Bolha

Liberal que vive na sua bolha desconhece como vive o povo dos rincões

Brasil está acéfalo de poder e à deriva. O presidente perdeu a autoridade, já tinha perdido apoio no parlamento. A paralisação dos caminhoneiros saiu do controle. O governo negociou com quem não representa os caminhoneiros. Temer deu ultimato e ficou desmoralizado ainda mais. Oportunistas tentam jogar o caos só na conta do Pedro Parente e do “golpe” que afastou Dilma Rousseff, fingindo que a gestão dela levou a empresa para o buraco com uma política irresponsável e criminosa.

Na outra ponta temos liberais de quermesse que não conhecem a realidade de um país continental, vivem numa bolha e pensam que o Estado mínimo é a solução para todos os problemas. Não conhecem lugares que não se sustentam sem o Estado. Também temos a versão do “governismo doente” a favor de um governo com 7% de aprovação popular, que tudo é armação para um golpe.

Alguns liberais brasileiros são tarados por lucro e preferem pagar 5 reais na gasolina, além de ignorarem que pessoas passaram a cozinhar em fogo a lenha/carvão pelo preço impagável do botijão de gás. A Petrobras (que não deve mirar só o lucro de seus acionistas) é uma empresa de sociedade mista e a política de Pedro Parente é voltada para quem não precisa do Estado.

Enquanto for estatal e deter o monopólio do setor energético, a Petrobras não pode só pensar como uma empresa privada e deixar os preços dos combustíveis a bel prazer do inconstante dólar e do cada vez mais instável barril do petróleo.

Defensores da tese que o “mercado” tudo resolve reclamam de políticos oportunistas com discurso populista. Todo político faz discurso para o povo independente da coloração ideológica. Políticos não podem virar as costas para os desejos da população. O bom político e gestor público são aqueles que sabem dosar o interesse do povo/eleitor com o interesse público. Ou seja, não comprometer as finanças públicas sem fechar os olhos para o anseio popular. Quem acha o contrário é quem não gosta e entende de política, que acha que governos só devem olhar apenas para o “mercado”.

Talvez tenha sido o maior erro de nascença do governo do presidente Michel Temer. Como o governo nasceu não de uma eleição e sim fruto de um impeachment, com forte apoio do empresariado e promessas de reformas que agradaria o “mercado”, a direção da política econômica – e a política na Petrobras está inserida – guinou total só para um lado gerando forte impopularidade contra o presidente.

A reforma trabalhista é um exemplo. O governo enviou uma reforma enxuta ao Congresso Nacional discutida com sindicatos, só que o patronal redigiu uma ampla reforma que mexeria com centenas de artigos da CLT e o relator Rogério Marinho (PSDB/RN) foi apenas o “testa de ferro” rasgando a reforma proposta do governo. E o governo não reclamou da descaracterização do projeto inicial.

O estado não pode ser paquidérmico. Mas o Estado precisa existir e ter mecanismos para servir quem precisa dele. Administrar um governo como se fosse uma empresa privada só mesmo na cabeça de individualistas ególatras e liberal que vive na sua bolha que desconhece como vive o povo dos rincões.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

2 comentários em “Bolha”

  1. Achei interessante a abordagem. Realmente estamos à deriva em termos de liderança e perspectiva.

    Enquanto economista, no entanto, discordo das inferências acerca da Petrobras (principalmente do argumento que abraça a dona de casa – que é sem dúvidas a maior prejudicada de uma política de preços intervencionista, felizmente suspendida pela gestão atual, na minha opinião) e da pejorativização do termo “mercado”, que considero bem vazia.

    Concordo sobre o tamanho do Estado precisar ser um meio termo (que combine uma razoável eficiência com a provisão mínima de bens públicos, pois país pobre e constituição garantista), mas tenho um pouco de ressalvas quanto a esse tipo de caracterização – “Mercado/Estado como culpados de tudo”. Não acho que seja por aí.

    De toda forma, gosto também do ponto contrário a quem acha que o Estado é uma empresa privada (ie Partido Novo, por exemplo). É uma visão bem limitada esta, que você critica bem. Abs

  2. Concordo integralmente com o texto. Não acho que a resposta esteja nem no controle excessivo do governo Dilma e nem na flutuação imposta pelo mercado. Trata-se de um setor estratégico, de interesse nacional, e, portanto, deve sofrer com algum nível de interferência estatal.

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