A narrativa de que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, faz uso político do cargo para sabotar a economia e prejudicar o governo do PT cai por terra.
Pesquisa Quaest anota que mais da metade da população acha que o presidente do BC usa critérios técnicos na condução da preservação da moeda brasileira.
Por outro lado, 66% concordam com as críticas do presidente Lula a taxa Selic que está em 10,50%. Mas a maioria da população entende que a culpa não é de Campos Neto.
O povo sabe que os juros são altos porque é o remédio amargo para segurar a inflação. O governo gasta além da conta e não quer que os juros subam.
Para os juros caíram é necessário que as contas públicas estejam saudáveis, o que não se observa agora nem no horizonte. Teve déficit em 2023 e, provavelmente, não vai ter déficit zero prometido pelo ministro da Fazenda Fermando Haddad nem com o prometido corte de gastos.
No passado recente uma condução subserviente do BC ao governo Dilma os juros caíram e a inflação chegou a dois dígitos. Não se baixa os juros por vontade do chefe do Planalto. Para isso é preciso fazer o dever de casa e não se descuidar da rigidez do orçamento.
A autonomia do BC veio em boa hora, mas o mandato de Campos Neto vai terminar em dezembro de 2024 e Lula vai poder indicar um presidente seu.
Não gastar mais do que arrecada é da vontade política e Lula não quer sacrificar o investimento público para fazer superávit. Quer o estado indutor da economia e socorrendo os mais pobres. Mas arrombar as contas públicas acaba no fim por prejudicar a economia e os mais pobres.