
O brasileiro tem algumas paixões. Futebol, carnaval, cerveja, bunda e novela. Não necessariamente nessa ordem. Brasileiro gosta de palpitar sobre tudo. Brasileiro gosta de opinar sobre qualquer assunto sem nenhum conhecimento. Eu também sou assim e reconheço que é bom. E com as redes sociais como Twitter, Facebook, Instragam fica mais fácil se expressar de forma instantânea aos acontecimentos.
O grande problema é quando a paixão fala mais alto que a razão, o bom senso. O brasileiro das redes sociais tem tanto equilíbrio emocional quanto a seleção brasileira – certeza que é assim na vida também. Toma conhecimento de algum assunto e logo toma partido de um lado da história sem conhecer a versão do outro lado. E mesmo depois de conhecer o outro lado, se a opinião não estiver batendo com os fatos, não reconhece os próprios erros, o que é pior. Errar é humano, persistir no erro é burrice. Já dizia o poeta: só os idiotas não mudam de opinião.
Talvez por gostar de novelas – eu gosto, apesar das novelas atualmente não serem lá grande coisa – o brasileiro gosta de criar vilões e heróis. Na política, onde as opiniões deveriam ser dadas de maneira sóbria, criam seus antagonistas. No futebol, palco em que se permite fantasias, a coisa se perde de um jeito que é lamentável. Quando o uruguaio Luiz Suárez mordeu o italiano Giorgio Chiellini, foi transformado no ser mais detestável do mundo. O que ele fez foi nojento, concordo, porém, ele não é um assassino ou bandido para ser linchado em praça pública, pois nem bandido merece tal “honraria”. Excluindo o exagero, mereceu a punição que teve. Dois jogos de suspensão, uma multa e estava de bom tamanho. Sem tirar o cara da concentração do Uruguai e muito menos deixar o cara sem trabalhar por quatro meses.
O mesmo aconteceu com o colombiano Juan Zuñiga que tirou Neymar da semifinal e de uma possível final da Copa do Mundo. O jogador foi imprudente. Foi maldoso. Aí fica na opinião de cada um. Só não pode é divulgar o perfil do jogador para verdadeiros URUBUS saírem humilhando a ele e até ameaçando sua família, chamando-o de “monstro”, “maior vilão da história do futebol”, “sujo”, “colombiano drogado”, “negro FDP”. Xenofobia e racismo misturado. Tudo que o futebol não é e luta para afastar dos campos.
Futebol não é o ópio povo, nem uma ilha da sociedade, onde se pode fazer de tudo que não é permitido.