Rejeição ao governo Dilma cai para 64%, diz Datafolha

Não é para o governo comemorar porque passa longe de uma vitória, mas tudo indica que o pico de rejeição já foi alcançado

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Nova pesquisa Datafolha para medir a popularidade do governo da presidente Dilma Rousseff. Continua alto o índice de rejeição popular ao governo, mas vem caindo lentamente: 71% em agosto de 2015 para 64% agora. Quem acha o governo regular subiu 3 pontos em relação a última pesquisa do instituto (dezembro-2015) e foi a 25%. Já a popularidade nesses dois meses caiu de 12% para 11%.

Não é para o governo comemorar porque passa longe de uma vitória, mas tudo indica que o pico de rejeição já foi alcançado e vai variar entre 60% e 65%. 60% são favoráveis ao impeachment de Dilma, e para 58% ela deveria renunciar.

O Datafolha verificou que continua a queda de popularidade de Lula. Maioria acredita que empreiteiras beneficiaram o ex-presidente. Lula caiu de 71% para 37% como o melhor presidente da história, Fernando Henrique cresceu de 6% para 15%, Getúlio Vargas, com 6%, e JK, com 5%, fecham a lista.

O efeito deletério das denúncias envolvendo o nome de Lula no triplex de Guarujá e no sítio de Atibaia estão sendo uma catástrofe para a imagem do ex-presidente. Tudo agravado pelo silêncio dele e por uma defesa, ao meu ver, errada por parte do PT, de aliados, da militância, de acusar uma aliança da mídia e judiciário com a oposição para criminalizar o partido e impedir a candidatura de Lula em 2018.

Governo Dilma ganha fôlego no final de 2015; 2016 e 2018 imprevisíveis

A aposta da oposição no famigerado quanto pior, melhor não é boa

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O governo da presidente Dilma Rousseff está ganhando fôlego justamente no momento que o impeachment foi deflagrado pelo presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB/RJ).

Pesquisa do Instituto Datafolha averiguando a popularidade do governo mostra recuo na reprovação popular. É o segundo recuo na taxa de reprovação consecutivo depois de ter atingido o recorde de 71%.

De 67% na pesquisa do Datafolha de novembro caiu para 65% agora. Quem acha o governo regular se manteve em 22%. Quem aprova o governo passou de 10 para 12%. Chegou a bater em 8% de ótimo e bom durante 2015. Não é exagero de concluir que Dilma Rousseff termina o ano no lucro. Escapou do impeachment pelo menos em 2015, o STF garantiu poder ao Senado Federal de rejeitar o mesmo, onde o PMDB é menos feroz ao governo, se passar na Câmara, Eduardo Cunha e o próprio PMDB estão sendo emparedados na justiça. Dilma fechou o ano recuperando um pouco da popularidade perdida. Vai passar o natal e a virada mais tranquila.

Mas a população continua descontente com o governo. Inflação de dois dígitos ao ano, desemprego subindo, dólar a R$ 4, juros nas alturas, retração do PIB, a economia continua se deteriorando sem boas perspectivas. A batalha final do impeachment ficou para 2016. O ano vindouro promete muitas surpresas e emoções fortes. A continuação da operação Lava-jato, a ação de impugnação da chapa Dilma/Temer no TSE começará a ser julgada e ainda é ano de eleições municipais. E como vai ficar o humor do Senador Renan Calheiros PMDB/AL) com o governo depois da quebra de sigilo.

Tudo pesado na balança, a insatisfação popular com o governo e com a própria presidente continua, mas a população se deu em conta que não adianta afastar Dilma e o PT do poder e colocar Michel Temer e o PMDB no lugar. Seria trocar seis por meia-dúzia, o sujo pelo mal lavado.

Corrida presidencial 2018

A oposição está no caminho errado. É o que mostra essa pesquisa Datafolha. A aposta da oposição no famigerado quanto pior, melhor não é boa. O Senador Aécio Neves (PSDB) continua liderando, mas perdeu força comparando com outras pesquisas nas quais seu nome aparecia com mais 30% de intenções de voto. Apesar de todo dia ter o seu nome e de seu familiares nos jornais com notícias desfavoráveis, Lula (PT) continua com uma base de votos que o garantiria ao menos no segundo turno. Marina Silva (Rede) continua bem cotada. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), perdeu força – não foi uma boa bater em alunos… Os principais nomes do PMDB perderiam para Luciana Genro (PSOL). Ciro Gomes (PDT) ficou com uma média de 6,5%. E o polêmico deputado Jair Bolsonaro (PP/RJ) ficou com uma média de 4,5% nos quatro cenários pesquisados.

O impeachment é legítimo e necessário

Blindar o governo Dilma Rousseff de seus crimes apelando para a retórica do golpismo não passa de falácia

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André Souza Guedes

Esqueça as paixões inflamadas dos ingênuos e retóricas maquinadas pelos oportunistas que parasitam o aparelho estatal: o processo de impeachment é legítimo, necessário – e ele se aproxima! Caso os tribunais supremos não resolvam atuar partidariamente de maneira desavergonhada, a idólatra da mandioca deixará o poder dentro de poucos meses. Para alívio geral da população, dos mercados, da oposição e até de certa ala governista.

A onda populista que varreu o continente nas últimas décadas implantou no imaginário coletivo a ideia de que democracia faz-se apenas com eleições diretas periódicas. Basta apertar alguns botõezinhos ou preencher uma cédula de quatro em quatro anos e voilà! está devidamente exercido o direito democrático do cidadão. Mesmo a Coreia do Norte recorre a esse vil expediente – o lunático Kim Jong-un vence as eleições norte-coreanas com cem por cento das preferências dos eleitores! É ou não é bela essa tal democracia?

