Datafolha: PSOL próximo de um segundo turno histórico

Bruno Covas (PSDB) aparece com 32% (votos válidos: 36%) e é líder absoluto na corrida pela prefeitura de São Paulo; Guilherme Boulos (PSOL) ultrapassa Celso Russomanno (REP) – 16% (vv 17%) a 14% (vv 15%) – com Márcio França logo atrás – 12% (vv 13%). Os três estão em empate técnico, mas faltando poucos dias Boulos deve sacramentar sua passagem ao segundo turno, e Covas ainda pode ser reeleito no primeiro turno caso aconteça uma onda de voto útil como na eleição passada com Doria.

Russomanno tentou censurar a pesquisa Datafolha alegando irregularidades e teve êxito na primeira instância eleitoral. A Folha recorreu ao TRE/SP e conseguiu um mandado de segurança para divulgação. Além de desabar nas intenções de voto, repetindo 2012 e 2016, Russomanno viu disparar sua rejeição e superou Joice Hasselmann (PSL) como candidato mais rejeitado pelo eleitor (49%). Explicado o motivo do candidato tentar barrar a divulgação da pesquisa. O papel dele nessa campanha é pra lá de lamentável. É risível e enoja.

No debate de quarta-feira (11) promovido por UOL/Folha, Russomanno acusou Boulos de usar produtora fantasma na campanha e com dinheiro público do fundão eleitoral. Provas? O veículo? O jornalista da acusação? Um blogueiro que foi preso e responde a inquérito no STF por espalhar notícias falsas. Pode até manter votos para se eleger deputado, mas depois dessa campanha Celso Russomanno jogou no lixo sua credibilidade política, o que já não era elogiável.

Campanha de Guilherme Boulos faz história

Boulos está reencarnando a esperança que foi encarnada em Lula até a sua primeira vitória em 2002 e escolheu um slogan forte “virar o jogo”

A campanha de Guilherme Boulos (PSOL) já é vitoriosa mesmo se não passar para o segundo turno. Boulos está imprimindo um estilo que já está colhendo frutos com excelentes resultados nas pesquisas. Também a mensagem que o candidato passa se conecta com o momento mais do que a crise econômica, a precarização do trabalho ou modernização trabalhista. Não é coincidência que o candidato do PSOL está deixando o candidato do PT comendo poeira.

Guilherme Boulos está reconectando a esquerda com os trabalhadores, com a classe média e penetrando até nos bairros ricos. O PT se afastou da base afetando a esquerda e se desgastou com a classe média. Além disso, Boulos está desfazendo a imagem pejorativa de “invasor” de propriedade privada que muita gente, por ignorância ou má-fé, tacha o MTST. Ele não sai invadindo casas, mas imóveis vazios com dívidas com o poder público.

A Constituição fala em função social não para abolir a propriedade privada, mas para balancear com a justiça social. É ultrajante observar dezenas, centenas de imóveis abandonados e milhões de pessoas sem casa, sem a dignidade de um lar. Por ouro lado, poderosos – políticos e empresários – devendo fortunas em IPTU sem ser incomodados. O duplo tratamento é cruel e indigno.

Mais do que recuperando a esquerda, Boulos está reencarnando a esperança que foi encarnada em Lula até a sua primeira vitória em 2002 e escolheu um slogan forte “virar o jogo”, começando pela principal cidade do país. Mas para superar a rejeição em um segundo turno, Boulos e Erundina precisarão calibrar o discurso e propostas em uma cidade historicamente avessa à esquerda mais radical.

Boulos tem alguns segundos de tempo de TV e está compensando sabendo levar sua mensagem na internet. A ironia é que sua passagem para o segundo turno depende do seu antagônico Arthur do Val (Mamãe Falei) capturar parcela do eleitorado do tucano Bruno Covas ou do neobolsonarista Celso Russomanno. Se Arthur desidratar um ou outro e Boulos não ser ultrapassado por Márcio França (PSB), o PSOL pode conquistar o maior feito da sua história que seria disputar o segundo turno da maior cidade do Brasil.

