
Quando é que Eduardo Cunha (PMDB/RJ) vai sair da presidência da Câmara dos Deputados? As provas encontradas já eram suficientes e incompatíveis com o cargo que ele ocupa – Presidente da Câmara dos Deputados, o terceiro na linha sucessória da República. Essa última é o tiro de misericórdia. Pesam contra Cunha denúncias estarrecedoras e com provas muito robustas (aqui, aqui, aqui e aqui).
Por muito menos Severino Cavalcanti caiu, em 2005, da mesma cadeira que Cunha ocupa hoje. Ele quebrou o decoro parlamentar ao dizer na CPI da Petrobras que não tinha contas no exterior, o que pode levar a cassação do seu mandato de deputado. Ele mentiu! É quebra de decoro parlamentar! Vamos ver a próxima desculpa do deputado federal Carlos Sampaio (PSDB/SP) e outros aliados de Cunha para continuarem apoiando ele.
Eduardo Cunha foi denunciado pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, ao STF a mais de 100 anos de prisão, o que estão esperando para afastar esse sujeito da cadeira de presidente da “casa do povo”? Estão esperando que o STF aceite a denúncia e Cunha vire réu? Enquanto isso, a Câmara dos Deputados fica com um presidente acusado por denúncias dignas daqueles filmes de gângster.
O combate à corrupção tem que ser pra valer e não uma indignação seletiva no melhor estilo “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”. E a teoria conspiratória que Cunha levanta em sua defesa envolveria a Procuradoria Geral da República, os procuradores do Paraná, o juiz Sergio Moro e até as autoridades da Suíça. Eduardo Cunha, o “Frank Underwood brasileiro”, caiu na sua própria arrogância e sua esperteza.
É inadmissível o terceiro na linha sucessória acumular tantas denúncias de tamanha gravidade. Não adianta blindar ou tentar justificar a permanência de Eduardo Cunha na presidência da Câmara porque ele é quem pode aceitar abrir um processo de impeachment contra a presidente Dilma, isso é absurdo. É ficar cego para os crimes de Cunha só para derrubar Dilma e o PT da presidência da República. Também não inocenta os erros de Dilma, Lula e do PT.
Sou dos que apoiam o impeachment da presidente Dilma, mas não a qualquer custo. E, se não sair até novembro, acho que a oposição tem que mudar de estratégia. Mais um ano com a pauta do impeachment não é bom para o país nem para própria oposição pensando em 2018. É até bom que Dilma fique até o final do mandato. O PT precisa carregar o peso do governo Dilma e sua baixa popularidade nas eleições 2016 e 2018. Só quero ver a retórica petista para se livrar do “Custo Dilma”. É um paradoxo, mas o impeachment beneficiaria o PT.
A oposição precisa encontrar um norte, uma direção fora o impeachment. Precisa mostrar um projeto alternativo ao que está aí e que é desaprovado por 70% da população. Ou não vai catalisar esse sentimento majoritário contra o PT e, assim como no escândalo do mensalão, vai deixar escapar mais uma chance.