Ciro vs Coppolla e o PL de Holiday

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O esperado encontro de Ciro Gomes com Caio Coppolla aconteceu. Caio é um crítico costumaz de Ciro, que não é conhecido pela temperança e a entrevista do “eterno” presidenciável no Morning Show até transcorria sem grandes polêmicas e estava se saindo bem. Até o “garoto de ouro” da direita brasileira perguntar sobre o processo que o vereador Fernando Holiday (DEM/SP) moveu contra Ciro o acusando de ter cometido racismo, quando o pré-candidato a presidente dava entrevista na mesma Jovem Pan e, sem ser perguntado, disse que o vereador paulistano é “um capitãozinho do mato”. Ciro já foi condenado em duas instâncias a indenizar Holiday em 40 salários mínimos.

Ciro perdeu a tranquilidade e não só reforçou o que disse há um ano como acrescentou nazismo às ofensas ao vereador membro do MBL, ancorando sua crítica (ou ofensa, deixo ao gosto do leitor) em um projeto de lei protocolado por Holiday dificultando o aborto legal na capital paulista.

Ciro usa a carta da liberdade de opinião em sua defesa e também que movimentos negros validam sua crítica ao Holiday. Foi mais longe e comparou o caso com uma feminista criticando o feminismo. Caio rebateu dizendo que discordar de pautas identitárias mesmo pertencendo a um grupo que critica é isonomia. Concordo com Caio – e Ciro, na sua verborragia e sua suposta superioridade de sempre, mandou seu interlocutor “estudar”. Não é por ser negro que Fernando Holiday deve ser obrigado a endossar as pautas do movimento negro. Não é por ser homossexual (confesso) que Holiday deve ser militante da causa. E uma mulher não é obrigada a achar o feminismo lindo e essencial na sua vida.

Sobre o projeto de lei apresentado pelo vereador, Ciro tem razão. O projeto de lei citado é uma aberração mesmo. Não sou favorável ao aborto por princípio, mas dificultar o que prever a lei e do jeito que o Holiday propôs vai de encontro o que o movimento que ele pertence defende: menos intromissão do Estado na vida do indivíduo. Ser contra o aborto e que se amplie a permissão legal não significa dificultar ou até revogar as permissões previstas em lei.

Com o PL 352/2019 Holiday praticamente elimina o aborto legal em São Paulo condicionando alvará judicial, liberando a rede pública de saúde a negar atendimento em casos de aborto e mais grave autoriza internação psiquiatra obrigando a família a ouvir os sinais vitais do feto. É um tipo de tortura legalizada. É um projeto que não passa no filtro da sua constitucionalidade. Ciro perdeu a chance de levantar a questão do obscurantismo que é esse tipo de projeto sem ofender o autor. Mas é pedir muito para Ciro Gomes.

Resposta a Caio Coppolla

O conservador é diametralmente contrário a qualquer ruptura

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Ao declarar apoio as manifestações do dia 26/5, Caio Coppolla apoia a democracia plebiscitária, um instrumento do autoritarismo usado tanto pela direita quanto pela esquerda. Seu comentário (aqui) é uma ode a favor da democracia plebiscitária. Os Parlamentares foram eleitos da mesma forma que o presidente da República, pelo voto popular. Usar o resultado eleitoral para tornar um poder submisso a outro é referendar a tese da qual o Congresso deve ser um mero carimbador das propostas do Planalto.

Caio Coppolla é um jovem que não teve medo de se declarar conservador e cristão ex-ateu. Cheguei a defendê-lo (aqui) de quem estava incomodado por ser voz dissonante do progressismo dominante na grande mídia e o atacava usando dados pessoais e sua família. Pena que optou pelo discurso fácil e do adesismo ao governo de turno.

É seu direito emprestar sua imagem e popularidade para as manifestações do dia 26. Como é meu direito achar que não faz parte do conservadorismo embarcar em uma aventura autoritária. O conservador é diametralmente contrário a qualquer ruptura, por mais que as instituições ou a sociedade estejam degradadas. Conservador reformista não deseja destruir a casa, mas reformá-la.

