O Tea Party tem o seu candidato

Rand Paul

Fábio Piperno

O sobrenome Paul mais uma vez está na corrida para a Casa Branca. Após três frustradas tentativas do patriarca Ron, agora é o seu filho Rand, o preferido do Tea Party, quem tentará governar o país mais poderoso do planeta. Senador de primeiro mandato pelo Kentucky, Randal Howard Paul, de 52 anos, anunciou nesta terça-feira a intenção de disputar a indicação para concorrer à presidência pelo Partido Republicano.

Ainda faltam nove meses para o início das primárias, mas os republicanos não perdem tempo. Antes de Paul, o senador texano Ted Cruz já havia se lançado na disputa para obter a nomeação partidária e tentar remover os democratas da Casa Branca. Nas próximas semanas, eles deverão ganhar como concorrentes o também senador Marco Rubio, o governador do Wisconsin Scott Walker e o ex-governador da Flórida, Jeb Bush, filho e irmão de ex-presidentes.

O anúncio de Paul era esperado. Apoiado pelo ultraconservador Tea Party, o senador faz barulho ao desfraldar bandeiras como estado mínimo e avesso a investimentos em programas de universalização da saúde, fim das agências federais voltadas às questões ambientais e educação pública, radical defesa do não-intervencionismo externo e corte drástico da carga tributária. Como o pai, jamais votou a favor de qualquer elevação de impostos e apoia o uso terapêutico da maconha.

Assim como Ron, condena as intervenções externas dos Estados Unidos, por considerar que o custo das ações militares onera o contribuinte americano. Mais radical que o filho, o velho Paul desagradou os conservadores ao dizer que “eles (Al Qaeda) não vêm aqui nos atacar porque somos ricos e livres, mas porque estivemos lá”. O filho não chega a tanto, até por saber que os seus aliados no partido não são tão isolacionistas assim.

Médico como o pai, Rand começa a campanha como um franco-atirador. Tem chances remotas, mas pouco a perder. Sem uma grande máquina de arrecadação de recursos, repetirá a estratégia de Ron, que recusava contribuições de empresas e aceitava apenas doações individuais. No final das tentativas do pai, faltaram votos, mas sobrou dinheiro. Rand espera mais. Sabe que, dependendo dos apoios que conseguir angariar durante as primárias, poderá levar o Tea Party a ampliar a influência dentro do partido. Pode parecer pouco. Mas se a disputa entre os demais pré-candidatos ficar equilibrada, o aval do seu movimento ultraconservador poderá valer muito e ser decisivo.