Democracia representativa não é fazer as vontades de ‘bebê chorão’

Ou era melhor as decisões não ter pontes e a própria população decidir tudo

No Brasil, há uma confusão sobre o que é democracia representativa. Muita gente acha que o representante precisa votar na Câmara Federal, Assembleias, Câmara de Vereadores e Senado sempre como pensa o representado. Nada mais falso. O político eleito tem no mandato uma carta concedida pelo eleitor, mas essa carta não é uma diretriz que o representante precisa seguir fielmente. Ou era melhor as decisões não ter pontes e a própria população decidir políticas públicas, de governos, institucionais, tudo. Seria democracia direta.

Eu, pessoalmente, sou a favor de ter mecanismos que possibilitem mais democracia direta por meio de plebiscitos e referendos. Não abusando deles, óbvio. O parlamentar ou representante do Executivo tem que ter uma atuação livre e condicionado ao bem estar da população. É muito bom a população ficar atenta ao que fazem seus representados. Mas o problema é ficar revoltada como uma criança birrenta toda vez que não é atendida.

Maior exemplo é o caso de Aécio Neves (PSDB/MG). Afastado por medidas cautelares pelo STF, os senadores votaram por sustar tais medidas e devolver o mandato ao parlamentar. Uma coisa é você achar errada ou equivocada; outra é ficar revoltadinho e até pedir por intervenção militar.

Já foi comentado aqui o erro grave que é três ministros do STF afastar do cargo um Senador da República, sendo que nem réu é ainda. Por mais que as digitais de Aécio em um crime são gritantes, o Estado Democrático de Direito tem que prevalecer sempre. A Constituição precisa prevalecer sempre. O voto popular precisa prevalecer sempre. Só quem tem voto pode afastar do cargo quem tem voto.

Aécio pode ter decepcionado mais de 50 milhões que confiaram e depositaram voto nele na última eleição presidencial, mas depuração política tem que ser no voto. O eleitor precisa aprender a votar melhor. De tanto levar pancada, uma hora aprende. E os senadores não decidiram cancelar o processo contra Aécio. Não acredito em “purificação” na política, nas bravatas de procuradores boquirrotos ou deposito em uma operação policial (ou nos militares) a salvação da pátria.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

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