Eleições 2020 – São Paulo: bola de segurança

O paulistano médio optou pela bola de segurança ao reeleger o prefeito Bruno Covas

O paulistano médio optou pela bola de segurança ao reeleger o prefeito Bruno Covas (PSDB). Em um ano de pandemia, entre erros e acertos, pesou mais os acertos. Também pesou a rejeição ao PSOL e ao próprio Guilherme Boulos.

Assim como em 2016, quando o então governador Geraldo Alckmin se sentiu vitorioso e esperançoso para 2018 na eleição de João Doria, a vitória de Covas pode sim ser considerada também de Doria. O ex-vice superou a rejeição do atual governador na capital por ter abandonado a prefeitura para disputar o governo do estado. Além disso, a candidatura de Covas foi o embrião de uma frente de centro mirando 2022.

Obviamente, o resultado de 2018 para Alckmin foi desastroso, mas as eleições 2020 mostraram que o ambiente eleitoral em 2022 parece que será um pouco diferente. De qualquer forma, muita água vai passar por essa ponte até lá e eleição municipal é diferente de eleição geral.

Para a esquerda fica mais uma lição que não se ganha eleição apenas com discurso identitário e ideológico ou com engajamento de artistas e influenciadores. Apesar da Campanha de Boulos não ter tido a marca do radicalismo tradicional do PSOL, o candidato não soube convergir com o campo oposto e atraiu no segundo turno aliados da mesma linha ideológica ou próxima. Mas a votação expressiva na principal cidade do país coloca Guilherme Boulos como uma das lideranças do campo progressista e um forte candidato para as próximas eleições – seja para governador ou prefeito novamente e até mesmo ousar uma nova candidatura presidencial não para ganhar, mas para apagar o horroroso resultado de 2018 e marcar posição.

Covas e Boulos no segundo turno em SP

Guilherme Boulos (PSOL) vai fazer o segundo turno contra o prefeito Bruno Covas (PSDB). Deixou pra trás nomes de peso como o ex-governdor Márcio França (PSB) e o deputado federal, apresentador Celso Russomanno (REP), mesmo com apenas 17 segundos no horário eleitoral e apostando no engajamento das redes sociais.

O PSOL dá um importante passo para tentar romper a hemogemonia petista no campo da esquerda. Ficou muito a frente do candidato do PT. Mesmo que não seja eleito, não é o favorito, Boulos já fez história. Mas, em surpreendendo novamente, dobraria o feito e entregaria ao PSOL a maior cidade do país, a maior da América do Sul e a terceira das Américas.

Mas herdar apenas os votos do PT não adiantaria para Boulos, porque o partido foi nanico nessa eleição. Boulos terá que conversar e convergir com eleitores de França e com eleitores de direita do Russomanno e Arthur “Mamãe Falei”. O candidato está disposto a suavizar propostas para conquistar o voto desses eleitores?

Até aqui, Boulos não foi radical como se espera de um candidato do PSOL, apesar de mostrar convicções em determinados temas caros ao partido, esquerda e ao próprio candidato.

No discurso após confirmada sua passagem para o segundo turno, o candidato deu uma amostra no que deve ser a estratégia que é apostar na alta rejeição do governador João Doria na cidade de São Paulo contra Covas e contra a hegemonia tucana no estado. Só que Boulos terá a barreira da própria rejeição, maior do que a de Covas.

Já Bruno Covas, vai viver um dilema nessa disputa. Para ganhar os votos do campo mais à direita terá que apelar para polarização que sua campanha foge. O arco de aliança que lhe conferiu o maior tempo de televisão é um esboço de uma frente de centro para a candidatura presidencial de Doria ou outro nome em 2022.

Covas não tem o perfil de polarizador e apostou justamente no discurso contra os extremos, o que deve reforçar agora na reta final para colar no adversário a pecha de radical. O que torna o atual prefeito favorito é a tendência dos eleitores de França, Russomanno e Arthur do Val penderem a ele. Vai ser divertido bolsonaristas pedindo voto no vice de Doria para derrotar a esquerda ou votarão no escurinho da urna ou se absterão.

