André Mendonça x Gilmar Mendes

A semana que termina marcou o embate dos ministros André Mendonça e Gilmar Mendes. Gilmar votou para soltar Henrique Vorcaro e Felipe Cansado, pai e primo de Daniel Vorcaro.

Seria o início do preparo da grande pizza do caso Master que apavora autoridades dos três poderes. Mendonça, porém, foi esperto ao levantar o sigilo da parte do processo dos dois investigados mostrando a necessidade de manter a preventiva deles.

Na sessão da segunda turma do STF, Mendonça confrontou Gilmar. Mendonça tem o estilo tranquilo e por ser evangélico é apaziguador, mas precisa ser firme, bater na mesa e até usar métodos heterodoxos (com cuidado para não dá o motivo que querem para anularem tudo) em certos momentos porque está lidando com gente poderosa que não deseja que a investigação tenha continuidade (incluindo a do roubo no INSS).

Sou contra transformar autoridades em heróis por fazer a parte deles. Joaquim Barbosa, Sergio Moro e Alexandre de Moraes foram “canolizados”. Os dois últimos caíram em desgraça por ultrapassarem a linha. Todo cuidado para não repetir o mesmo com Mendonça. Fora isso, foi saboroso assistir a derrota deles.

Governo-STF x Congresso

Pense um ministro do STF ameaçando o Congresso Nacional publicamente. Aconteceu. Sem qualquer pudor, Gilmar Mendes ameaçou o Congresso em mensagem no seu perfil no X.

Se isso não é uma ameaça à democracia, não sei o que seria. O decano do tribunal que tem ministros que se acham deuses do olimpo inimputáveis, defensores e donos da democracia ameaçando a instituição pilar da democracia.

Independente da qualidade duvidosa dos parlamentares brasileiros e as chamadas pautas-bomba, eles têm o direito de legislar e um ministro do STF não pode falar fora dos autos (Gilmar é acostumado a isso) de provável ação que pode vir a julgar e muito menos em tom de ameaça.

O Congresso se vê isolado frente ao consórcio Governo Lula-STF. Em minoria no Parlamento, o Governo recorre à sua bancada no Supremo formada por Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Flavio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Fachin.

Edson Fachin é o atual presidente do tribunal formalmente, mas quem manda de verdade é esse grupo que tem como líder Gilmar Mendes. Fachin é um presidente manipulável, porque é fraco (apelidaram de “Fraquim”).

Nossas instituições precisam passar por um reset urgente. Elas estão disfuncionais e corrompidas.

Gilmar x Janot

Não convide para mesma festa o ministro Gilmar Mendes e o ex-PGR Rodrigo Janot. Ambos se detestam e não escondem a sua ojeriza pelo outro.

Janot já disse que chegou a ir armado ao STF e por pouco não disparou no Gilmar cometendo suicídio depois.

Já o ministro não perde a oportunidade de fazer comentários nada honrosos a um dos seus maiores desafetos (a lista é longa).

A seguir algumas vezes que Gilmar falou publicamente de Janot.

O poderoso Gilmar Mendes

A nova prisão preventiva do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e seus cúmplices está sendo votada no plenário virtual do STF. Dos 4 ministros a votar, 3 votaram no mesmo dia que a votação foi aberta pela manutenção da decisão do relator André Mendonça a favor da prisão.

Só o ministro Gilmar Mendes não votou e tem até sexta-feira para votar. A demora, dizem, é que ele está elaborando um voto minucioso e será muito duro contra vazamentos.

O “voto minucioso” do Gilmar além de críticas a vazamentos, o que já fez publicamente (é costume do ministro falar fora dos autos), tem como objetivo virar 1 dos votos a favor da prisão e propiciar a soltura do Vorcaro. Tirando ele da prisão, a possibilidade de uma delação premiada que apavora Brasília diminui muito. O outro objetivo é deixar pavimentado a futura anulação de todo processo.

Gilmar é o atual decano do STF. Foi indicado pelo presidente Fernando Henrique em 2002 e tem sua saída para 2030. Nesse tempo todo de tribunal Gilmar brigou com muitos colegas (Joaquim Barbosa, Lewandowski, Fux, Marco Aurélio, Barroso, esse último com brigas marcantes no plenário depois fizeram as pazes nos ataques bolsonaristas à corte)

A característica do ministro Gilmar (fora outras) é não se curvar à imprensa e para a opinião pública. O que seria positivo para um ministro do STF fica ruim por decisões e comportamento dele que vão na contramão da decência pública. A sua nova cruzada é contra CPIs, tomando decisões absurdas que inviabiliza qualquer CPI ou CPMI no futuro.

Gilmar tem muita influência em todas as instituições. A sua saída do STF será comemorada por grande parcela do país, menos nos escritórios de advocacia, principalmente os mais renomados que defendem políticos, banqueiros e empresários.

O “dono” do Brasil

Na mais blindagem escancarada em muito tempo, talvez a maior se juntando na tentativa dos deputados em 2025, Gilmar Mendes proferiu uma decisão monocrática suspendendo a quebra de sigilo dos fundos do resort da família Toffoli.

A CPI do crime organizado tinha votado e aprovado o requerimento para investigar a venda do empreendimento para pessoas próximas de Daniel Vorcaro. Há suspeitas de lavagem de dinheiro.

Não tenho mais o que falar – já foi dito aqui sobre nossas excelências supremas. Apenas que é uma bofetada na cara do brasileiro, uma afronta ao legislativo e o enterro das CPIs.

Decano do STF, o senhor Gilmar Mendes (obrigado, FHC) se acha o dono da República do Brasil.