Bolsonaro “ame-o ou deixe-o”

O grande ativo de Jair Bolsonaro é sua sinceridade e falar o que o cidadão médio quer ouvir, mesmo que em muitos casos não passe de populismo

Jair Bolsonaro, finalmente, ficou cara a cara com jornalistas da TV Globo News. O presidenciável foi o 5º presidencial de uma série de entrevistas. Antes, Alvaro Dias (podemos), Marina Silva (Rede), Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (PSDB). Como não poderia deixar de ser, foi a mais quente e polêmica.

Nos primeiros blocos os jornalistas não apertaram muito o candidato. Nos últimos é que a temperatura esquentou e houve momentos ríspidos. Gérson Camarotti foi o jornalista que mais deixou Bolsonaro visivelmente irritado na história do auxílio-moradia tendo casa em Brasília e com Andreia Sadi na questão da diferença de salário entre homem e mulher e a lei do “feminicídio”.

Diferente dos jornalistas do programa Roda Viva, até pela entrevista está fresca na memória, os da Globo News tentaram evitar levar a história para o passado. Só no penúltimo bloco é que entraram nessa seara e culminou com uma nota do Grupo Globo lida pela Miriam Leitão respondendo a fala de Bolsonaro sobre o artigo de Roberto Marinho, no final da ditadura militar, defendendo o apoio da empresa ao golpe que derrubou o presidente João Goulart. A nota de última hora lembrou do editorial de 2013 – 10 anos após a morte do patriarca da família Marinho – no mesmo jornal O Globo, na véspera dos 50 anos do golpe de 1964, reconhecendo que o apoio foi “um erro”.

No mais, Bolsonaro pode ter ampliado sua votação que está em torno de 20% nas pesquisas ou desabado. Apesar de ser um canal fechado a Globo News tem grande penetração na população, somando a segunda maior audiência da entrevista no Roda Viva, Bolsonaro nunca teve uma visibilidade tão grande na TV nesta semana, tendo a oportunidade que só vai ter durante a campanha e só nos debates além da cobertura diária dos telejornais televisivos, já que vai ter míseros segundos no horário eleitoral, de mostrar suas propostas e não-propostas.

Diria que o candidato foi aquilo que é normalmente evitando passar a imagem de autoritário. Talvez não tenha funcionado. Talvez tenha funcionado. Uma coisa tenho certeza: quem tem convicção o voto no Bolsonaro reafirmou e quem não tem também ficou com mais certeza que ele é despreparado para o cargo de tamanha importância ainda mais no momento que vivemos. Para quem não é eleitor do deputado capitão reformado do Exército sem descarta-lo das opções, fica a questão levantada no parágrafo acima: dispara pra cima ou desaba nas pesquisas antes mesmo do início da campanha.

A grande vantagem de Bolsonaro é ser como Lula: “gente como a gente”. A grande desvantagem é não ter a mínima ideia não só de economia como gerir um governo, o que ele estrategicamente usa isso a seu favor reconhecendo que não é doutor em economia. O grande ativo de Jair Bolsonaro é sua sinceridade e falar o que o cidadão médio quer ouvir, mesmo que em muitos casos não passe de populismo e exagerando nas palavras.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

2 comentários em “Bolsonaro “ame-o ou deixe-o””

  1. Tudo que sei é que a Globo se humilhou no final, com a Miriam Leitão tentando lacrar com aquele editorial QUE NÃO FOI ESCRITO OU APROVADO PELO ROBERTO MARINHO, FALECIDO VÁRIOS ANOS ANTES. A mulher estava cuspindo fogo. E meus parabéns para o Gabeira, o único que soube se comportar como jornalista, e não como militonto.

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