Lula pode ter fim político melancólico

Pesquisa Quaest mostra Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente do presidente Lula (PT) em uma disputa de segundo turno confirmando outras pesquisas.

Lula derrete e caminha para se juntar a Jair Bolsonaro como presidentes em exercício que não conseguiram a reeleição. A rejeição ao atual governo é de 52% e 60% não querem a reeleição do atual mandatário. O mau humor com o atual governo não deve mudar até outubro. Se o presidente não agradou boa parte da população em mais de 3 anos, dificilmente vai conseguir em poucos meses.

O cenário da eleição presidencial brasileira é parecido com a chilena, quando a candidata de esquerda venceu o primeiro turno, mas a união dos outros candidatos fez José A. Kast ser eleito com 60% dos votos no segundo turno.

Mesmo assim, a disputa será apertada como a última e Lula pode vencer novamente. Mas os escândalos, a descrença da população nas instituições (principalmente com ministros do STF e o governo os abraça perigosamente), crise econômica agravada por fatos externos tornam a missão muito difícil.

Mais um Messias balança a República

Um fato raro pode provocar colapso institucional

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), caminha para um rompimento total com o governo Lula.

No domingo (30), Alcolumbre soltou uma dura nota negando negociação de cargos e emendas em troca da aprovação de Jorge Messias para o STF, chamando a insinuação de uma grave “ofensa” ao presidente do Congresso e a ele próprio. – Alcolumbre é o presidente do Congresso. E foi além criticando a demora do governo de enviar a mensagem com a indicação acusando o Planalto de interferência em uma prerrigativa do Senado.

Há mais de 100 anos que uma indicação do presidente da República para o Supremo não é rejeitada pelo Senado. Se acontecer, será um ponto de não retorno, uma crise institucional sem precedente em um país que se acostumou com crises institucionais, mas seria a mais grave.

Não vejo Alcolumbre recuando pelo tom da nota e não vejo clima favorável para o Messias conseguir pelo menos 41 votos e virar o novo ministro do STF.

Depois do Jair, mais um Messias sacode as instituições.

PT voltando às origens

PT levou ao ar inserção partidária fazendo a pergunta: “Que país você quer?”.

O partido lista o combate à fome enaltecendo o fato do Brasil sair do mapa da fome no atual governo Lula em comparação com o governo anterior que o país voltou, bateu na PEC da blindagem, levantou a bandeira da isenção no IR para quem ganha até R$ 5 mil e o fim da escala 6×1.

O terceiro mandato de Lula não tinha uma marca, era pautado e na defensiva. A partir do momento que levantou a bandeira da justiça tributária, Lula saiu das cordas e sua popularidade vem subindo fazendo o caminho contrário do início do ano.

PT sabe que a bandeira da defesa da democracia que ajudou a eleger Lula em 2022 pode não ser suficiente em 2026. Mesmo a bandeira da soberania entregue pelo bolsonarismo pode perder fôlego. A estratégia de entrar em pautas populares funcionou e vai ser a aposta para a reeleição.

Governo vai à luta contra o Congresso

Governo Lula (PT) vai esticar a corda com o Congresso Nacional e recorrer ao STF para manter o aumento do IOF. Mais uma vez este governo se socorre ao tribunal depois de não ser atendido pelo parlamento e perdido no voto.

Foi uma derrota acachapante: 383 votos na Câmara e votação simbólica no Senado de tão consenso. A primeira vez em mais de 30 anos que um decreto presidencial é derrubado pelo parlamento e dentro da prerrogativa constitucional.

Inconformados e sem querer mexer na política econômica de impulsionar a economia por meio de gastos públicos – além das regalias – fazendo o ajuste fiscal só pelo lado da receita, Lula e Haddad partem para cima do parlamento. Contam com a ajuda dos ministros do STF, já que a base de sustentação política do governo não é sólida.

Perdem na arena política e buscam uma virada no jogo via judiciário.

Certos e errados

A confusão na comissão de fiscalização da Câmara dos Deputados em que o ministro Fernando Haddad reclamou da ausência dos deputados da oposição (Carlos Jordy e Nikolas Ferreira) depois de falarem e não ficarem para ouvir as respostas dele ofuscou o que começou a confusão e, mais uma vez, o debate de fatos importantes foi para a lata do lixo.

Os deputados Jordy e Nikolas levantaram questões importantes sobre como o governo Lula (PT) faz mau uso dos recursos públicos, atola o país em déficit fiscal, aumenta a dívida pública provocando inflação e obrigando o BC a elevar os juros para segura-la.

Haddad virou “Taxad” e vai carregar para sempre a marca de ministro que só pensa em arrecadar aumentando impostos e criando taxas porque o governo que ele faz parte tem como bandeira o gasto público como princípio. Lula odeia a palavra “corte de gastos” e o mais trágico é que, sem o Haddad, a situação ficaria pior. O atual ministro é uma barreira para a volta da desastrosa política econômica de Dilma/Mantega.

Por outro lado, a resposta de Haddad também é verdadeira. O governo Bolsonaro (PL) conseguiu ter superávit em 2022 muito por conta de artifícios como empurrar o pagamento de precatórios para os anos seguintes, não pagar a compensação aos governadores pela imposição de um teto ao ICMS no preço dos combustíveis para segurar a inflação em ano eleitoral e a venda da Eletrobras.

Não teve um governo no Brasil que conseguiu ou não teve coragem de fazer o que deveria para equilibrar as contas públicas sem artifícios fiscais e o mais fácil que é aumentar impostos a uma população cansada e esgotada de impostos.