“Tumultuar para conquistar” deveria ser o lema da esquerda jurássica

Esquerda leva sindicalistas para tumultuar o plenário de uma casa legislativa

sonia-janaina
Sônia Bomfim tentam impedir a colega Janaina Lima de discursar da tribuna da Câmara dos Vereadores de São Paulo

A Vereadora Sônia Bomfim lidera um motim que já conseguiu adiar a votação do projeto de reforma do sistema previdenciário da cidade de São Paulo em março. O gabinete de Sônia Bonfim é um dos mais caro da Câmara de Vereadores (confira aqui), mais de 100 mil reais para custear um gabinete, mesmo sendo seu primeiro mandato e vai repetir o mesmo na Câmara Federal na qual foi eleita pulando de 12 mil votos, na eleição de 2016, para quase 250 mil na eleição de 2018.

Mas é o modus operandi dessa gente. O PSOL tem como princípio a fala de Dilma Rousseff “gasto corrente é vida” e o mandato de parlamentar é para financiar todo tipo de marmota que existe.

Tudo indica que agora a votação não será adiada e consequentemente a aprovação do projeto de lei – já aprovado em 1ª votação na madrugada de sábado precisando de só mais uma votação. Sabendo da iminente derrota, a oposição apela para obstrução e discursos longos no intuito de deixar as sessões cansativas e levar ao seu encerramento.

PSOL e PT se unirem para derrubar o projeto de lei da prefeitura, que tenta evitar que o rombo da Previdência municipal fique maior e insustentável – atualmente, já é insustentável –, é do jogo político. Não é do jogo palavrões e xingamentos contra o relator Fernando Holiday (DEM) e a presidente da comissão especial que analisa o projeto Janaina Lima (NOVO).

Não é do jogo partir para agressão física como fez Antonio Donato (PT) contra Holiday e contra um guarda da GCM. É suficiente para cassação até por ser um ex-presidente da casa que deveria saber se comportar como tal, mas o corporativismo dos colegas não deve deixar tirar o mandato de Donato.

PSOL, que consegue a proeza de conjugar “socialismo e liberdade” na mesma frase, é uma das âncoras que impede o desenvolvimento do país. Uma esquerda que não respeita instituições, regramentos, sempre eles querem vencer no grito porque perdem no argumento, no voto popular e na competência de articular politicamente.

Tudo em nome de uma ideologia que já deveria estar sepultada nos túmulos de Marx, Stalin e Lenin. Essa esquerda leva sindicalistas para tumultuar o plenário de uma casa legislativa, cria confusão em uma diplomação de eleitos e manipula os servidores criando um exército de zumbis, com o discurso de defesa da democracia e dos trabalhadores.

O que aconteceu na Câmara de Vereadores de São Paulo foi só um “ensaio” para quando for a vez da votação da reforma da Previdência no Congresso Nacional.

PSOL provoca confusão na diplomação dos eleitos de São Paulo

PSOL é um partido que se diz “necessário” e diz que foi oposição à esquerda dos governos do PT, mas está sempre votando com o partido no segundo turno das eleições presidenciais e correu para protestar contra o “golpe” da presidente Dilma, a “perseguição” ao ex-presidente Lula, inclusive no palco da resistência quando a prisão foi autorizada.

Socialismo e Liberdade são duas palavras antagônicas que juntaram na mesma sigla. Um partido de extrema-esquerda que já teve membro queimando a bandeira de Israel colocando pra fora todo o antissemitismo. Partido de ideias econômicas retrógradas, sonhador de um socialismo utópico, que acha que para resolver os problemas da violência e sensação de insegurança basta legalizar as drogas, iluminar a cidade toda e desmilitarizar a PM. Que aplaude e defende invasões de terra como modelo de reforma agrária.

