O prefeito Ricardo Nunes (MDB) é reeleito em São Paulo. Vice-prefeito que assumiu com a morte do titular Bruno Covas (PSDB), Nunes obteve 3.393.110 votos (59,35%), Guilherme Boulos (PSOL) teve no segundo turno 2.323.901 votos (40,65%).
As pesquisas indicavam vitória de Nunes entre 55% a 57%. O atual prefeito repete quase o mesmo número da eleição de 2020, 0,03% abaixo que o resultado de 4 anos.
Mas a vitória de Nunes em 2024 foi avassaladora ganhando em praticamente quase que em todas as zonas eleitorais da cidade.
No primeiro turno, disse aqui que a passagem de Nunes para o segundo turno foi vitória do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que apostou e foi até o fim com o prefeito. Concretizando a vitória, o mérito não é só dele, Nunes montou uma ampla coligação, uma frente ampla, mas Tarcísio sai dessa eleição como o grande vencedor.
Veremos os próximos passos dele, se vai tentar a reeleição para governador ou voar mais alto e disputar a presidência da República já em 2026, que depende de muitos fatores.
E Guilherme Boulos? O PT não lançou candidato na cidade pela primeira vez para apoiar o candidato do PSOL, com Marta Suplicy de vice que voltou ao PT a pedido de Lula para essa missão. Boulos perdeu novamente no segundo turno, agora para o Ricardo Nunes (MDB), que foi o vice de Bruno Covas na derrota de 2020. Não cresceu de uma eleição para outra. Vai parar ou vai insistir e tentar uma terceira candidatura? Tem que quebrar a sua rejeição.
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Nunes x Boulos: SP vota contra a turma do PSOL
Segunda pesquisa Datafolha no segundo turno de São Paulo mostra Ricardo Nunes (MDB) com 51%; Guilherme Boulos (PSOL), 33%. Nunes recuou 4 pontos em relação com a pesquisa anterior e Boulos não cresceu nem caiu. Ou seja, o candidato do PSOL não conseguiu avançar mesmo usando o caos da energia causado pelo temporal de sexta-feira passada.
A rejeição de Boulos bateu em 56% (-2) e a de Nunes é de 35% (-2). É o principal obstáculo de Boulos: a rejeição. Além de seu passado controverso de “invasor” e pertencer a um partido de extrema esquerda.
A população de São Paulo pode até não estar satisfeita pela administração do atual prefeito, a alta intenção de votos brancos/nulos e abstenção (14%) é um sintoma que os candidatos que passaram para o segundo turno não agradam, mas pensa muito antes de entregar a cidade para a turma do PSOL. PSOL que não elegeu um prefeito em 2024. Em Belém (PA), Edmilson Rodrigues perdeu a reeleição no primeiro turno não fazendo 10% dos votos válidos.
A população de São Paulo (capital e estado) é vacinada para experiências políticas fracassadas que custam caro. Boulos e PSOL transformariam São Paulo em um laboratório da cultura woke.
Nunes x Boulos em SP
Ricardo Nunes (MDB) e Guilherme Boulos (PSOL) passaram ao segundo turno em São Paulo em uma disputa acirrada com Pablo Marçal (PRTB).
Nunes obteve 1.801.139 votos (29,48%), Boulos obteve 1.776.127 votos (29,07%) e Marçal obteve 1.719.274 votos (28,14%).
Uma eleição diferente decidida por diferenças mínimas.
Essa vitória do prefeito Ricardo Nunes pode ser colocada na conta do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que abraçou sua candidatura mesmo desagradando parte do eleitorado de direita. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não quis entrar de cabeça na campanha de São Paulo justamente com medo dessa parte da população que abraçou Marçal.
Veremos agora no segundo turno que ele disse que iria com qualquer um contra Boulos.
Segundo turno é uma nova eleição, zera tudo. É tempo igual para os dois candidatos na TV e rádio e novos debates.
Lula cometeu crime eleitoral e Boulos foi passivo no crime
Lula sabe muito bem que não pode pedir voto em pré-campanha. O que ele fez foi crime eleitoral e a justiça eleitoral precisa punir exemplarmente. Vai ficar feio não punir ou se vier uma punição branda.
A campanha de Boulos dizer que “não sabia” que o presidente faria isso não cola. O pré-candidato deveria ter feito um pedido a Lula para ele não fazer o que fez. Cadê os assessores do presidente? Tudo bem que não é muito de obedecer, Lula faz cumprir suas ordens, mas alguém precisava avisar que não pode pedir voto agora.
Mesmo que a justiça eleitoral puna a campanha de Boulos e Lula com multa vai ficar barato. O que Lula queria ele provavelmente conseguiu que foi colar no candidato sua imagem. O que o Lula fez foi grave porque desequilibra a disputa. Não pode o presidente da República pedir voto para um candidato fora do período eleitoral.
Pessoalmente acho chatas e ridículas essas leis que engessam a corrida eleitoral no Brasil, mas é lei e todos precisam seguir elas. Ninguém pode estar acima da lei.
A comparação é inevitável. O TSE tornou o ex-presidente Jair Bolsonaro inelegível com o argumento de campanha antecipada e abuso de poder econômico ao usar estruturas de Estado para a fatídica reunião com embaixadores para fazer críticas e ilações ao sistema eleitoral brasileiro. O que o presidente Lula fez não foi muito diferente. O que Bolsonaro fez foi de uma gravidade. Lula também não poderia subir no palanque pelo dia do trabalho e fazer campanha antecipada.
Repito: desequilibra a disputa, fere a regra do jogo e merece uma punição pesada. Não sei se a justiça eleitoral vai ter coragem de aplicar uma sanção dura a Lula e ao Boulos. Não sei se cabe a inelegibilidade de ambos, a cassação da chapa acho que não porque ainda não foi registrada. Mas a instituição pode cair (ainda mais) em descrédito se não punir ou se aplicar uma punição branda.
Eleições 2020 – São Paulo: bola de segurança
O paulistano médio optou pela bola de segurança ao reeleger o prefeito Bruno Covas

O paulistano médio optou pela bola de segurança ao reeleger o prefeito Bruno Covas (PSDB). Em um ano de pandemia, entre erros e acertos, pesou mais os acertos. Também pesou a rejeição ao PSOL e ao próprio Guilherme Boulos.
Assim como em 2016, quando o então governador Geraldo Alckmin se sentiu vitorioso e esperançoso para 2018 na eleição de João Doria, a vitória de Covas pode sim ser considerada também de Doria. O ex-vice superou a rejeição do atual governador na capital por ter abandonado a prefeitura para disputar o governo do estado. Além disso, a candidatura de Covas foi o embrião de uma frente de centro mirando 2022.
Obviamente, o resultado de 2018 para Alckmin foi desastroso, mas as eleições 2020 mostraram que o ambiente eleitoral em 2022 parece que será um pouco diferente. De qualquer forma, muita água vai passar por essa ponte até lá e eleição municipal é diferente de eleição geral.
Para a esquerda fica mais uma lição que não se ganha eleição apenas com discurso identitário e ideológico ou com engajamento de artistas e influenciadores. Apesar da Campanha de Boulos não ter tido a marca do radicalismo tradicional do PSOL, o candidato não soube convergir com o campo oposto e atraiu no segundo turno aliados da mesma linha ideológica ou próxima. Mas a votação expressiva na principal cidade do país coloca Guilherme Boulos como uma das lideranças do campo progressista e um forte candidato para as próximas eleições – seja para governador ou prefeito novamente e até mesmo ousar uma nova candidatura presidencial não para ganhar, mas para apagar o horroroso resultado de 2018 e marcar posição.