Gilmar Mendes está irritado com Romeu Zema por fazer críticas contundentes aos ministros do STF, principalmente Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, pediu ao segundo para colocar o ex-governador e pré-candidato a presidente no interminável inquérito das fake news (7 ANOS ABERTO) por uma sátira acusando de ser um ataque ao próprio Gilmar e ao tribunal.
Você pode questionar se o que Zema faz é para ganhar apoio eleitoral, mas é parte do jogo político e ele é POLÍTICO. Se não incorrer em crime – e não vejo, quem deve julgar a prática é o eleitor.
Mas tirando isso, se o ministro entendeu um ataque e viu crime na sátira do Zema, o que acha do vídeo do canal Porta dos Fundos? Não chegou a ele? A esquete do canal foi mais direto do que a sátira do Zema.
A nova prisão preventiva do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e seus cúmplices está sendo votada no plenário virtual do STF. Dos 4 ministros a votar, 3 votaram no mesmo dia que a votação foi aberta pela manutenção da decisão do relator André Mendonça a favor da prisão.
Só o ministro Gilmar Mendes não votou e tem até sexta-feira para votar. A demora, dizem, é que ele está elaborando um voto minucioso e será muito duro contra vazamentos.
O “voto minucioso” do Gilmar além de críticas a vazamentos, o que já fez publicamente (é costume do ministro falar fora dos autos), tem como objetivo virar 1 dos votos a favor da prisão e propiciar a soltura do Vorcaro. Tirando ele da prisão, a possibilidade de uma delação premiada que apavora Brasília diminui muito. O outro objetivo é deixar pavimentado a futura anulação de todo processo.
Gilmar é o atual decano do STF. Foi indicado pelo presidente Fernando Henrique em 2002 e tem sua saída para 2030. Nesse tempo todo de tribunal Gilmar brigou com muitos colegas (Joaquim Barbosa, Lewandowski, Fux, Marco Aurélio, Barroso, esse último com brigas marcantes no plenário depois fizeram as pazes nos ataques bolsonaristas à corte)
A característica do ministro Gilmar (fora outras) é não se curvar à imprensa e para a opinião pública. O que seria positivo para um ministro do STF fica ruim por decisões e comportamento dele que vão na contramão da decência pública. A sua nova cruzada é contra CPIs, tomando decisões absurdas que inviabiliza qualquer CPI ou CPMI no futuro.
Gilmar tem muita influência em todas as instituições. A sua saída do STF será comemorada por grande parcela do país, menos nos escritórios de advocacia, principalmente os mais renomados que defendem políticos, banqueiros e empresários.
Na mais blindagem escancarada em muito tempo, talvez a maior se juntando na tentativa dos deputados em 2025, Gilmar Mendes proferiu uma decisão monocrática suspendendo a quebra de sigilo dos fundos do resort da família Toffoli.
A CPI do crime organizado tinha votado e aprovado o requerimento para investigar a venda do empreendimento para pessoas próximas de Daniel Vorcaro. Há suspeitas de lavagem de dinheiro.
Não tenho mais o que falar – já foi dito aqui sobre nossas excelências supremas. Apenas que é uma bofetada na cara do brasileiro, uma afronta ao legislativo e o enterro das CPIs.
Decano do STF, o senhor Gilmar Mendes (obrigado, FHC) se acha o dono da República do Brasil.
O ministro Gilmar Mendes jogou um balde de água fria nos planos de bolsonaristas de tentar formar uma bancada robusta no Senado em 2026 que possibilite avançar com processos de impeachment contra ministros do STF.
Atual decano do tribunal, Gilmar é o relator de uma ação que questiona a lei que regulamenta os crimes de responsabilidade contra o presidente da República, ministros de Estado e ministros de cortes superiores.
A lei é de 1950 e foi recepcionada pela Constituição de 1988 até o Congresso Nacional legislar uma nova lei sobre o tema, o que não aconteceu. O ministro declarou inconstitucional vários artigos da lei de 1950, determinando que só a PGR pode apresentar pedido de impeachment contra ministros do STF e para afastar é preciso quórum qualificado. Mais combustível na crise entre STF e Congresso.
Mas a decisão do ministro Gilmar está correta. É melhor resolver logo isso. E não adianta reclamar de intromissão no legislativo quando há flagrante omissão de não regulamentar o tema (e muitos outros…). Não gostou? Faça uma nova lei assim como determinou o constituinte.
Os bolsonaristas estão apostando mais na eleição para o Senado do que para presidente no objetivo de não reequilibrar os poderes como alguns alegam, mas para vingança e até ter o tribunal em suas mãos, desejo do centrão que tem dezenas ou centenas de políticos, inclusive os líderes, com problemas em relação a “malfeitos” com emendas parlamentares, PCC, Banco Master…
Impeachment não pode ser usado para vingança pessoal e política por não gostar de decisões do tribunal ou para controlar o STF.