Em Entrevista para Folha de São Paulo, Dilma disse que vai lutar para defender seu mandato. “O que você quer que eu faça? Eu não vou cair. Eu não vou, eu não vou. Isso é moleza, isso é luta política. As pessoas caem quando estão dispostas a cair. Não estou. Não tem base para eu cair. E venha tentar, venha tentar. Se tem uma coisa que eu não tenho medo é disso. Não conte que eu vou ficar nervosa, com medo. Não me aterrorizam.”
Não desejo a queda da presidente Dilma. Dois presidentes depostos em pouco mais de vinte anos seria traumático por demais para a jovem democracia brasileira e justamente no momento de crise econômica. Também porque o PMDB concentraria muito poder em mãos, já controla o Congresso e controlaria o Planalto em caso de impeachment, o vice Michel Temer assumiria; em caso de cassação da chapa no TSE, Eduardo Cunha, que é presidente da Câmara e terceiro na linha sucessória, assumiria mesmo que temporariamente a presidência da República e convocaria novas eleições – cassação do presidente e do vice com menos da metade do mandato cumprido é realizada nova eleição de forma direta. Com mais da metade do mandato é realizada eleição indireta pelo Congresso. Mas essa coisa de “golpe” não faz sentido. O voto popular é soberano, ninguém vai discutir isso. Mas o voto popular não está acima das leis e da Constituição. Nada está acima da Constituição, diga-se.

O governo Dilma é uma tragédia na área econômica e política. Lula deve estar arrependido de ter escolhido o nome de Dilma Rousseff. Tudo bem que os nomes para sucessão do ex-presidente foram caindo um por um por escândalos de corrupção. Primeiro José Dirceu e, depois, Antonio Palocci. Contudo, ainda tinha nomes com mais afinidade com Lula e o PT. Marina Silva e Marta Suplicy deixaram o partido porque Lula preteriu as duas com longa carreira política e identificadas com o PT para apostar em Dilma. Eduardo Suplicy é outro que sempre defendeu e defende o PT e não tem um reconhecimento nem de Lula muitos menos de Dilma.
Com o cenário político econômico social de 2010, o escolhido por Lula ganharia a eleição independente do nome escolhido. Tanto é verdade que Dilma Rousseff nunca havia disputado nada eleitoralmente e venceu um candidato com a experiência de várias eleições ganhas e perdidas como José Serra, inclusive uma eleição presidencial perdida para o próprio Lula. A diferença é que com Marina, Marta ou Suplicy ao invés de Dilma não seria uma experiência logo no cargo mais alto da República. A “gerentona” e “mãe do PAC” – Programa de Aceleração do Crescimento – na verdade foi um engano (ou engodo) de Lula. E o próprio Lula sabe que essa conta será cobrada dele, já está sendo cobrado, diga-se.