Pois um filiado não eleito desse partido provocou uma confusão na diplomação dos eleitos da eleição no estado de São Paulo. Tudo porque se sentia no direito de estar integrado na cerimônia por fazer parte de um “mandato coletivo” representado pela deputada eleita do PSOL para ALESP, Mônica Seixas. Expulso do local, não quis sair e teve que o presidente do TRE/SP ordenar a segurança do local a tirá-lo sem antes brigar com Alexandre Frota, deputado federal eleito pelo PSL, além de dá seu show de vitimização acusando sua não inclusão no local de racismo. PSOL é esse partido com representação irrisória que não respeita instituições e regras.

Guilherme Boulos, o candidato do partido para presidente, teve menos de 1% que dá pouco mais de 600 mil votos, a pior votação presidencial da existência do partido fundado em 2005. Mesmo assim, o partido se acha o sucessor do PT dentro da esquerda. Não surpreende a confusão que provocou em um momento que deveria ser o desfecho da “festa da democracia” e é isso que eles desejam: tomar o poder destruindo a ordem pública e inversão de valores. Mas é tão irrelevante – apesar de fazer barulho – que não vou perder mais tempo escrevendo sobre essa escória.

Contra ideias retrógradas, o Rio vai de Crivella

Freixo perdeu a chance de mostrar um PSOL diferente para ser uma alternativa à esquerda. Ao invés disso, mostrou-se ser um radical. O Rio de Janeiro não pode passar por experimentos econômicos já comprovadamente fracassados

crivella-freixo

Se desenha uma surra eleitoral de Marcelo Crivella em Marcelo Freixo no segundo turno do Rio de Janeiro.

DatafolhaIbope confirmam o amplo favoritismo de Crivella.

A vantagem de Crivella é ainda maior no Ibope que no Datafolha, que confere mais 3 pontos (votos totais) para o Bispo licenciado da IURD.

Freixo é o candidato que Crivella orava para enfrentar em um segundo turno. Muitos dos votos do candidato do PRB são votos contra Freixo. A rejeição de Crivella por ser sobrinho do Bispo Edir Macedo o derrubou em todas as eleição para o Executivo (governador e prefeito). Só que a rejeição ao Freixo supera a de Crivella, porque o candidato e o seu partido, o PSOL, ambos têm ideias controvérsias de como administrar a cidade.

O programa de Marcelo Freixo para essa eleição sendo executado fielmente o que está escrito incharia o tamanho da máquina pública da prefeitura do Rio de Janeiro justo em um momento que se discute formas de equilibrar as contas públicas e o tamanho do Estado (toda esfera pública).

Marcelo Freixo desejar estatizar o transporte público, criar empresas estatais, criar TV estatal municipal, subsidiar veículos de comunicação de movimentos sociais ou “mídias alternativas”, extinguir qualquer tipo de PPPs (Parceria Público-Privada), entre outros absurdos. O governo de Freixo seria um paraíso para corporações e organizações de todo tipo de ativismo. Esse tipo de esquerda traz um desserviço. E o carioca tem mais o que se preocupar na saúde e segurança, por exemplo, do que pensar em criar uma TV estatal. Freixo ainda tem a “brilhante” ideia de desarmar a guarda municipal em um momento que volta a explodir a velha guerra contra o crime organizado na cidade sede da Olimpíada de 2016.

Complicado na vitória de Crivella será suportar Silas Malafaia falando e escrevendo esterco na internet. O pastor resolveu declarar guerra contra a candidatura de Freixo, mesmo sendo desafeto da Universal. É o famoso “mal menor”.

A campanha contra Freixo na internet, aliás, está lembrando a campanha de Dilma Rousseff em 2014, contra Marina Silva e Aécio Neves. Uma campanha pesada disseminada na sua maioria pela família Bolsonaro, Malafaia e “bolsominions”, os fãs de Jair Bolsonaro.

Marcelo Freixo poderia usar essa vitrine que é a segunda maior cidade do país para apresentar um PSOL menos radical, já que o partido pretende ser uma alternativa ao PT. Freixo perdeu a chance de mostrar um PSOL diferente para ser uma alternativa à esquerda. Ao invés disso, mostrou-se ser um radical. O Rio de Janeiro não pode passar por experimentos econômicos já comprovadamente fracassados e danosos para a população, principalmente a mais pobre.