As manifestações do dia 26 nasceram pelos radicais “Vamos invadir o Congresso” e “Fechar o STF”. Poliram para ser a favor do presidente Jair Bolsonaro e contra o “centrão”. Incrementaram a reforma da Previdência, o pacote anticrime, a MP da reestruturação ministerial. Mas seu vício de origem é insanável. Mesmo com esse polimento, essas manifestações trazem o autoritarismo de usar a massa popular usada pelo Hugo Chávez e o chavismo, que Coppolla tanto critica – com justa causa -, e levou a Venezuela ao drama político, social e humanitário pelas mãos do ditador Nicolas Maduro.

Quem não aderiu a estas manifestações, além de exercer o seu direito igualmente de quem aderiu, no futuro vai ter a consciência e mãos limpas. A consciência de não ter colaborado para o aprofundamento da crise institucional.

Ataques a Caio Coppolla é uma reação de quem está perdendo o monopólio

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Um jovem comentarista da rádio paulista Jovem Pan, uma grata revelação no meio do jornalismo sem ser jornalista, está incomodando muita gente que não aceita opiniões que furem a bolha progressista de esquerda impregnada na mídia. Nome dele é Caio Coppolla, ou Caio de Arruda Miranda Coppolla, que com seus comentários sempre embasados em fatos e dados empíricos vem conquistando admiradores e mais admiradores. Consequentemente, quanto mais admiradores do Caio, também aumenta os famosos “haters”.

Mas mais do que os “haters” o que realmente é perigoso são os incomodados pelos comentários diários em uma rádio de grande porte e de grande alcance na população. Por isso, políticos e seus cupinchas partem para os ataques que na maioria das vezes são covardes, rasteiros, inventando ou deturpando informações pessoais para atingir a honra de quem está incomodando.

Henry Bugalho é um pseudo intelectual revoltado com a vitória de Jair Bolsonaro e um crescimento da vertente do liberalismo econômico e do conservadorismo. Passou a atacar influenciadores digitais da “nova direita”, aproveitando o clima de polarização aguda para ganhar likes e fazer seu canal no Youtube crescer. E conseguiu ganhar notoriedade se aliando a pessoas como Felipe Neto, um arqui-inimigo de Nando Moura, o alvo predileto no início dessa cruzada de Henry Bugalho.

O ataque de Henry Bugalho ao Caio Coppolla foi desprezível. Usando informações postadas pelo perfil “Além das Sombras”, fez insinuações maldosas de que o comentarista estaria a esconder alguma coisa e usando nome falso. Fazendo tabelinha, Henry Bugalho e o perfil “Além das Sombras” colocaram até a mãe do Caio na roda. Só que a acusação que fazem ao Caio Coppolla é tão insignificante como delinquente.

Esses canalhas tentaram associar o Caio a falsificação de documentos mesmo ele tendo Coppolla na sua certidão que carrega pela sua avó italiana e tem o direito de escolher qual dos sobrenomes vai usar ou até criar um nome artístico. Após uma nota de esclarecimento que Caio fez em tom de desabafo, Henry Bugalho cinicamente fez um vídeo com um título pegadinha – “Desculpa, Caio Coppolla” – que reforça os ataques ao comentarista.

Mudou a forma, mas no mérito continua risível. Segundo o Bugalho, Caio fugiu da resposta se vitimizando e a crítica é que ele não é imparcial nos comentários por ter uma agência de marketing que trabalhou para candidatos na eleição de 2018 e por ter sido assessor parlamentar. Não sou advogado de Caio Coppolla. Deixarei um trecho de uma entrevista do próprio ao jornalista Léo Dias.

“O problema da mídia em geral é que o ‘mainstream’ sofre de ‘afetação de imparcialidade’ ou seja: você dá importância similar a questões completamente diversas.”

Caio está muito certo no diagnóstico. A maioria da grande imprensa usa a imparcialidade camuflada para equiparar banana com maçã e fazer suas teses ideológicas vencedoras no duelo de narrativas. O problema não é a parcialidade ou imparcialidade de um jornalista, comentarista ou até a simples opinião de uma pessoa comum. Está no modo de como se noticia ou se comenta uma notícia e, nesse quesito, Caio ganhou e continua ganhando popularidade, respeito e simpatia. Ainda falta muito para quebrar o monopólio da esquerda na imprensa, no mundo acadêmico, etc. Mas ter Caio Coppolla com espaço na grande mídia é um alento.