Aécio e Campos sobem, Dilma é a mais rejeitada e Lula “o mais preparado para mudanças”, diz nova pesquisa Datafolha

A nova pesquisa de intenções de voto para a corrida presidencial 2014 divulgada na manhã de sexta-feira (09) mostra que continua o crescimento dos candidatos de oposição – Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB). O candidato do PSC, Pr. Everaldo Pereira, subiu de 2% para 3% nesta pesquisa em relação à pesquisa anterior e continua sendo o melhor entre os candidatos dos partidos pequenos.

Dois pontos desta pesquisa chamam bastante atenção. Um em especial é preocupante para Dilma e o PT. Ela é a candidata com mais rejeição: 35%, contra 33% de Eduardo Campos, e 31% de Aécio Neves. Lula só tem 17% de rejeição. A rejeição de Dilma é o dobro da rejeição de Lula. Outro ponto que chama atenção também envolve o ex-presidente, Lula é quem “está mais preparado para fazer mudanças no Brasil” para 38% dos entrevistados. Como foi dito aqui, esses números podem aumentar o barulho do movimento “Volta, Lula”.

O anuncio (aumento de 10% no programa Bolsa Família, correção da tabela do IR e a garantia da política de valorização do salário mínimo) feito em pronunciamento na véspera do Dia do Trabalho pela presidente – que segundo a oposição usou a cadeia de rádio e TV para fazer propaganda eleitoral antecipada e pediu ao TSE e ao Ministério Público Federal que investiguem Dilma por improbidade administrativa – não fez o efeito esperado na população.

Aconselhada pelo marqueteiro João Santana, Dilma resolveu subir o tom em pronunciamentos e entrevistas contra a oposição. Entrando de vez na campanha pela reeleição, garantiu que será candidata mesmo sem apoio da base aliada. Isso fez o PT antecipar o lançamento de seu nome à reeleição, o que só seria feito na convenção do partido em junho.

Apesar da desidratação nos números gerais, Dilma ainda vence com tranquilidade no Norte/Nordeste, 53% e 52%. O pior resultado da petista é no Sul, 29%. Aécio tem melhor desempenho no Sudeste, 27%. Pior resultado do tucano é no Norte/Nordeste, 13% e 12%. Eduardo Campos tem melhor resultado no Nordeste, 16%, e, 15%, no Centro-Oeste. Seu pior resultado é no Sudeste, 7%.

As chances de reeleição de Dilma no primeiro turno foram reduzidas para quase zero. Agora o que resta para o PT e a coordenação de campanha da presidente é tentar garantir esses 40% e esperar Aécio Neves ou Eduardo Campos/Marina Silva para um segundo turno que promete ser mais disputado que o segundo turno de 2010 entre Dilma Rousseff e José Serra.

Pesquisa presidencial: Aécio Neves passa dos 20%

Pesquisa Sensus realizada entre os dias 22 e 25 de abril em parceria com a revista IstoÉ mostra Aécio Neves com 23,7% de intenções de voto. A presidente Dilma Rousseff (PT) tem 35%; Aécio (PSDB), 23,7%; Eduardo Campos (PSB), 11%.

Finalmente a candidatura do Senador mineiro Aécio Neves decolou e passou dos 20% nas pesquisas de intenções de voto. Datafolha e Ibope já mostraram esse avanço nas suas últimas pesquisas divulgadas, mas uma subida muito tímida. Aquelas pesquisas mostravam que o povo não estava satisfeito com Dilma Rousseff e seu governo, mas não queria os candidatos de oposição ou não os conheciam ainda.

O eleitor começou a se inteirar um pouco mais dos candidatos, mas só depois da Copa do Mundo é que ele vai conhecer os candidatos pra valer. As próximas pesquisas do Ibope e do Datafolha confirmarão ou não essa subida de Aécio. E qual o tamanho do impacto do pacote anunciado pela presidente no pronunciamento pelo Dia do Trabalhador na população – aumento de 10% no programa Bolsa Família, correção na tabela do IR e continuação da valorização do salário mínimo.

Se os resultados das próximas pesquisas dos dois principais Institutos (Ibope e Datafolha) não forem favoráveis a presidente Dilma, o movimento “Volta, Lula” deve continuar e até ficar mais barulhento.

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Dupla café com leite não ameaça Dilma

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Fábio Piperno

A nova pesquisa Ibope sobre a corrida presidencial parece as anteriores. Mas não é. No cenário mais provável, aquele em que tem como concorrentes Aécio Neves (PSDB), Eduardo Campos (PSB) e uma profusão de nanicos, Dilma resolveria fácil a parada se a eleição fosse agora. A notícia é péssima para a oposição e de relativo conforto para o Planalto.

Faltam seis meses e meio para o pleito, tempo suficiente para vitórias históricas. O problema para os adversários da presidente é que eles já ameaçaram mais do agora. Dilma não se move nas pesquisas. Há quem diga que bateu no teto. Ocorre que seus índices também não cedem, Aecio não sai do lugar e só Campos oscilou. Para baixo.

