Haddad e suas batalhas

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, está prometendo judicializar se o presidente do Congresso devolver a MP da reoneração da folha; governo vetando o cronograma de emendas parlamentares aprovado pelo Congresso na LDO. Este governo não está sabendo lidar com um Congresso autônomo e com viés contrário ao dele.

O presidente Lula (PT) foi eleito sem maioria no parlamento e achava que governaria como nos outros governos seus: na base da troca de cargos. Mas esse Congresso é diferente e não aceita diminuir seu poder em troca de cargos. O governo não pode segurar emendas que são impositivas para ir liberando quando quiser e convém.

Este é um Congresso Nacional de viés conservador e reformista. Claro que aceita negociar cargos em troca de apoio a pautas do governo, mas não se submete a vontades do Executivo. É preciso negociar e gastar muita saliva tantando convencer.

O que Haddad está fazendo ameaçando judicializar uma prerrogativa do Congresso que é devolver uma MP que for flagrantemente inconstitucional e/ou autoritária é prejudicando o governo em outras matérias. E não difere em nada do governo anterior que dizia que não negociaria com o parlamento – depois teve que abrir concessões.

Em outra frente de batalha – essa eu apoio o ministro – Haddad criticou o PT por comemorar resultados bons da economia e criticar a política fiscal do governo. Gleisi Hoffmann e Lindberg Farias defendem uma política fiscal expansionista enquanto Haddad defende déficit fiscal zero em 2024, mas o ministro tenta zerar o déficit pelo lado da receita e nada pelo lado das despesas, cortando gastos supérfluos.

Quem Lula vai ouvir? Por enquanto, o Haddad. Lula tem sensibilidade para escolher o lado que vai render dividendos políticos para ele, mas também já deixou claro que não vai cortar investimentos para chegar ao déficit zero. Ou seja, o presidente não vai abraçar a meta de zerar o déficit como prioritária.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

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