O Estado Democrático de Direito abrange muitas outras variáveis – mas os líderes populistas não querem que você saiba disso. O rito democrático prevê instituições sólidas e independentes, imprensa livre e a premissa de que ninguém está acima da lei. Os homens de terno em Brasília tem os mesmos direitos e deveres constitucionais de um engraxate na Cinelândia – e essa prerrogativa estende-se à cadeira da presidência da República.

Blindar o governo Dilma Rousseff de seus crimes apelando para a retórica do golpismo não passa de falácia – além de ser uma maneira de deslegitimar o impedimento do presidente Collor em 1992, destituído por motivos bem menos flagrantes. Naquela época, imprensa e coletivos sociais alardeavam o impeachment do caçador de marajás como o auge esplendoroso da democracia brasileira. Lula e seus pares choravam de emoção.

Além do crime de responsabilidade (que a trupe chapa-branca insiste em dizer que não aconteceu ou que, se aconteceu, foi por uma boa causa), seis delatores já confessaram que a campanha de Dilma Rousseff recebeu dinheiro ilegal. Um senador da República está preso – algo inédito na História do Brasil. Lula, o criador, está encalacrado até o pescoço e teme a visita do japonês da PF. A permanência da presidente é insustentável.

Michel Temer não é a solução para o Brasil. Mas vai trazer alguma tranquilidade institucional até 2018; os mercados irão respirar aliviados e talvez as agências de risco e investidores internacionais passem a nos enxergar com outros olhos – como uma democracia sólida que não admite estelionato, irresponsabilidade e corrupção por parte de seus governantes.

Atualmente o governo Dilma é um cadáver putrefato, um zumbi prestes a ser alvejado por um headshot de misericórdia. E cairá tal como todos os projetos da esquerda no continente.

André Souza Guedes (@aguedescartoon) é analista de sistema, cartunista e músico

Datafolha: Governo Dilma é reprovado por 67% da população

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Pesquisa Datafolha mostra uma variação para baixo na reprovação ao governo da presidente Dilma. 67% acham o governo Dilma ruim/péssimo, 22% acham regular e 10% acham o governo ótimo/bom.

Em outubro-2014, em plena campanha eleitoral do segundo turno, a reprovação popular ao governo Dilma era de 20%, foi para 24% em DEZ-14, pulou para 44% em FEV-15 já no início do segundo mandato quando o eleitorado da presidente se sentiu traído com algumas medidas tomadas no governo; após a mega manifestação de 15 de março, onde mais de 2 milhões de pessoas foram às ruas protestar contra o governo e a corrupção, a rejeição pulou para 62%, em ABR-15 deu uma desacelerada caindo para 60%, voltou a subir em JUN-15 atingindo 65%, a última avaliação de governo do Datafolha foi realizada em AGO-15 e um recorde de 71% de reprovação de um governo desde o governo Collor em 1989.

Essa nova pesquisa foi feita nos dias 25 e 26 de novembro, justamente no dia da prisão do senador Delcídio do Amaral (25) que apareceu em gravação feita pelo filho de Nestor Cerveró negociando uma mesada e fuga para o pai dele em troca de não mencionar o nome do senador na delação premiada.

A queda da reprovação é uma novidade positiva que o governo precisava, mas continua um índice muito alto e os índices da economia (1) continuam piorando, inclusive para 2016.

Pela primeira vez, a corrupção é o maior problema do Brasil para os brasileiros

  1. Corrupção – 34%
  2. Saúde – 16%
  3. Desemprego – 10%
  4. Educação e violência – 8%

Para 81% dos entrevistados do Datafolha, Eduardo Cunha tem que ser cassado, 7% são contra e 4% indiferente. O Congresso Nacional é avaliado ruim/péssimo por 53% da população.

Governo Dilma naufragando e levando o PT junto

Um governo sem um plano, imobilizado, um país à deriva

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O Partido dos Trabalhadores está se esfarelando e é uma pena que isso esteja acontecendo. Um partido que nasceu da base da sociedade, único caso no Brasil, vai tendo um fim melancólico causado em boa parte por seus dirigentes. Se o PT não tivesse passado a mão na cabeça dos “companheiros” pegos no mensalão – “guerreiros” e “presos políticos” – talvez a história fosse outra. O partido, no entanto, optou por defender os seus e acusar um complô da mídia golpista com as elites – branca e coxinha.

Fora todo o problema que a Operação Lava Jato trouxe ao PT, governo e para a economia, tudo foi agravado pela perda de confiança dos empresários, agentes econômicos e a população para o governo da presidente Dilma. A perda de credibilidade do governo Dilma entre os agentes econômicos e empresários foi resultado de uma política desastrosa do primeiro mandato. De 2011 a 2014 o governo adotou uma política mais intervencionista, a Nova Matriz Econômica, o que não acontecia no governo Lula – não em grandes proporções.

Já a perda de credibilidade entre a população demorou um pouco mais a acontecer. Primeiro, a queda de popularidade causada pelas manifestações de junho 2013. O governo conseguiu reverter e Dilma foi reeleita, com maioria apertada.

Depois, no pós-eleição, a popularidade do governo desabou e continua caindo para níveis negativos históricos graça a um estelionato eleitoral nunca antes visto. O governo maquiou as contas públicas para passar a imagem de um governo equilibrado e um país em desenvolvimento econômico e social. Só que a conta chegou e a presidente teve que fazer tudo aquilo que disse que não precisava ser feito. Pior: acusava seus adversários que eles fariam o arrocho, se eleitos.

Queria um PT forte, robusto, pujante, honesto e competente comandando o país e seu povo, com desenvolvimento econômico e justiça social. O que temos é um partido acuado, sem respostas e com as mesmas desculpas de sempre; um governo sem um plano, imobilizado, um país à deriva pronto para colidir com um iceberg.