O cenário fica ainda mais grave para a oposição porque deve ser considerado que o intervalo entre os dois últimos levantamentos foi um período de adversidades para a presidente. Foi a fase da divulgação do pibinho de 2012, de notícias ruins na Petrobras, da deserção de uma médica cubana e de cizânia na base aliada. E nem esse redemoinho de ventos desfavoráveis foi capaz de varrer os altos índices de Dilma nas pesquisas.

Claro que os críticos argumentarão, e com alguma razão, que ela se mantém por cima, mas sem curva de alta. É verdade. Só que também é fato que a bola quicou no campo de ataque da oposição sem que ninguém conseguisse chutar para o gol. Fica a sensação de que, se não aproveitou a maré ruim para a presidente, o bloco adversário tende a ficar desnorteado no momento em que Dilma tenha boas notícias a oferecer.

Outro indicador que merece atenção no levantamento do Ibope é a diferença de apenas 3% que separa o onipresente governador pernambucano Eduardo Campos do quase anônimo pastor Everaldo Dias Pereira, o pré-candidato do PSC. Pela primeira vez em uma pesquisa, Campos ficou mais perto do líder entre os nanicos do que de Aécio. Para ele, chega a ser desolador.

Certo mesmo é que políticos e marqueteiros de oposição devem estar quebrando a cabeça para decifrar o enigma de como grudar em Dilma as notícias ruins que o governo e seus aliados têm sido capazes de produzir em escala industrial. Até agora, os opositores não conseguiram capitalizar nenhum desses muitos deslizes.

Por enquanto, Aécio e Campos mais parecem uma dupla café com leite, que só cumpre tabela. Dá até a impressão que esquentam o banco enquanto a oposição aquece os titulares. Que José Serra e Marina Silva não nos ouçam.

Não existe amor em SP?

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Kaio Esteves

Fica um pouco difícil de compreender a real estratégia que o PSDB está adotando para aumentar o potencial político do presidenciável e senador Aécio Neves. Aécio, em agosto do ano passado, iniciou sua agenda política no estado de SP, maior colégio eleitoral do país, mas parece não receber o apoio necessário do governador do Estado e tucano Geraldo Alckmin.

Durante as visitas nas cidades médias do interior do estado, o governador não acompanhou Aécio em sua maioria. Há 20 dias, o governador esteve em Araçatuba e foi recepcionado apenas pelo deputado estadual Dilador Borges e, num evento tucano realizado numa cervejaria da cidade, encontrou-se com Aloysio Nunes e outros membros do partido.

A ausência de Alckmin tem sido alvo de críticas internas de alguns tucanos que apoiam Aécio. Membros do partido afirmam que a montagem paralela de outra estrutura de governo pode ser algo prejudicial ao PSDB há poucos meses das eleições.

Inicialmente, Alckmin preferiu não acompanhar Aécio nos encontros para não se comprometer com José Serra, que ainda pleiteava uma vaga para concorrer à presidência pelo partido. Porém, mesmo após Serra ter desistido de se candidatar, o governador não parece ter feito esforços para engajar apoio ao senador.

Nas visitas de Aécio, a crítica ao atual governo são parte da pauta, naturalmente, além da sequência de argumentos onde o senador cita a desvalorização da Petrobras após o PT assumir o governo federal. Segundo ele, a petrolífera perdeu 55% de seu valor durante o governo Dilma.

Enquanto isso, a aprovação de Dilma manteve os mesmos percentuais de novembro do ano passado, segundo a Datafolha. A preocupação em evitar protestos durante a Copa do Mundo, em junho, e em tentar remendar as feridas que a economia sofreu nos últimos meses têm feito os dias da presidenta mais difíceis.

Ainda assim, mesmo com a queda nas últimas pesquisas, a clara divisão nas intenções de voto entre Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) colocam a presidenta como a favorita em outubro.

Aécio tenta convencer um eleitorado que pouco conhece suas ideias e projetos, enquanto Eduardo Campos aposta no sucesso durante a colheita dos votos dos “marineiros”.

Kaio Esteves é jornalista em Araçatuba. Atua como repórter do jornal O Liberal Regional e é colaborador na Folha de S. Paulo

Datafolha lança dúvidas para todos

Fábio Piperno

Os números não são como as cartas, que não mentem jamais. Eles não. Podem iludir e criar miragens capazes de hipnotizar. A mais recente pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial é em certa medida assim. Por mais exatos que os números possam ser, os resultados apontam mais indefinições e dúvidas, do que oferecem certezas.

Para começar, a presidente Dilma ficou no mesmo lugar onde estava no levantamento anterior, realizado em novembro. No cenário mais provável, manteve os 47% de três meses antes. Pode até se dar ao luxo de comemorar discretamente o fato de que os dois rivais mais diretos somam agora 29%, contra os 30% da outra pesquisa, tendo 90 dias a menos para descontar a diferença.

