O grande acerto da CNN Brasil

A CNN Brasil acertou no alvo com a edição especial de o Grande Debate. Na noite da última segunda-feira (30/11) Caio Coppolla, Gisele Soares, Thiago Anastácio e Bruno Salles debateram sobre as eleições de 2020 em um modelo dinâmico, civilizado, cada um com seu ponto de vista, enfim, enriquecedor para quem assistiu. Muito melhor que as edições normais de o Grande Debate.

Carla Vilhena foi muito bem na mediação.

Espero que a CNN torne fixo o modelo do Grande Debate Especial. Não precisa ser diariamente para não desgastar a fórmula. O ideal seria semanalmente ou uma edição mensal.

Para quem ainda não assistiu vale a pena separar 1 hora e meia para conferir essa adaptação inovadora do quadro de sucesso da CNN americana.

O que diria Silvio Santos de 1988 a Marcão ‘do povo’?

Marcão sugeriu um campo de concentração nos moldes dos campos nazistas de Hitler para infectados pela Covid-19

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Marcos Paulo Ribeiro de Morais, conhecido popularmente como “Marcão Chumbo Grosso”, até ser demitido pela emissora na qual apresentava programa policialesco em Brasília e adotou a alcunha de “Marcão do Povo”, voltou a ser notícia de forma negativa. Na antiga emissora que trabalhava, Record Brasília, Marcão chamou a cantora Ludmilla de “preta macaca“. O Ministério Público o denunciou por injúria racial, inclusive. Agora, no SBT, usou o espaço para vomitar absurdos inadmissíveis em uma concessão pública.

Marcão sugeriu um campo de concentração nos moldes dos campos nazistas de Hitler para infectados pela Covid-19. Não parou por aí. O apresentador pediu ao presidente Jair Bolsonaro um decreto para sua sugestão, que colocasse o Exército nas ruas e cadeia para governador que descumprisse.

Marcão mostrou toda a sua ignorância como funciona o ordenamento jurídico e constitucional. Mais do que isso: provou que o episódio que custou a sua demissão na outra emissora não foi um erro nem se arrependeu, que para além de sua ignorância, tem uma ficha corrida de tornar uma pessoa desprezível.

Mas o mais grave é o SBT abrir seu espaço para uma pessoa que incentiva prática nazista em um canal cujo o dono é judeu e golpe institucional. Ainda pior é tentar se livrar de responsabilidade usando o “não expressa o posicionamento da emissora” e a liberdade de expressão do apresentador em uma nota patética.

Silvio Santos é adesista ao governo de turno, não importando a cor ideológica. É um direito dele. Não é direito usar a concessão pública para desinformar ou distorcer fatos para favorecer narrativas políticas, como seu funcionário fez vomitando absurdos na manhã desta quarta-feira (8). Ou para ter audiência e repercussão pela via populista sensacionalista. Por muito menos Silvio cortou os comentários de opinião da apresentadora Rachel Sheherazade. Veremos o que fará com Marcão, já que ele interfere na programação do seu canal como se fosse um brinquedo.

Independente de concordar ou não dessa filosofia, Silvio Santos poderia cumprir o que disse anos atrás no seu próprio programa: “Jornalista que quiser trabalhar comigo (…) aprendeu na faculdade a escrever o que deseja, vai escrever… compra uma estação de televisão, compra um jornal. Na minha não. Na minha vai dar notícia. Só. Na minha estação de televisão, enquanto eu viver, vai procurar no ser-humano as qualidades do ser-humano.”

“Fake News” no Domingão do Faustão

Inacreditável! A cantora Simone participou do quadro “ding-dong”, do Domingão do Faustão, com Ivan Lins. Claro que o Fausto Silva politizou a participação da dupla com seus comentários clichês surrados e bordões que não se usam nem em grêmio estudantil.

Mas o que chamou atenção foi a cantora Simone propagando corrente falsa de Whatsapp, em rede nacional, na principal emissora do Brasil e horário nobre de domingo. É uma aberração e desserviço gritante. Não basta Fausto Silva usar o seu programa para promover a candidatura natimorta de Luciano Huck, de fazer comentários de “comentarista de portal” na TV e bostejar estultices, agora abre espaço para uma cantora conhecidíssima falar uma besteira gigante sem ser corrigida.

A falsa informação que Simone tirou do submundo da internet para TV aberta foi que a maioria de votos nulos anula uma eleição e barra os candidatos que participaram dela.

FALSO!

O que leva muita gente ao erro é o capítulo 6 art. 224 do código eleitoral.

Art. 224. Se a nulidade atingir a mais de metade dos votos do país nas eleições presidenciais, do Estado nas eleições federais e estaduais ou do município nas eleições municipais, julgar-se-ão prejudicadas as demais votações e o Tribunal marcará dia para nova eleição dentro do prazo de 20 (vinte) a 40 (quarenta) dias.

Só que essa nulidade NÃO se refere aos votos nulos e brancos, que são descartados na totalização dos votos pelo Tribunal Superior Eleitoral, mas em caso de a eleição for anulada por vícios no processo eleitoral ou na votação (compra de votos, fraude na urna, na fiscalização, por exemplo).