Há as quase 30% de abstenções. Covas e Boulos podem convencer muitos eleitores que não foram votar no primeiro a votar no segundo turno.

São Paulo: Covas no primeiro turno ou contra Boulos ou França

Datafolha na véspera da eleição, em São Paulo, mostra Bruno Covas (PSDB) com 37% dos votos válidos (excluindo nulos/branco/indecisos). Guilherme Boulos (PSOL) tem 17%; Márcio França, 14%; Celso Russomanno (REP), 13%; Jilmar Tatto (PT) e Arthur do Val (Patriota), 6%.

Pesquisa Ibope mostra dados semelhantes. Bruno Covas, 38%; Guilherme Boulos, 16%; Márcio França, 13%; Celso Russomanno, 13%.

Não é possível descartar uma vitória de Covas já no primeiro turno, o tucano continua subindo e se distanciado dos rivais, mas a disputa é pela segunda vaga no segundo turno que continua imprevisível. Por estas pesquisas, está entre Boulos e França.

Cenário para a eleição de São Paulo

Se fosse fazer uma aposta, apostaria em Bruno Covas contra Márcio França em um segundo turno

Pesquisa para prefeitura de São Paulo mostra cenário embolado entre quatro candidaturas para o início da disputa eleitoral. O atual prefeito Bruno Covas (PSDB) lidera com 16%. Guilherme Boulos (PSOL) é a surpresa dividindo a vice-liderança com Celso Russomanno (Republicanos), respectivamente 12,4% e 12,3%. Ex-governador Márcio França (PSB) aparece com 11,5%.

Existe sim possibilidade real de o PSOL disputar o segundo turno em São Paulo. Boulos vem numa crescente e se firmando como alternativa da esquerda contra Jilmar Tatto (PT) e Orlando Silva (PCdoB), que aparecem respectivamente com 2,1% e 0,8%. Tatto venceu a prévia do partido, mas não empolga nem a militância petista e Lula não parece muito disposto a se engajar na sua candidatura depois de implorar que Fernando Haddad aceitasse ser o candidato.

No lado da direita e centro-direita, esboça um rascunho do que pode ser a chapa do governador paulista João Doria (PSDB) em 2022, com PSDB, Democratas e MDB. O vereador Ricardo Nunes (MDB) será o vice de Covas no lugar do apresentar José Luiz Datena, que, mais uma vez, desistiu na última hora de entrar para política e seria o vice do atual prefeito. E o eterno candidato Celso Russomanno, que não está querendo muito disputar pela terceira vez a prefeitura, mas é estimulado pelo seu partido e pelo grupo do presidente Jair Bolsonaro a entrar na disputa.

A aliança PSB e PDT também é um esboço para a eleição presidencial de 2022. O PDT empresta um quadro para a vice de França, Antonio Neto, e o PSB retribui apoiando Ciro Gomes.

Se fosse fazer uma aposta, apostaria em Bruno Covas contra Márcio França em um segundo turno.

Não vejo o bolsonarismo influenciando como influenciou em 2018 catapultando candidatos apenas por se associar a Bolsonaro. Já Boulos, não o vejo com capilaridade suficiente para ir ao segundo turno. Seus votos devem se concentrar um pedaço na elite progressista paulista e outro pedaço na periferia, mas deve ficar por aí.

Covas e França concentrarão o maior tempo de televisão e ainda é a maior força numa eleição, até pela limitação da campanha de rua nesta campanha atípica pela pandemia. Além disso, o tucano ainda tem a visibilidade de ser o atual prefeito e ganhou em marketing involuntário na sua luta contra um câncer. Enquanto França vai apostar em ser novamente o “antiDoria”, que o fez vencer bem na capital contra o ex-prefeito na disputa pelo governo do estado.