
Gilmar Mendes e Flavio Dino revoltados porque o senador Alessandro Vieira (MDB/SE) indiciou o próprio decano, Alexandre Moraes e Dias Toffoli, mais o PGR Paulo Gonet no relatório da CPI do crime organizado. Os ministros reagiram com fúria e comprovaram que quem senta na cadeira do STF passa a se achar intocável, acima dos outros poderes e, óbvio, da população.
Gilmar foi mais longe e com outras palavras deu o ultimato ao seu ex-sócio Gonet (foi sócio do ministro no instituto dele) para denunciar o senador por abuso de autoridade. Não duvido que vão pra cima do relator e dos senadores que votarem a favor do relatório.
Vieira foi inteligente. Como não deixaram a CPI investigar barrando quebras de sigilos e convocações, não prorrogando seu prazo, resolveu indiciar ninguém. Pediu mais investigações sobre o crime organizado e os seus tentáculos nas instituições. Indicou para presidência do Senado indícios contundentes de condutas inadequadas de ministros e omissão do PGR.
Deixou pronto o serviço para a nova legislatura (se o povo eleger senadores sem rabo preso) fazer a limpa no STF e pesquisa Datafolha mostrou que precisa. Para 71%, o STF é importante, óbvio, mas a mesma pesquisa indicou que 75% consideram o mesmo com poder demasiado. No lugar de uma reflexão os ministros se blindam e quando confrontados partem para o ataque com palavras bonitas de democracia, estado de direito. É o garantismo de ocasião para o colarinho branco.