Presidente da Monarquia?

De República, só o nome porque olha, a cabeça ainda vive na Monarquia

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Isadora Monteiro

Não sei qual foi a base que o Estadão tomou como medida para esta pesquisa, mas a impressão que tenho é que o senso comum não sabe a diferença entre as instituições para julgá-las entre si. Pior: não as conhece e, obviamente, não se confia no que não se conhece.

E aí o que é exatamente confiar numa instituição? Pagar impostos e a instituição que se vire porque, oras, eu tô pagando? A gente vive numa esfera de poderes representativos que nos representam, INCLUSIVE, na corrupção. Inclusive na inércia.

Eu voto em você para que você me represente e eu não me dê ao trabalho nem de te cobrar. É assim que funciona. A queda na popularidade de Dilma começou com o crescimento da inflação, que reflete diretamente no bolso do brasileiro-pagante-de-impostos. Cidadão convertido em consumidor é a lógica do sistema capitalista, mas enfim, este é outro papo, divago. Terra chamando.

Dilma teve 56,05% de votos válidos no segundo turno de 2010, o que significa que pesquisas são retratos do momento. E qual é o momento do país? De insatisfação popular GENERALIZADA: “Não é pelos 20 centavos”, “Fora, Dilma”, “Deus salve Joaquim Barbosa”, “Sem partidos”, “Direitos Humanos para Humanos Direitos”, “Quem tem Bolsa-Família não pode votar” etc etc etc. Foi um oba-oba revolts tão grande que ninguém sabia de onde vinham os gatilhos, só se sabia que o aumento da passagem no transporte público paulistano era o estopim.

E a culpa de tudo era de quem? Claro, da presidente da República, que manda nessa bagaça toda. De República, só o nome porque olha, a cabeça ainda vive na Monarquia.

Quando Dilma foi vaiada na abertura da Copa das Confederações, retrucaram que “não, não tinham educação porque ela não viabilizou isso”. ELA. O problema da Educação brasileira personificado NELA. É muito preguiçoso tratá-la como bode expiatório ou má-fé mesmo. Dilma levou um projeto que dispõe 100% dos Royalties do Petróleo na Educação. Levou DUAS VEZES ao Congresso, que votou CONTRA. Mas o Gigante não sabia disso.

O Gigante, na verdade, faltou à aula de História e hoje imputa todas as mazelas à presidência da República, seja lá quem estiver ocupando essa cadeira. Quis ser um cara-pintada, mas terminou um meliante confuso. Que confunde lucro da Petrobras com royalties do petróleo, que confunde orçamento para Esporte/Copa com todo o resto, que confunde Executivo com Legislativo e Judiciário, que confunde Guy Fawkes com revolucionário.  Só pra dizer o mínimo.

Na mesma semana, a imprensa comparou a popularidade de Alckmin à de Dilma. Alckmin tem 26% de aprovação, Dilma tem 30% de desaprovação. Para além da comparação descabida entre governos federal e estadual, tem uma breve questão semântica: Alckmin tem 74% de DESAPROVAÇÃO e Dilma tem 70% de aprovação. Mas dentro desta aprovação, há uma série de itens a serem levados em conta: a aprovação do governo como um todo, o jeito de governar, a avaliação pessoal, etc. E, isso sim, pode variar pra mais ou menos. A pesquisa em questão é sobre CONFIANÇA.

Há uma crise no Governo Federal? Há, com toda certeza. Mas acho cedo para avaliar as eleições, para tecer conclusões. Pesquisas, no entanto, sempre vão existir. Sobre popularidade de presidente, então, pelo menos duas vezes por mês, em diversos veículos, com tom de novidade.

Datafolha: Dilma venceria com facilidade no primeiro turno

Datafolha divulgou na última sexta-feira sua segunda rodada de pesquisa de intenção de voto para a Corrida Presidencial em 2014. Segundo o instituto, se a Eleição fosse hoje, a Presidente Dilma Rousseff seria reeleita com facilidade em primeiro turno.

Segundo a pesquisa estimulada, onde uma lista de candidatos é apresentada ao eleitor, a petista aparece com 58%, seguida por Marina Silva, da recém-fundada Rede e por Aécio Neves, do PSDB, que encontra-se empatado tecnicamente, no limite da margem de erro, com o Governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB.

