Privilégios de corporações, a saúva do presente

A polêmica dos últimos dias é a farra do auxílio-moradia. Começou com o juiz Marcelo Bretas, chegou no juiz Sérgio Moro, mas atinge milhares de juízes, políticos, enfim servidores públicos que usam esse instrumento que está na lei para turbinar o seu já grande salário. Muitos acima do teto constitucional.

Graças a uma liminar de 2014, do ministro do STF Luiz Fux, abriu-se uma verdadeira cachoeira de auxílios-moradia para todos os magistrados, inclusive sua filha é beneficiária da sua decisão – cadê o pessoal que fica pedindo suspeição do Gilmar Mendes em qualquer processo que cai na mão do ministro?

Auxílio-moradia já é uma é excrecência normalmente. Usar ele para turbinar o salário é uma forma de corrupção você queira ou não, fanboy de juiz. O fato de existir gente calhorda usando o episódio para defender seu “político de estimação” não anula a pouca vergonha de juízes que ganham muito bem receber auxílio-moradia e outros penduricalhos, com o agravante de receber auxílio-moradia mesmo possuindo casa na cidade que está trabalhando.

A cara de pau é tanta que procuradores ainda vem com comparações absurdas e juiz afirmar que o auxílio compensaria o não reajuste do salário desde 2015 (Moro) ou dando resposta irônica no Twitter (Bretas) e não aguentando a forte repercussão negativa saindo da rede social “por um tempo”.

Boa parte do Judiciário é contra a reforma da Previdência, foi contra o teto do gasto do público e contra a reforma trabalhista. Não é por nada nem em defesa dos oprimidos que procuradores, ministros do STF e até juízes de primeira instância vivem tentando desestabilizar o governo de Michel Temer em decisões liminares que contrariam escandalosamente a Constituição e a separação de poderes boicotando as propostas de ajuste fiscal. Essa turma está em uma luta em causa própria e usam as armas que possuem contra quem ousar mexer nos seus privilégios. É a defesa dos privilégios de uma casta poderosa.

Coragem, Cármen Lúcia, ponha o fim do auxílio-moradia de juízes para ser votado já! Aos movimentos de rua: pressão nos congressistas para votar e aprovar a ideia popular e transformada em sugestão 30/2017, com relatoria do senador Randolfe Rodrigues (Rede/AP), que acaba com essa excrescência para todos os servidores públicos.

Dizia-se, no passado, que o Brasil tinha que acabar com a saúva ou a saúva acabava com o Brasil. Hoje, acaba-se com os privilégios de corporações ou os privilégios de corporações que acabam com o Brasil. Se o Brasil realmente está mudando, vamos mudar também alguns costumes e culturas deletérias ao país.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

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