Recado ao NOVO

O partido é muito Faria Lima, Av. Paulista, Pampulha, Copacabana, sul, precisa criar raízes no norte e nordeste

No primeiro turno de 2018, votei no João Amoêdo (NOVO), mesmo sabendo que não teria chance de ir ao segundo turno, por maior nível de afinidade entre propostas e o que penso para um governo. Mesmo assim, Amoêdo conseguiu um excelente quinto lugar com quase 3 milhões de votos para quem nunca foi candidato e ficando a frente de dinossauros da política como Marina Silva, Alvaro Dias e poucos votos atrás de Geraldo Alckmin.

Tenho divergências do modo de pensar a política do partido, um puritanismo e fanatismo pela Lava Jato, além de não fazer alianças programáticas com outros partidos. O puritanismo cobrou caro e o partido não conseguiu fazer nem 10 deputados federais, tinha uma meta inicial entre 15 a 35. Ainda assim, o partido conseguiu fazer o governador de Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, derrotando PT e PSDB que se alternavam no poder mineiro desde 2003. Com todos os problemas de um estado quebrado, Romeu Zema está com excelente aprovação popular – alvissareiro e torço para chegar no fim do mandato com um legado.

Outro problema que vejo no partido é o liberalismo econômico carregado. O que falta de princípios aos demais partidos sobra no NOVO que chega a ser exagerado. O NOVO é acusado de ser um partido de “riquinhos”, homens brancos que privilegiam os bancos e os empresários. Não é verdade. Só um exemplo, a vereadora Janaína Lima, de São Paulo, vem da periferia e é do partido NOVO. Mas falta mais diversidade étnica e social no partido. O partido é muito Faria Lima, Av. Paulista, Pampulha, Copacabana, sul, precisa criar raízes no norte e nordeste também. Precisa conhecer um país continental tão diversificado e ter um pouco de sensibilidade social para saber que uma política boa para São Paulo não necessariamente é boa para o sertão nordestino ou para a Amazônia, por exemplo.

O partido precisa entender que a política é a arte da negociação, da conversa e do diálogo. Acordos políticos celebrados dentro da lei são feitos para serem cumpridos e essa é a beleza da democracia. Um exemplo é um destaque supressivo do partido que prejudicaria professores na reforma da Previdência.

Tudo bem os deputados honrarem a doutrina partidária de não privilegiar categorias profissionais, mas é preciso saber recuar pela sensibilidade social, que o país não é uma Suíça ou simplesmente aceitando o entendimento suprapartidário para aprovar o texto da reforma que o relator construiu ouvindo oposição, independentes e situação.

O NOVO tem o caminho mais ao centro sem esquecer os seus princípios ou ser o oposto do PSOL e se contentar em ser um partido de gueto. Ou virar “puxadinho” do bolsonarismo.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

Um comentário em “Recado ao NOVO”

  1. Discordo frontalmente da sua análise pelas razões que passo a expor:

    1) O processo eleitoral de 2018 foi tão complexo e marcado por um anti-petismo tão forte que teve como consequência a irracionalidade do tal “17 de cabo a rabo”. Não há dúvidas de que foram muitos os que se elegeram nas costas de Jair Bolsonaro, pelo simples fato de apoiar a sua candidatura ou por ser do mesmo partido do atual presidente. Portanto, é justamente o contrário. Conseguimos a façanha de eleger 8 deputados mesmo enfrentando a tal Onda 17. Hoje, grande parte dos que elegeram deputados do PSL, estão profundamente arrependidos e já perceberam que não há qualquer coesão ideológica e de princípios dentro do partido governista, ao contrário do NOVO, que segue se destacando por sua coerência. O puritanismo é justamente nosso melhor aliado e que nos torna diferente dos demais.

    2) O liberalismo econômico é a base fundamental do NOVO e é justamente na parte econômica que repousam os maiores problemas do país. Duvida? Basta verificar a pauta do Congresso Nacional neste primeiro semestre. A equipe econômica do governo Bolsonaro é extremamente liberal e, por isso, muito alinhada ao pensamento do NOVO. O resultado foi o que se viu: o NOVO votando com o governo na maioria das vezes.

    3) Quem nos chama de partido de “riquinhos” são nossos adversários políticos. Como não conseguem nos vencer no debate de ideias, precisam nos rotular. Porém, tais ilações não resistem a qualquer análise fática mais aprofundada. Temos uma base de filiados sólida e crescente formada majoritariamente por pessoas comuns e não por megaempresários.

    4) Política é arte da negociação e o NOVO tem feito isso de forma exemplar, negociando sem nunca ferir seus valores. Quer um exemplo? O destaque que incluiria estados e munícipios. O NOVO negociou e acabou retirando o destaque, com a promessa de reinclusão no Senado. Quanto ao destaque supressivo, nós não participamos da negociação com o relator e, portanto, estávamos livres para fazê-lo. Recuar por uma suposta “sensibilidade social” seria trair nossos princípios. O NOVO vai fazer o que é certo, não o que é popular ou socialmente aceitável. Estamos lá para quebrar paradigmas e isso inclui ficar isolado em determinadas situações.

    5) Com os dois destaques do 1° turno da reforma da previdência, o destaque do 2° turno e nossa posição firme contra o aumento do fundo eleitoral, estamos provando na prática que o NOVO é diferente (sem falar nas economias nas verbas de gabinete). Votamos a pauta de acordo com as nossas convicções, negociamos dentro daquilo que é negociável (valores e princípios não o são) e jamais seremos um puxadinho do PSL, muito menos um partido radical que prefere a obstrução ao diálogo como o PSOL.

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