Um dado interessante da pesquisa, realizada a mais de um ano e meio da votação, é o baixo índice de eleitores indecisos. Segundo a pesquisa, apenas 3% dos entrevistados ainda não sabem em quem votar.

Confira os números, que tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos:

PESQUISA DATAFOLHA – PRESIDENTE DA REPÚBLICA – 1º TURNO (ESTIMULADA)

 

Dilma Rousseff (PT) – 58%

Marina Silva (Rede) – 16%

Aécio Neves (PSDB) – 10%

Eduardo Campos (PSB) – 6%

Brancos/Nulos – 6%

Indecisos – 3%

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A partir desses números, o blog calculou o percentual em votos válidos, que é o modo como o TSE promulga o resultado oficial das Eleições, excluindo votos brancos, nulos ou abstenções. Para isso, sempre bom lembrar, basta concluir quantos eleitores declararam voto em algum dos quatro candidatos descobrindo o percentual de cada um de acordo com o total, excluído brancos, nulos e indecisos.

Por exemplo: se foram 5000 entrevistados e 2000 declararam voto em X, são 40% dos votos totais. Se 1000 declararam voto branco, nulo ou ainda não sabiam em quem votar, temos apenas 4000 votos válidos e, consequentemente, X tem 50% nesse levantamento.

Lembrando sempre que, para um candidato ser eleito em primeiro turno, é preciso ter metade dos votos mais um.

Agora sim, eis os números.

PESQUISA DATAFOLHA – PRESIDENTE DA REPÚBLICA – 1º TURNO (VOTOS VÁLIDOS)

 

Dilma Rousseff (PT) – 64%

Marina Silva (Rede) – 18%

Aécio Neves (PSDB) – 11%

Eduardo Campos (PSB) – 7%

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Pode-se concluir, portanto, que, hoje, Dilma não teria a menor dificuldade para se reeleger em primeiro turno. Na primeira pesquisa divulgada pelo Datafolha, a Presidente aparecia com 54% dos votos totais (61% dos válidos) nesse cenário de candidatos, agora concretizado pelo instituto, que entrevistou 2653 pessoas entre os dias 20 e 21 de março.

Já Marina Silva, perdeu 2% – tanto em totais, quanto em válidos -, coincidentemente no período em que fundou seu novo partido, a Rede. Aécio Neves também teve uma leve queda, enquanto Eduardo Campos, cujo nome tem crescido como provável candidato, ganhou apenas 2%.

Para conferir os primeiros números de Ibope e Datafolha para a Presidência, publicados aqui no blog no último mês de dezembro, clique aqui.

COMPARANDO CRIADOR E CRIATURA

Foto: Folhapress

Aloisio Villar

De vez em quando alguém gosta de comparar os governos Lula e Dilma, até pesquisa presidencial já fizeram com os dois nomes em pauta.

O PT gela quando alguém faz essa comparação e logo corre pra dizer que é idiota já que nunca se enfrentariam. Até lançaram o slogan “Lula é Dilma e Dilma é Lula”.

Sim. Até agora vem sendo assim e acredito que continue. Mas ora bolas caros petistas. Nós temos sim o direito e o dever de comparar até porque antes deles serem membros do PT são nossos presidentes e temos que analisar pra qual rumo está indo nosso país até pra saber se vale a pena continuar nesse rumo.

Acho que um governo complementou o outro. Soube aproveitar as qualidades do anterior e aprimorou. Digo mais. Isso começou no governo Collor e a abertura para importações.

Mas vamos lá. Lula é Dilma e Dilma é Lula sim, mas só até a página 3. Devagar com o andor que o santo é de barro.

Pra começar Lula é político e Dilma é uma técnica. Por ser um político Lula é mais articulador e fez mais conchavos. Por fazer esses conchavos Lula esteve mais vulnerável a situações como do “Mensalão”. Dilma não me aparece ter muita paciência para o jogo político.

Lula era o “pai dos pobres”. Governo voltado para o social que às vezes botava o pezinho no populismo assim como botamos na água pra ver se estava gelada. Mas é um democrata então não parece em nada em alguns atos com companheiros da América Latina como o finado Hugo Chávez.

