Lavajatismo vive

Comentário do analista Caio Junqueira da CNN Brasil no programa WW de 17/02/2026.

O Supremo deu hoje mais um passo em busca de blindagem nas investigações do caso Master. Depois de segurar até onde pôde Dias Toffoli na relatoria, depois de tentar mudar de assunto, pautando o fim dos penduricalhos, percebeu que o cenário não lhe é favorável. Resgatou o famigerado inquérito das fake news, com Moraes reassumindo o papel de juiz, vítima e acusador, em uma busca por quem vazou, ou teria vazado, os R$ 129 milhões de sua mulher com o Banco Master.

A apuração da receita, que serviu de base para a operação de hoje, ainda é preliminar, mas os alvos foram afastados, colocados em tornozeleira eletrônica e não podem sair de casa. E também tiveram seus nomes expostos no site do Supremo Tribunal Federal, algo sem precedentes. A estratégia é clara, punir os potenciais mensageiros, barrar a mensagem e se blindar do que pode vir por aí.

É uma defesa explícita da quebra criminosa de sigilos fiscais. Aliás, fazem isso com o sigilo fiscal de altas autoridades, fico pensando o que fazem com o sigilo de pessoas comuns.

Não me surpreende de onde vem. A pauta preferida deste programa é fazer análises críticas ao STF com claro viés. O próprio Caio Junqueira cansou de fazer matérias com vazamentos seletivos vindos dos membros da Lava Jato. Aqui não é defendendo os ministros do STF, pequeno gafanhoto. Já fiz textos com tom de reprovação e indignação ao momento pelo que passa a corte.

Mas eu pensava que o fim que teve a Lava Jato tinha servido de aprendizado. Estava errado. O lavajatismo ficou em instituições, na imprensa e na população.

Lava-jatismo é a subversão da democracia

Sob a bandeira do combate à corrupção tentam subverter a democracia

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Os que se acham dentro de uma casta de poder e privilégios, aliados na mídia e jagunços nas redes sociais partiram para o ataque depois que o procurador-geral Augusto Aras escancarou o que já era visível: forças-tarefa, a mais famosa, interminável e inimputável Lava Jato, estão abusando e formando verdadeiros Estados paralelos. O movimento Vem Pra Rua, que surgiu nas manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, passou a pedir abertamente o “fora Bolsonaro“. Estão, na verdade, começando a pré-campanha presidencial de Sergio Moro.

Na mídia, a Rede Globo e o site O Antagonista são “parceiros” de primeira hora dos “justiceiros jacobinos” que enfraqueceram as instituições brasileiras. Tudo em nome do “combate à corrupção”. As mensagens da “Vaza Jato“, vindas ao público pelo site The Intercept Brasil, mostraram a simbiose entre juiz, força-tarefa e mídia. Ferindo os códigos de ética da magistratura. Mesmo assim quem cometeu crimes em “nome da lei” segue impune e esbravejando nas redes (anti) sociais toda vez que é contrariado.

A turma de Deltan Dallagnol e cia criminalizou a política ao ligar corrupção com atividade política e generalizando toda uma classe. Destruíram empregos ao não separar CPF do CNPJ e punir os seus executivos corruptos, mas preservando as empresas. Ao disseminar com ajuda da mídia a percepção na população a ideia que o Estado Democrático de Direito e prerrogativas constitucionais são escudos de bandidos e impedem o avanço de investigações contra poderosos.

Derrubaram o PT. Quando deixou de ser útil, Eduardo Cunha foi descartado. Ao não ser longa manus da “República de Curitiba”, armaram o golpe de maio de 2017 para derrubar Michel Temer, que também era uma forma de proteger os privilégios com a reforma da Previdência pronta para ser aprovada. Como Jair Bolsonaro canalizou o sentimento antipetista e antissistema da última eleição, os “guerreiros” do lava-jatismo embarcaram na campanha dele para impedir a volta do PT. Como Bolsonaro não é bobo, percebeu o erro de ter levado Moro para o governo e tratou de se livrar dele. O lava-jatismo agora vira seus canhões para o governo que ajudou a eleger e, não há dúvida disso, jogarão pesado para forçar o clima favorável de impeachment, como fizeram com Dilma. Mourão sonha em sentar na cadeira de presidente sem ter que disputar no voto e não vai pensar duas vezes em aceitar um acordo.

O objetivo final é substituir toda classe política por outra que seja submissa aos desejos e caprichos do que se convencionou a chamar de lava-jatismo. Sob a bandeira do combate à corrupção fizeram todo tipo de estripulia e tentam subverter a democracia em nome de um projeto de poder.