
Marcos Paulo Ribeiro de Morais, conhecido popularmente como “Marcão Chumbo Grosso”, até ser demitido pela emissora na qual apresentava programa policialesco em Brasília e adotou a alcunha de “Marcão do Povo”, voltou a ser notícia de forma negativa. Na antiga emissora que trabalhava, Record Brasília, Marcão chamou a cantora Ludmilla de “preta macaca“. O Ministério Público o denunciou por injúria racial, inclusive. Agora, no SBT, usou o espaço para vomitar absurdos inadmissíveis em uma concessão pública.
Marcão sugeriu um campo de concentração nos moldes dos campos nazistas de Hitler para infectados pela Covid-19. Não parou por aí. O apresentador pediu ao presidente Jair Bolsonaro um decreto para sua sugestão, que colocasse o Exército nas ruas e cadeia para governador que descumprisse.
Marcão mostrou toda a sua ignorância como funciona o ordenamento jurídico e constitucional. Mais do que isso: provou que o episódio que custou a sua demissão na outra emissora não foi um erro nem se arrependeu, que para além de sua ignorância, tem uma ficha corrida de tornar uma pessoa desprezível.
Mas o mais grave é o SBT abrir seu espaço para uma pessoa que incentiva prática nazista em um canal cujo o dono é judeu e golpe institucional. Ainda pior é tentar se livrar de responsabilidade usando o “não expressa o posicionamento da emissora” e a liberdade de expressão do apresentador em uma nota patética.
Silvio Santos é adesista ao governo de turno, não importando a cor ideológica. É um direito dele. Não é direito usar a concessão pública para desinformar ou distorcer fatos para favorecer narrativas políticas, como seu funcionário fez vomitando absurdos na manhã desta quarta-feira (8). Ou para ter audiência e repercussão pela via populista sensacionalista. Por muito menos Silvio cortou os comentários de opinião da apresentadora Rachel Sheherazade. Veremos o que fará com Marcão, já que ele interfere na programação do seu canal como se fosse um brinquedo.
Independente de concordar ou não dessa filosofia, Silvio Santos poderia cumprir o que disse anos atrás no seu próprio programa: “Jornalista que quiser trabalhar comigo (…) aprendeu na faculdade a escrever o que deseja, vai escrever… compra uma estação de televisão, compra um jornal. Na minha não. Na minha vai dar notícia. Só. Na minha estação de televisão, enquanto eu viver, vai procurar no ser-humano as qualidades do ser-humano.”