
Vinícius Bocato (@Vezon_)
Realmente é preciso uma visão muito seletiva pra fazer a defesa apaixonada de Dilma, Marina ou Aécio e apontar o dedo para o adversário, tentando demonizá-lo(a). Todos têm pontos positivos, mas também várias facetas que nos desanimam e às vezes dão até ânsia. Mas isso não quer dizer que não podemos tomar partido.
Apenas seria melhor se cada um admitisse que vai votar em candidato X ou Y por causa de sua visão/projeto de Brasil, não porque o adversário “recebe dinheiro dos bancos”, “é conservador(a)” ou tem “alianças promíscuas”. Sabemos que, para além do discurso que encanta os militantes, os três principais candidatos têm mais semelhanças do que diferenças, então é muita hipocrisia apontar o dedo para o adversário sem se olhar no espelho.
Mas eles não agem assim por acaso, por isso quero lembrar que as eleições para o LEGISLATIVO são importantíssimas. De nada adianta um programa de governo progressista se o Congresso continuar com a composição atual.
Um levantamento do Diap mostra que a atual bancada do Congresso tem como destaque 273 parlamentares empresários, 160 ruralistas e 73 da chamada “bancada evangélica”.
Também chama a atenção os mais de 100 parlamentares ligados à comunicação, muitas vezes até proprietários de concessões de televisão e rádio (o que é ilegal). Entre os proprietários diretos e indiretos, temos nomes como Sarney, Collor, Edison Lobão etc. Aliás, preciso ressaltar que o PMDB é figura de destaque na maioria dessas “bancadas temáticas”?
Daí eu me pergunto: como cobrar maiores avanços no meio ambiente ou na reforma agrária com uma bancada ruralista tão grande? Como aprofundar o debate em questões como aborto, maconha e direitos LGBT com bancadas conservadoras e evangélicas tão expressivas? Como debater uma regulamentação mínima dos meios de comunicação com tantos parlamentares não só ligados à comunicação, mas muitas vezes proprietários de concessões públicas?
Querem mesmo uma reforma política? O fim do militarismo na polícia? Propostas que priorizem o transporte público de qualidade? Vamos votar em deputados e senadores que proponham claramente essas pautas. E não só votar, mas cobrar suas promessas no exercício de seus mandatos.
Hoje em dia temos uma facilidade muito maior de contato e não são poucos os parlamentares que respondem mensagens pessoalmente via redes sociais. Se não for o caso, pelo menos o contato de suas equipes são facilmente localizáveis.
Em suma: ao meu ver, é importante decidir o partido que vai comandar o país. No entanto, mudanças mais profundas no Brasil passam mais pela composição do Congresso e a cobrança dos parlamentares do que pela presença de Dilma, Marina ou Aécio no Palácio do Planalto.
