo de Freixo e tem noção que dinheiro público é escasso – principalmente em tempo de crise – viu que não era viável

crivella

E Marcelo Crivella conseguiu vencer uma eleição majoritária no Rio de Janeiro sem ser para Senador. É o novo prefeito a partir de janeiro de 2017. Crivella venceu seu xará Marcelo Freixo (PSOL) no segundo turno por 59,36% a 40,64% dos votos válidos.

O mais interessante na vitória de Crivella é o mapa da apuração. O candidato que dizem ser fundamentalista religioso, que é parte de um plano da igreja Universal, de dominação da nação e do mundo, derrotou o candidato da esquerda nos bairros mais pobres, enquanto Freixo teve melhor desempenho na faixa mais rica da cidade.

A verdade é que Marcelo Freixo fez muito – 40% dos votos válidos para uma estrutura de campanha pequena derrotando a máquina do PMDB. Sua rejeição é ao seu partido e também suas ideias. Quem leu o plano de governo de Freixo e tem noção que dinheiro público é escasso – principalmente em tempo de crise – viu que não era viável.

Marcelo Freixo perdeu uma oportunidade de ouro de se mostrar ao país que o PSOL pode ser uma alternativa à esquerda sem ser radical. Preferiu, no entanto, ler as lacradas do Twitter/Facebook dos asseclas, de artistas e celebridades. Ou seja, Freixo pregou para convertidos, não soube dialogar com quem realmente decide uma eleição, o povão.

Telefone preto x smartphone

Sai Duda Mendonça e seu telefone preto. Entram meninos modernos que editam vídeos virais em aplicativos

minas

O mineiro tem um jeitinho inconfundível. O mineiro de Belo Horizonte então, nem se fala. Talvez porque Belo Horizonte seja uma mini-Minas, cheia de forasteiros unidos pelo amor ao pão-de-queijo. É só perceber que Belo Horizonte não tem um sotaque de Belo Horizonte. Tem um sotaque de Minas inteira. Que puxa o r, que arrasta o r, que come o r. Ao mesmo tempo. É BH. É “Beozonte”. É “Belorizonte”. Ao mesmo tempo. É cidade grande com jeitinho de cidade pequena.

Por que toda essa introdução? Porque não dá pra falar de política em Minas sem entender Minas. E mesmo sendo mineira e morando em Belo Horizonte desde 2006, taí uma coisa que eu ainda não consegui fazer.

O ano é 2008 e Fernando Pimentel é quase uma unanimidade na cidade (acreditem, existiu esse dia). O Governador é Aécio Neves, o sujeito que voltou a pagar o funcionalismo público no 5o dia útil (acreditem, existiu esse dia). A missão? Eleger para prefeitura de Belo Horizonte Márcio Lacerda, carinhosamente apelidado de poste ou “telefone preto”, que até 2007 não era absolutamente ninguém na ordem do dia. Ele se distraiu tanto com Jô Moraes que quase não viu quando a verdadeira ameaça chegou. Um político jovem, bonito, com bela família e que fazia joinha no horário eleitoral (a gente sabe como mineiro gosta de gente bonita, com família bonita e que faz joinha). Mas aí o moço foi gravado dizendo que iria “chutar a bunda” dos adversários. E de chute na bunda, mineiro não gosta. Quer dizer, mineiro não gostava.

O ano é 2016 e não deu para eleger o telefone preto da vez. O novo candidato queridinho agora fala vários palavrões de menor potencial ofensivo. Manda Pimentel e Aécio para o inferno ao vivo (como se eles já não estivessem lá, enviados pelos próprios mineiros). Provoca. Ri. Pavimenta um caminho que os caciques partidários barrigudos e bebedores de uísque menosprezaram. Esse negócio de chute na bunda provavelmente traumatizou alguns deles. Mas no século XXI, oito anos representam uma vida inteira quando esse espaço de tempo separa um aparelho que só faz ligações de um smartphone.

O que se viu até agora na disputa da prefeitura de Belo Horizonte passa muito longe de um suposto enfrentamento entre a velha política e a nova política. No máximo, temos a velha política contra a política mais velha. No máximo, temos um mineiro cansado de ser enganado, mas que no fundo sabe que será enganado de novo. Sai Duda Mendonça e seu telefone preto. Entram meninos modernos que editam vídeos virais em aplicativos, mas que a gente sabe que guardam no armário aquele bom e velho chapéu da tradicional família mineira. Sai mais do mesmo e entra o mesmo, mas mais engraçadinho.

O mineiro cansou. Cansou de condenar o mau vocabulário. Cansou do pó de arroz três tons mais claro que a pele do candidato. Cansou da fala mansa (justo ele, o mineiro!). Cansou de duvidar do joinha. Cansou de sempre pegar o trem no horário para depois descobrir que a linha Barreiro/Savassi nunca vai sair do papel.

O mineiro cansou de usar chapéu. Mas assistindo a tudo que o próprio mineiro fez nas eleições de 2014, seria bom que ele aprendesse a usar filtro solar.

Roberto Cláudio larga na frente no segundo turno

E, por enquanto, as pesquisas mostram o atual prefeito com uma boa vantagem

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A eleição de Fortaleza está no segundo turno, o atual prefeito Roberto Claudio (PDT) disputa contra o deputado estadual (capitão) Wagner Souza (PR). No primeiro turno, o governador Camilo Santana (PT) não se envolveu na disputa da capital, porque o partido dele tinha a candidata e ex-prefeita Luizianne Lins. Camilo ainda não entrou na campanha do segundo turno.

Com o partido rachado, o PT de Fortaleza decidiu não apoiar nenhum dos candidatos que passaram para a segunda etapa da eleição. A dúvida é se o governador vai entrar na campanha nesses últimos 13 dias. E a oposição já tentou colar a rejeição do PT no prefeito pelo apoio do governador petista.

Capitão Wagner é apoiado pelos senadores Tasso Jereissati (PSDB) e Eunício Oliveira (PMDB), inclusive o vice da chapa é o atual vice-prefeito Gaudêncio (PMDB). Roberto Claudio é afilhado político de Ciro e Cid Gomes, portanto, a disputa da capital cearense é um teste de força para os dois grupos que disputaram a última eleição para governador. E, por enquanto, as pesquisas mostram o atual prefeito com uma boa vantagem em busca da reeleição.