
Na longa entrevista de José Dirceu para Folha, o todo poderoso do PT falou da experiência da prisão, de arrependimento, disse que sua cada vez mais próxima volta para prisão é política e falou de futuro.
Dirceu disse que o PT não pode abrir mão da candidatura de Lula agora ou seria um haraquiri (suicídio) e o partido seria dividido em 3, 4 facções. Lula é elo que une as correntes petistas. Por outro lado, o cacique petista também deixou escapar que Lula dará seu ultimato em 60 dias. Provavelmente, será o anúncio de quem substituirá o ex-presidente na eleição, que esta pessoa, segundo Dirceu, conseguirá 14% a 18% do eleitorado lulista.
Dirceu também deixou nas entrelinhas que o momento é de pegar em armas e só assim para resistir a golpes. Força de expressão para manter a militância ativa ou ele fala em luta armada no seu tempo de guerrilheiro?
Dirceu também disse na entrevista que suspeita que Antonio Palocci possa envolver o sistema financeiro e a TV Globo em uma possível delação premiada.
Zé Dirceu foi o cérebro da eleição de Lula e o plano de poder do PT, ao assumir o partido em meados da década 1990. Dirceu e Lula são os “capos” do PT. Ninguém no partido dá um passo sem consultar um ou outro, quando não os dois. Dirceu é passional, revolucionário, sonhador da revolução via derramamento de sangue. Lula é o oposto: estrategista e conciliador. Suas decisões são sempre pensando em tirar o máximo de vantagem política possível. Não é por acaso que resistiu aos que queriam que ele resistisse e não se entregasse.
Dirceu e Lula comandarão o PT da prisão. Sem Lula, nem Dirceu, o PT se desintegra.