
O Partido dos Trabalhadores está se esfarelando e é uma pena que isso esteja acontecendo. Um partido que nasceu da base da sociedade, único caso no Brasil, vai tendo um fim melancólico causado em boa parte por seus dirigentes. Se o PT não tivesse passado a mão na cabeça dos “companheiros” pegos no mensalão – “guerreiros” e “presos políticos” – talvez a história fosse outra. O partido, no entanto, optou por defender os seus e acusar um complô da mídia golpista com as elites – branca e coxinha.
Fora todo o problema que a Operação Lava Jato trouxe ao PT, governo e para a economia, tudo foi agravado pela perda de confiança dos empresários, agentes econômicos e a população para o governo da presidente Dilma. A perda de credibilidade do governo Dilma entre os agentes econômicos e empresários foi resultado de uma política desastrosa do primeiro mandato. De 2011 a 2014 o governo adotou uma política mais intervencionista, a Nova Matriz Econômica, o que não acontecia no governo Lula – não em grandes proporções.
Já a perda de credibilidade entre a população demorou um pouco mais a acontecer. Primeiro, a queda de popularidade causada pelas manifestações de junho 2013. O governo conseguiu reverter e Dilma foi reeleita, com maioria apertada.
Depois, no pós-eleição, a popularidade do governo desabou e continua caindo para níveis negativos históricos graça a um estelionato eleitoral nunca antes visto. O governo maquiou as contas públicas para passar a imagem de um governo equilibrado e um país em desenvolvimento econômico e social. Só que a conta chegou e a presidente teve que fazer tudo aquilo que disse que não precisava ser feito. Pior: acusava seus adversários que eles fariam o arrocho, se eleitos.
Queria um PT forte, robusto, pujante, honesto e competente comandando o país e seu povo, com desenvolvimento econômico e justiça social. O que temos é um partido acuado, sem respostas e com as mesmas desculpas de sempre; um governo sem um plano, imobilizado, um país à deriva pronto para colidir com um iceberg.