Cenário eleitoral de Tejuçuoca

Heloide Estevam (MDB) foi confirmada candidata à reeleição; Antunizio de Brito (PSD), conhecido como Britinho, foi confirmado candidato de oposição

Nos dias 12 e 15 aconteceram as convenções partidárias em Tejuçuoca. A prefeita Heloide Estevam (MDB) foi confirmada candidata à reeleição em convenção na noite de terça-feira (15), continuando a parceria com o vice-prefeito Amilton Camelo (PT). Ainda integram a chapa de situação o PSDB, PODEMOS e PCdoB. Na oposição, Antunizio de Brito (PSD), conhecido como Britinho, foi confirmado candidato no sábado (12) tendo como companheiro de chapa o ex-prefeito por três mandatos João Mota (DEM). A chapa de oposição ainda conta com o PDT.

Britinho foi alçado ao posto de candidato em um movimento de união das oposições, reunindo antigos desafetos políticos. Tudo para pôr um fim há 16 anos de hegemonia do grupo que está no poder municipal. Mas o próprio fazia parte do grupo situacionista até meses atrás. Não enxergando grandes oportunidades de crescer no grupo pela forma como Edilardo Eufrásio (MDB) lidera, foi buscar apoio nas oposições para essa disputa. Britinho tem dois mandatos de vereador (no segundo foi presidente da Câmara municipal por dois anos) e foi vice-prefeito entre 2013-2017. Britinho levanta a bandeira de levar direitos e oportunidades iguais para todos e não para um grupo minoritário próximo ao poder.

Heloide não tem boa oratória, mas tem carisma popular que conquistou quando era primeira-dama. Foi o carisma dela que levou Edilardo, que é esposo dela, a apostar em seu nome há quatro anos e repete agora. Antes de ter seu nome confirmado boatos que ela não estava querendo ser candidata novamente cansada do cargo e de críticas.

Na convenção, pareceu que não estava muito entusiasmada como na primeira vez que disputou uma eleição, chegando a negar um pedido para falar alguns segundos com este blog e tirando fotos com eleitores e militantes meio que obrigada. Pode ser só o cansaço de horas de convenção, mas é o ônus da política e do cargo que ela ocupa com pretensão de continuar mais quatro anos.

A campanha eleitoral em Tejuçuoca promete ser disputada e acalorada, como sempre no município, mesmo com restrições por causa da pandemia. Dia 15 de novembro, saberemos quem conquistará mais votos.

Curiosidades eleitorais

Eleição para prefeito, vice-prefeito e vereador em cidade pequena o bicho pega. Cidades com menos de 50 mil habitantes para baixo as disputas são polarizadas em dois polos distintos, muitas vezes formados por famílias rivais que ainda carregam as velhas disputas dos coronéis do passado.

Dentro do contexto citado acima, Tejuçuoca, com atualmente 16 mil habitantes e 13 mil eleitores aptos, não é diferente. Sempre dois candidatos opostos disputando quem comandará a prefeitura por quatro anos.

Em 2016, Itamar Maciel da Rocha (PEN), mais conhecido por Itamar da Fábrica, tentou ser uma terceira candidatura ao Executivo municipal, uma terceira via, mas acabou sendo impugnado pela Justiça Eleitoral devido a problemas de regularização (filiação) da convenção partidária. Itamar desistiu da candidatura e apoiou o candidato da oposição Jorge Silva Mota Filho (PRTB), mas continuou com o nome na urna e recebeu 18 votos – todos considerados nulos pelo TRE-CE (Tribunal Regional Eleitoral).

Antônia Heloide Estevam Rodrigues (PMDB) foi a candidata da situação e saiu vencedora do pleito com 6.420 votos – 54,09%. Outra característica peculiar no município de Tejuçuoca são as pesquisas que saem poucos dias antes da votação para saber quem está na frente. Pesquisa indicava 60,12% para Heloide; já noutra pesquisa o candidato Mota Filho tinha 58% dos votos.

Na eleição de 2008, uma pesquisa na véspera da eleição colocava Edilardo Eufrásio (PSDB) como reeleito com 61,12% dos votos contra 32,52% da candidata da oposição Zélia Mota (PSB). Edilardo venceu com 62,22%.

Já na eleição de 2012, uma pesquisa na véspera indicava vitória de Valmar Mota Bernardo (PDT) com 54,55% contra 40,40% do ex-prefeito João da Silva Mota Filho (PTB). Valmar venceu com 100% dos votos, porque a candidatura adversária foi impugnada pelo justiça eleitoral e teve os votos anulados.

