
O jornalista Mino Carta, fundador da revista Carta Capital, em editorial algumas semanas atrás, declarou seu voto e apoio da revista a presidente Dilma na eleição presidencial. Independente de concordar ou não com seus argumentos, trata-se de uma atitude louvável mesmo que criticada por aqueles que dizem que a Carta Capital é “vendida ao governo petista”.
Uma coisa é você ter opinião e declarar seu voto publicamente. Outra bem diferente é manipular os fatos a favor do seu candidato. Sou mais o que fez o Mino Carta do que faz a revista Veja e outras empresas de mídia. Se declarando independente, mas tendo o seu conteúdo claramente voltado para um lado e pior: distorcendo fatos em favor do seu candidato preferido e contra o seu adversário.
Mino Carta só fez o que os jornais americanos fazem: declarar voto e apoio ao candidato de sua preferência em editorial. É a velha síndrome de vira-lata de Nelson Rodrigues. Se nos EUA é a democracia em seu estado bruto, aqui no Brasil é “comprado”, “vendido”. Como defendo a liberdade de expressão não só quando for conveniente para mim, aplaudo a atitude de Mino Carta e de todos que declaram seu voto no lugar de se fazer de independente, mas na verdade manipula debate eleitoral em favor de seu próprio candidato.
E minha crítica é também para os petistas que deliram com esse negócio de que a mídia é contra o PT, criando até o ridículo termo “PIG”, porém saem divulgando notícias do mesmo “PIG” quando a notícia é ruim para os seus adversários. Vejo que uma denúncia contra alguém ligado ao PT (mesmo que seja o porteiro do prédio do partido) é divulgada até cansar por toda mídia. A notícia é exprimida até o bagaço, diferente de uma denúncia contra alguém do PSDB – o caso do aeroporto, por exemplo, logo vai sumir do noticiário.
Até por isso que o PT deveria ser muito mais rígido e cuidadoso para não dar oportunidade de ter seu nome envolvido em denúncias das mais diversas nas páginas dos jornais, revistas, TV e internet e não fazer a alegria de blogueiros. Liberdade de opinião não é o oposto de independência. Liberdade de expressão tem que ser para todos.