É bom lembrar que nesse trimestre entre as duas pesquisas a presidente viu-se agarrada a um cardápio repleto de notícias ruins. A inflação cedeu pouco, a produção industrial não reverteu a curva de queda, começaram a pipocar deserções entre os médicos cubanos, o PMDB não deu trégua na refrega por mais espaço no governo, os mensaleiros foram para a cadeia, a balança comercial não reagiu, os prazos de entrega dos estádios da Copa foram para escanteio e os black blocs continuam tirando o sono, para não dizer vida, como a do cinegrafista da TV Bandeirantes.

Mesmo com toda essa sucessão de notícias desfavoráveis, Dilma não desce de um patamar confortável. Se não é suficiente para cantar vitória antecipada – e não é mesmo – a marca acima de 40% é alentadora quando não se tem um rival que já tenha batido nos 20%. A dúvida agora é saber por quanto tempo esse nível de fidelidade resistirá caso a presidente não consiga reverter a maré de eventos negativos.

Para sorte do Planalto, o vice-líder nas pesquisas continua em campo sem empolgar. Aécio Neves começou a pré-campanha empurrado por um latifúndio eleitoral, que é o estado de Minas Gerais. O problema é que não deslanchou fora das Alterosas.

Aécio não passa semana sem visitar cidades importantes do estado de São Paulo. Mas sem as companhias do governador Geraldo Alckmin e do ex-presidenciável José Serra nessas visitas, é pouco mais que um estranho no ninho tucano para o eleitor de São Paulo. Em relação à pesquisa anterior, perdeu dois pontos. Pode parecer pouco. De fato, fica dentro da margem de erro. No entanto, em nenhum outro levantamento apareceu com apenas 5% de vantagem sobre o governador Eduardo Campos. E aí reside o perigo de o tucano ser abatido no meio do caminho.

Para o ex-governador de Minas Gerais, terminar o primeiro turno atrás de Dilma, mas só dela, está dentro do script. O problema é ter a vice-liderança fustigada por Campos, um governador popular, jovem e que tem Marina Silva se aquecendo no banco, pronta para entrar na parada. Sem dúvida, a linha amarela está mais acesa do que nunca no ninho tucano.

Quando Marina começar a aparecer de forma mais ostensiva ao lado de Campos, é mais do que provável que o pernambucano venha a se beneficiar com a transferência dos votos que seriam para a ex-ministra, ainda a vice-líder nas pesquisas sempre que tem o nome mencionado nas simulações. Esse é um handicap inacessível a Aécio, que mais do que nunca precisa das estrelas do PSDB paulista na campanha para compensar o possível efeito Marina.

No confronto com o mineiro, até agora um aliado nas críticas ao governo Dilma, Campos ainda tem o bônus de ter sido um aliado de Lula. O passado como parceiro do petista lhe dá a vantagem da elasticidade do discurso. Pode esticar a corda na oposição a Dilma, ao mesmo tempo em que lembra o eleitor do pedigree de companheiro de todas as horas do popular presidente Lula. O que, convenhamos, não é pouco em uma batalha por uma vaga no segundo turno, que pode ser definida por fotochart.

O desafio de Campos, agora com status de pré-candidato que alcançou preferência na casa dos dois dígitos, é ampliar a colheita de votos entre os marineiros. Os de primeira viagem, mais fiéis, já embarcaram na canoa do governador de Pernambuco. Os que chegaram depois, em busca de um nome distante do mainstream político, ainda oferecem alguma resistência. Mas Campos conta com o carisma de Marina para dobrá-los.

Feitas as contas com base nos números do recente Datafolha, as ponderações entre os três competidores mais destacados ficariam nisso. Só que a pesquisa apontou os primeiros indícios de que um novo nome ameaça fazer alguns estragos. No único cenário em que foi mencionado, o pastor Everaldo Dias Pereira (PSC) já surge com 3%, marca suficiente para desgarrá-lo dos demais nanicos.

Na campanha, tem fé que pode fazer barulho. Ele se assume como candidato “de direita”, algo inédito na história das eleições presidenciais do Brasil e calibra o discurso na direção do eleitorado mais conservador, contra o casamento gay, a liberalização da maconha e o aborto. Para tentar materializar o milagre da multiplicação dos votos, defende o legado do presidente Lula e critica Dilma. É também aliado do pastor Marco Feliciano.

Se tem fôlego para ir muito longe, ainda é impossível saber. Mas não se deve esquecer que o falastrão Enéas começou a carreira eleitoral apenas como um folclórico nanico. A graça acabou quando na eleição presidencial de 1994 amealhou 7,38% dos votos, atrás apenas de FHC e Lula. Se chegar a tanto, Pereira pode ser até mesmo o responsável por um segundo turno. O inferno para Dilma. Coisa que para Aécio e Campos não seria de todo mal.