A eleição municipal em uma cidade do interior do nordeste

Como toda eleição para prefeito numa cidade pequena, a disputa foi muito polarizada

Valmar e Britinho (vice)
Valmar e Britinho (vice)

A eleição 2012 na cidade de Tejuçuoca, no interior do Ceará, foi muito disputada. Como toda eleição para prefeito numa cidade pequena, a disputa foi muito polarizada, dividiu a cidade no meio.

O candidato da situação foi Valmar Mota Bernardo (PDT), então secretário de Ação Social e Trabalho e ex-vereador, contra o candidato da oposição, o ex-prefeito por três mandatos (1989-1992/1997-2000/2001-2004) João da Silva Mota Filho (PTB). Quem não votava em Valmar Bernardo, votava em João Mota e vice-versa. Era a disputa do 12 contra o 14 (números das legendas dos dois candidatos).

A coligação de Valmar Bernardo chamava seu adversário de “ficha suja” porque o Ministério Público Eleitoral-CE denunciou e a justiça eleitoral barrou a candidatura de João Mota com base na Lei da Ficha Limpa, uma lei de origem popular aprovada pelo Congresso Nacional que tinha sua primeira experiência naquela eleição em todo Brasil. Mesmo barrado no TRE-CE (Tribunal Regional Eleitoral), João Mota poderia fazer campanha normalmente, mas seus votos seriam considerados nulos até que o tribunal eleitoral julgasse o recurso do candidato. O candidato barrado pela Lei da Ficha Limpa poderia renunciar à sua candidatura na véspera da eleição e colocar outro candidato em seu lugar. João Mota apostava que reverteria a decisão do TRE-CE, não abriu mão da candidatura e foi até o fim.

Valmar Bernardo teve o apoio do atual prefeito Edilardo Eufrásio (PSDB), que por sua vez teve o apoio de João Mota na sua eleição em 2004. Sem apoio do prefeito que o ajudou a eleger na disputa mais acirrada no município – Edilardo venceu a sua primeira eleição por inacreditáveis 40 votos de vantagem -, João Mota foi pedir apoio para sua candidatura na oposição ao prefeito. Conseguiu juntar uma ampla base de partidos de oposição (PRB/PT/PTB/PMDB/PSB/PV) e mais alguns nomes que eram situação, mas não concordavam com o apoio de Edilardo a Valmar. Foi o caso do vereador Jorge Mota Filho (PMDB), conhecido como Mota Filho ou Motinha.

Mota Filho queria que seu nome fosse o indicado para representar a situação na disputa para sucessão do prefeito. Edilardo optou por apoiar Valmar Bernardo e Motinha também não contou com o apoio do deputado federal Danilo Forte (PMDB), o deputado optou pela candidatura do candidato do PDT. Sem apoio do prefeito e do deputado federal do próprio partido, Mota Filho abriu mão da disputa e partiu para apoiar o seu tio João Mota. A esposa de Mota Filha, Eurice Mota (PSDB), que era a atual vice-prefeita, também acompanhou a escolha do marido e se lançou candidata à vereadora pela coligação da oposição mesmo seu partido apoiando a candidatura de Valmar.

Um fato curioso naquela eleição é que as duas coligações fizeram um acordo: Eurice Mota apoiaria o candidato da oposição mesmo oficialmente pertencendo à coligação da situação sem correr o risco de ser denunciada por infidelidade partidária; Dr. Dimas Forte (PT), irmão do deputado Danilo Forte, seria candidato a vereador pela oposição apoiando o candidato da situação, uma verdadeira confusão que nosso sistema eleitoral proporciona, principalmente nas eleições proporcionais. Essa bagunça acontece porque a reforma política não sai nunca. Fica na promessa e no papel engavetado no Congresso. Uma reforma que acabe com as ridículas coligações proporcionais para o Legislativo – vereadores e deputados – é urgente.

No dia da eleição, Valmar obteve 6.033 votos. Como os votos de João Mota foram considerados nulos, Valmar foi eleito prefeito de Tejuçuoca com 100% dos votos válidos. A coligação formada por PRB/PT/PTB/PMDB/PSB/PV foi a mais votada com 4.690 votos (39,69%) e elegeu 5 vereadores; a coligação formada por PR/PSDB conseguiu 3.965 votos (33,55%) e elegeu 3 vereadores; a terceira coligação era formada por PP/PDT/PPS e obteve 3.162 votos (26,76%) elegendo 3 vereadores, também. As coligações formadas por PR/PSDB e PP/PDT/PPS apoiavam Valmar Bernardo. Assim, o prefeito conseguiu eleger 6 dos 11 vereadores possíveis conseguindo maioria simples na Câmara de Vereadores.