O governo Lula juntou sob seu manto dois esfomeados. O PMDB e o próprio PT que ali conhecia as maravilhas do poder. Juntando isso a alguns elementos de suas frentes, fora de outros partidos também esfomeados deu na grande lambança denunciada por Roberto Jefferson.

Lula parecia mais “condescendente” com a corrupção. Quando aparecia algum caso ele colocava óculos escuros, sentava-se à frente de um piano e virava Stevie Wonder cantando “I just called to say I love you”. Nada enxergava, nada sabia. “O quê? Tem gente minha acusada de corrupção? Se eu sei de algo? Não sei, pergunta lá no posto Ypiranga”.

Dilma não é assim. O modo que nossa presidenta tratou Ricardo Teixeira, por exemplo, já mostra que ela não é de alianças com quem não presta. Dilma asfixiou RT de uma forma que ele não teve escapatória senão renunciar. Mesma coisa faz com a FIFA não abrindo tudo para o que eles querem. Lula nunca faria isso.

Lula é político, Dilma é guerrilheira e mãe então sabe ser dura e a hora de dizer não.

Por Dilma ser mulher e mãe casos como o de Santa Maria, onde ela foi até o local e chorou, nos tocam mais, a gente vê sinceridade nela.

Dessa forma parece que Dilma é melhor que Lula né? Calma que uma presidência da República engloba muito mais que isso.

Lula não sairia com a popularidade que saiu apenas sorrindo e falando umas coisas que o povo gosta de ouvir. Foi o governo que mais fez pelo social. Elevou a classe C ao paraíso e aos crediários das Casas Bahia e Ricardo Eletro. Mas nada disso adiantaria se não tivesse gerado empregos para que as pessoas pudessem comprar.

Não adiantaria se não investisse em educação. Fez o Pró Uni como lançou o “bolsa família”. Porque sim, precisamos ensinar a pescar, mas enquanto a pessoa aprende tem que receber o peixe pra não morrer de fome.

Enfrentou algumas crises mundiais e tirou de letra. Ainda debochou chamando de “marolinha” e a economia cresceu. Ponto para Lula.

Com Dilma a renda cresceu. Segundo últimas pesquisas duas vezes mais que no governo Lula, mas como eu já disse Dilma pegou em um momento bom, de um governo que já fazia crescer e essa era a tendência.

O problema é que mesmo a renda crescendo a economia dá sinais de desgaste. Mesmo com o emprego continuando a crescer no governo Dilma o PIB anda crescendo menos que a torcida do Botafogo, a inflação algumas vezes mostrou suas garras e a indústria recuou com os investimentos diminuindo.

Por enquanto tudo vai bem, mas é um ciclo vicioso. Se as industrias realmente retraírem vão empregar menos, empregando menos teremos menos compras e as industrias vão investir menos. Dilma passa pelo drama do Tostines. Os mais velhos entenderão.

E há de ter cuidado com essas aparições da inflação. Inflação é como o alcoolismo. Você mantém sob controle, mas não tem cura. Só nós com mais de trinta anos sabemos o drama que era a época da hiper inflação e se a economia sucumbir não tem lado social, bolsa família ou austeridade política que dê jeito.

O que penso dos dois governos? Que os petistas estão meio certos. Lula não é Dilma e Dilma não é Lula. Mas Lula pensa como Dilma e Dilma pensa como Lula. Governos parecidos, com os mesmos propósitos onde as diferenças pra mim estão nos detalhes da personalidade de cada um, na vantagem que Dilma tem em pegar um Brasil em alta com Lula e nos problemas econômicos que Dilma terá que superar.

E mesmo com o que disse acima acho que ela se sairá bem. O PT enfrenta o desgaste de dez anos de poder, normal, mas saberá se sair bem dessa principalmente por dois motivos. A vida dos mais pobres ter melhorado e eles não esquecerão isso e a oposição ter a habilidade e a competência do Frajola tentando pegar o piu piu.

Dilma completa Lula. A criatura segue os passos do criador.

PS. Uma coisa que Dilma está aprendendo com Lula é a oratória. Ela fez um pronunciamento na TV e foi muito bem. Falou do dia internacional da mulher e do fim do imposto federal sobre a cesta básica.

Tendo boa oratória ela se sai melhor que o ex-presidente porque sendo mulher e falando como mãe atinge em cheio a população.

Dilma está aprendendo e continuando assim supera o criador.