A Rede Globo e o Fausto Silva devem uma retratação pública.

Quando a realidade entra no ‘Projaquistão’

A realidade sempre teima em furar a bolha da classe artística

“Debate” (entre aspas porque os convidados do programa pensam iguais) do programa Encontro, da Rede Globo, nesta sexta-feira o tema foi sobre “proibição nas artes”, discutindo as polêmicas envolvendo a mostra queermuseu, de Porto Alegre, e do MAM – Museu de Arte Moderna, de São Paulo, o último tinha crianças, de até 10 anos, tocando em um homem completamente nu.

Mas o que chamou atenção no programa foi a opinião de uma espectadora da plateia, Dona Regina, rompendo com a opinião monopolizada dos debatedores (todos a favor do queermuseu e da performance no MAM).

Dona Regina expressa sua opinião não contra as artes, mas contra crianças no local e a mãe da garota que incentivou a própria filha tocar um homem nu. A cara da atriz Andreia Horta é impagável – “prefiro não comentar”, disse perguntada se tinha alguma observação ao comentário.

Então o ator Bruno Ferrari pega a palavra e pergunta para a senhora o motivo dela ser contra, Dona Regina responde que é contra a mãe da criança levar a filha em uma exposição com nudez, aí Andreia Horta rompe o silêncio e faz textão ao vivo na TV. No final, a apresentadora Ana Furtado, substituindo Fátima Bernardes em férias, completou que a criança estava acompanhada da mãe, como se o fato de estar com a mãe tornasse tudo normal e é o contrário: torna o episódio mais absurdo.

O programa Encontro realiza “debates” de temas comportamentais e bastante polêmicos. Contudo, o grande problema é que só convida pessoas com os mesmos pensamentos, não é debate.

Quando abrem o microfone para a plateia se manifestar e vem alguém com opinião contra a ideia única formada pela apresentadora e convidados, há tentativa de desqualificar a pessoa. A realidade sempre teima em furar a bolha da classe artística e suspeito que vai ter demissão na equipe que cuida da plateia do Encontro, por deixar uma “intrusa” entrar e falar sua opinião contrária dos convidados.

Brasil conectado, mas nem tanto

A TV digital não pode virar uma segunda TV a cabo

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Pesquisa da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) feita em 2013 e divulgada nesta quarta-feira (29) aponta para uma desigualdade no jeito do brasileiro assistir televisão. Na pesquisa, 97,2% do total de domicílios tinham TV em 2013 (63,3 milhões de domicílios). Desse total, 54,5% tem TV de tubo, 24,3% tem TV de tela fina e 38,4% têm ambos os modelos.

Mas o que chamou atenção na pesquisa foi que apenas um terço (31,2%) dos lares brasileiros que têm pelo menos uma TV ainda não recebe o sinal de TV digital. Isso porque o governo pretende desligar o sinal analógico entre 2016 e 2018. O vice-presidente do Inatel (Instituto Nacional de Telecomunicações), Carlos Nazareth Marins, disse à Folha de São Paulo que “Se, com 60 anos de televisão no país, o sinal analógico ainda não chega a 100% da população, triplicar o sinal digital não deverá ser tão rápido”. Essa fala é muito preocupante.

Outros dados interessantes na pesquisa é que a TV por assinatura só está em 29,5% dos lares do Brasil. O serviço cresceu, mas ainda caminha em velocidade lenta. Quase 40% dos brasileiros têm antena parabólica (38,4%).

Essa desigualdade no modo de assistir televisão reflete a desigualdade regional como um todo. A região com mais antenas parabólicas é o nordeste, com 50,7%; ficando na lanterna quando o quesito é TV por assinatura com apenas 15%. Só 20% tem TV digital na região. Na região norte, 42,3% tem antena parabólica, 22,6% com TV digital e 18,9% assinam TV a cabo. Região centro-oeste tem 26,9% usuários de TV a cabo, 29,2% com TV digital e 42,8% de antenas parabólicas. É nas regiões mais ricas e desenvolvidas do país onde se concentram o maior número de assinantes de TV a cabo e TV digital: 40,1% assinantes de TV a cabo e 38,9% com TV digital no sudeste; 29,6% assinantes de TV a cabo e 32,6% com sinal digital no sul. Apesar disso, o sinal via parabólica é grande no sudeste (28,7%) e, principalmente, no sul (41,4%).

28,5% de lares brasileiros –18,1 milhões de lares– dispunham apenas do sinal analógico captado com auxílio de antenas de pequeno alcance e sujeito a mais interferências. É um grande contingente de pessoas que só tinham o sinal de antenas comuns, de não boa qualidade.

A televisão é o principal meio de comunicação do Brasil. É nela que o povo se informa e tem uma fonte de entretenimento. O governo tem o dever de popularizar a TV digital antes de desligar o sinal analógico. Afinal, como diz um comercial veiculado, a TV digital é de graça, é para todos. A TV digital não pode virar uma segunda TV a cabo, onde só quem tem poder aquisitivo grande pode ter.