
Ainda me surpreendo com a coragem do Gilmar Mendes. Ministro não tem medo dizer o que pensa e joga verdades na cara de colegas e até da Procuradora-geral da República. Gilmar pegou a bandeira contra o corporativismo e não perde a chance de atacar os abusos praticados por procuradores, de policiais federais e até de juízes.
Muito provavelmente seja mais uma autodefesa, já que Gilmar é o ministro mais impopular da atual composição do STF – talvez da própria história do tribunal – e coleciona inimizades na magistratura. O jurista Modesto Carvalhosa até apresentou um pedido de impeachment de Gilmar, o que o próprio jurista sabe que não vai ser aceito pelo presidente do Senado Federal.
O alvo da vez de Gilmar foi a operação “carne fraca”, uma mega operação deflagrada em março de 2017, que provocou um grande estrago no agronegócio brasileiro que é quem carrega a economia do Brasil praticamente sozinho nos últimos anos. O propósito era investigar se grandes frigoríficos vendiam e exportavam carne com papelão. Fora os inúmeros memes e piadas na internet, a operação provocou um estrago grande na reputação no setor agropecuário brasileiro, na carne brasileira no mundo, provocou perdas de milhões e bilhões.
Mais de um ano depois daquela que foi chamada de a maior operação da Polícia Federal já realizada nada de concreto foi descoberto. Ficou evidente que as ligações grampeadas não passaram de uma grande confusão e mal entendido. Mas muitos pequenos frigoríficos fecharam as portas. Milhares de empregos perdidos. Tudo por uma operação megalomaníaca que se mostrou circense apenas pelo ego de policiais, procuradores e para manchetes bombásticas de jornais.