Datafolha na véspera da eleição, em São Paulo, mostra Bruno Covas (PSDB) com 37% dos votos válidos (excluindo nulos/branco/indecisos). Guilherme Boulos (PSOL) tem 17%; Márcio França, 14%; Celso Russomanno (REP), 13%; Jilmar Tatto (PT) e Arthur do Val (Patriota), 6%.
Pesquisa Ibope mostra dados semelhantes. Bruno Covas, 38%; Guilherme Boulos, 16%; Márcio França, 13%; Celso Russomanno, 13%.
Não é possível descartar uma vitória de Covas já no primeiro turno, o tucano continua subindo e se distanciado dos rivais, mas a disputa é pela segunda vaga no segundo turno que continua imprevisível. Por estas pesquisas, está entre Boulos e França.
Bruno Covas (PSDB) aparece com 32% (votos válidos: 36%) e é líder absoluto na corrida pela prefeitura de São Paulo; Guilherme Boulos (PSOL) ultrapassa Celso Russomanno (REP) – 16% (vv 17%) a 14% (vv 15%) – com Márcio França logo atrás – 12% (vv 13%). Os três estão em empate técnico, mas faltando poucos dias Boulos deve sacramentar sua passagem ao segundo turno, e Covas ainda pode ser reeleito no primeiro turno caso aconteça uma onda de voto útil como na eleição passada com Doria.
Russomanno tentou censurar a pesquisa Datafolha alegando irregularidades e teve êxito na primeira instância eleitoral. A Folha recorreu ao TRE/SP e conseguiu um mandado de segurança para divulgação. Além de desabar nas intenções de voto, repetindo 2012 e 2016, Russomanno viu disparar sua rejeição e superou Joice Hasselmann (PSL) como candidato mais rejeitado pelo eleitor (49%). Explicado o motivo do candidato tentar barrar a divulgação da pesquisa. O papel dele nessa campanha é pra lá de lamentável. É risível e enoja.
No debate de quarta-feira (11) promovido por UOL/Folha, Russomanno acusou Boulos de usar produtora fantasma na campanha e com dinheiro público do fundão eleitoral. Provas? O veículo? O jornalista da acusação? Um blogueiro que foi preso e responde a inquérito no STF por espalhar notícias falsas. Pode até manter votos para se eleger deputado, mas depois dessa campanha Celso Russomanno jogou no lixo sua credibilidade política, o que já não era elogiável.
Boulos está reencarnando a esperança que foi encarnada em Lula até a sua primeira vitória em 2002 e escolheu um slogan forte “virar o jogo”
A campanha de Guilherme Boulos (PSOL) já é vitoriosa mesmo se não passar para o segundo turno. Boulos está imprimindo um estilo que já está colhendo frutos com excelentes resultados nas pesquisas. Também a mensagem que o candidato passa se conecta com o momento mais do que a crise econômica, a precarização do trabalho ou modernização trabalhista. Não é coincidência que o candidato do PSOL está deixando o candidato do PT comendo poeira.
Guilherme Boulos está reconectando a esquerda com os trabalhadores, com a classe média e penetrando até nos bairros ricos. O PT se afastou da base afetando a esquerda e se desgastou com a classe média. Além disso, Boulos está desfazendo a imagem pejorativa de “invasor” de propriedade privada que muita gente, por ignorância ou má-fé, tacha o MTST. Ele não sai invadindo casas, mas imóveis vazios com dívidas com o poder público.
A Constituição fala em função social não para abolir a propriedade privada, mas para balancear com a justiça social. É ultrajante observar dezenas, centenas de imóveis abandonados e milhões de pessoas sem casa, sem a dignidade de um lar. Por ouro lado, poderosos – políticos e empresários – devendo fortunas em IPTU sem ser incomodados. O duplo tratamento é cruel e indigno.
Mais do que recuperando a esquerda, Boulos está reencarnando a esperança que foi encarnada em Lula até a sua primeira vitória em 2002 e escolheu um slogan forte “virar o jogo”, começando pela principal cidade do país. Mas para superar a rejeição em um segundo turno, Boulos e Erundina precisarão calibrar o discurso e propostas em uma cidade historicamente avessa à esquerda mais radical.
Boulos tem alguns segundos de tempo de TV e está compensando sabendo levar sua mensagem na internet. A ironia é que sua passagem para o segundo turno depende do seu antagônico Arthur do Val (Mamãe Falei) capturar parcela do eleitorado do tucano Bruno Covas ou do neobolsonarista Celso Russomanno. Se Arthur desidratar um ou outro e Boulos não ser ultrapassado por Márcio França (PSB), o PSOL pode conquistar o maior feito da sua história que seria disputar o segundo turno da maior cidade do Brasil.
Se fosse fazer uma aposta, apostaria em Bruno Covas contra Márcio França em um segundo turno
Pesquisa para prefeitura de São Paulo mostra cenário embolado entre quatro candidaturas para o início da disputa eleitoral. O atual prefeito Bruno Covas (PSDB) lidera com 16%. Guilherme Boulos (PSOL) é a surpresa dividindo a vice-liderança com Celso Russomanno (Republicanos), respectivamente 12,4% e 12,3%. Ex-governador Márcio França (PSB) aparece com 11,5%.
Existe sim possibilidade real de o PSOL disputar o segundo turno em São Paulo. Boulos vem numa crescente e se firmando como alternativa da esquerda contra Jilmar Tatto (PT) e Orlando Silva (PCdoB), que aparecem respectivamente com 2,1% e 0,8%. Tatto venceu a prévia do partido, mas não empolga nem a militância petista e Lula não parece muito disposto a se engajar na sua candidatura depois de implorar que Fernando Haddad aceitasse ser o candidato.
No lado da direita e centro-direita, esboça um rascunho do que pode ser a chapa do governador paulista João Doria (PSDB) em 2022, com PSDB, Democratas e MDB. O vereador Ricardo Nunes (MDB) será o vice de Covas no lugar do apresentar José Luiz Datena, que, mais uma vez, desistiu na última hora de entrar para política e seria o vice do atual prefeito. E o eterno candidato Celso Russomanno, que não está querendo muito disputar pela terceira vez a prefeitura, mas é estimulado pelo seu partido e pelo grupo do presidente Jair Bolsonaro a entrar na disputa.
A aliança PSB e PDT também é um esboço para a eleição presidencial de 2022. O PDT empresta um quadro para a vice de França, Antonio Neto, e o PSB retribui apoiando Ciro Gomes.
Se fosse fazer uma aposta, apostaria em Bruno Covas contra Márcio França em um segundo turno.
Não vejo o bolsonarismo influenciando como influenciou em 2018 catapultando candidatos apenas por se associar a Bolsonaro. Já Boulos, não o vejo com capilaridade suficiente para ir ao segundo turno. Seus votos devem se concentrar um pedaço na elite progressista paulista e outro pedaço na periferia, mas deve ficar por aí.
Covas e França concentrarão o maior tempo de televisão e ainda é a maior força numa eleição, até pela limitação da campanha de rua nesta campanha atípica pela pandemia. Além disso, o tucano ainda tem a visibilidade de ser o atual prefeito e ganhou em marketing involuntário na sua luta contra um câncer. Enquanto França vai apostar em ser novamente o “antiDoria”, que o fez vencer bem na capital contra o ex-prefeito na disputa pelo governo do estado.