A internet abriu a comporta do racismo, da calúnia e da boçalidade. O caso envolvendo a Maria Júlia Coutinho é só mais um exemplo. A nova Garota do Tempo do Jornal nacional, da TV Globo, foi vítima da intolerância, do ódio que está transbordando na rede.
Todo tipo de discriminação é nojenta, mas a racial é a pior e mais asquerosa. É contra um povo que foi arrancado de sua terra para trabalhar de graça para a elite por longos anos e séculos. Só para ter uma ideia, a Lei Áurea é de 1888. Ou seja, foram 388 anos de escravidão no Brasil, mais de três séculos de vergonha, ou deveria ser uma vergonha nacional. Muitos acham que não é para sentir vergonha.
Quem defende as cotas raciais usa o argumento que a sociedade tem uma “dívida” com a população negra. Pode ser exagero, mas há uma verdade no argumento. Depois de arrancado da sua terra para trabalhar de graça e passar pelas maiores humilhações que um ser humano pode passar, os negros sentiram o gosto da dita liberdade por pouco tempo. Não passou de ilusão, já dizia o samba da escola de samba Mangueira no centenário da lei Áurea em 1988. A população negra foi jogada nas ruas, das ruas foi para os morros, onde se formaram as favelas rebatizadas de comunidades e abandonadas pelo poder público. Ficando à margem de uma sociedade mesquinha, hipócrita e doente.
A população negra sofre discriminação até os dias de hoje. E afirmar que não existe racismo é ser cúmplice do racismo enrustido que descobriu na internet um ótimo lugar para mostrar sua cara. E mostra sua cara de forma mais perversa. Outra de negação do racismo parte dos próprios negros. Querendo ficar de boa com os amigos brancos alguns negros ficam contra todo tipo de cotas raciais, diz que nunca sofreu racismo e quem denuncia o racismo está fazendo “média com a esquerda”. Em suma, acha que não existe racismo.
Acho que as cotas raciais são uma ferramenta para consertar uma distorção. Mas não é a solução definitiva nem vai apagar quase 400 anos de uma vergonha chamada escravidão. A solução definitiva passa pelo poder público fazer chegar serviços básicos (saúde, educação, saneamento básico, segurança, etc) para toda população, sobretudo a negra.