Moro entra na disputa pela terceira via

Pesquisa Ipespe mostra Sergio Moro entrando na briga para ser o candidato da terceira via.

Moro, que se filiou ao Podemos, já chega na disputa com dois dígitos superando Ciro Gomes (PDT) e esvaziando a candidatura tucana. João Doria (PSDB) e Eduardo Leite (PSDB) aparecem com apenas 2%.

Lula (PT) e Jair Bolsonaro (quase no PL) continuam polarizando. O petista com 42% contra 25% de Bolsonaro.

Huck e Moro iniciam conversas para 2022

A possível candidatura conjunta gerou repercussão e divisão

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o apresentador de TV Luciano Huck e o ex-juiz federal e ex-ministro Sergio Moro tiveram uma longa conversa na casa de Moro, em Curitiba, no final de outubro. Os dois, segundo a reportagem, convergiram na opinião que há espaço para uma candidatura de “racionalidade” em 2022. Essa candidatura de “terceira via” teria o seguinte tripé: liberalismo econômico, luta contra a corrupção e diminuição da desigualdade social. A luta contra a corrupção é bandeira de Moro, luta contra as desigualdades sociais e empreendedorismo são bandeiras de Huck, a agenda liberal na economia é convergência de ambos. Seria uma candidatura de centro para centro-direita.

Segundo a Folha, eles também discutiram a viabilidade de reeleição do presidente Jair Bolsonaro e chegaram a conclusão que ele terá força na eleição por reinar sozinho no segmento conservador, mas que 2021 será um ano difícil pelo fim do auxílio emergencial e o desemprego crescente. A ideia da candidatura conjunta é atrair o máximo de aliados possíveis que estejam de acordo com os princípios acordados acima e formar uma frente de centro contra a esquerda lulista e a direita bolsonarista. Não discutiram quem encabeçaria a chapa, isso ficaria para 2021.

Nas redes, a possível candidatura conjunta gerou repercussão e divisão. Uma parte da esquerda e centro-esquerda rechaçou de logo uma frente com Sergio Moro. Os argumentos se dividiram em parte pela a atuação como juiz e por ter sido ministro de Bolsonaro. Já com Huck, a esquerda não esquece o voto dele em Aécio e, dizem, em Bolsonaro (ele não declarou voto em 2018). Quem não descartou a possível aliança criticou o que chamou de purismo ideológico e lembrou a frente ampla que elegeu Joe Biden contra Donald Trump nos EUA. É complicado fazer comparação da política daqui com a de lá, mas é fato que Biden conseguiu unir em uma frente alas ideológicas opostas dentro do partido democrata em torno de sua candidatura.

O economista Thales Nogueira escreveu no Twitter: “Caro progressista purista de 2020. Aplique seu dogmatismo e moralismo ideológico no tempo e você talvez não votaria sequer no Lyla [Lula] em 2002, cujo vice era um empresário da elite industrial e com carta ao povo e tudo.”.

Já o jornalista Kennedy Alencar comentou o seguinte: “No Brasil, temos uma legião de aventureiros despreparados e rasos que querem tirar proveito de uma falsa equivalência para esconder o bolsonarismo de sapatênis, como faz @LucianoHuck, e o conservadorismo regressivo, como faz @SF_Moro. Não vou normalizar esses selvagens. Tô fora.”

O governador do Maranhão, Flavio Dino (PCdoB), que já teve conversas com Luciano Huck, escreveu: “Moro grava vídeo para um extremista líder de motim, candidato em Fortaleza. Começou muito mal a sua tentativa de se reinventar como referência do “centro”, após servir a Bolsonaro e dele se servir. Cobram tanto da esquerda, mas com um “centro” assim fica difícil demais”, e postou também: “Análises sobre dificuldades para a formação de frentes políticas no Brasil frequentemente olham apenas para problemas na esquerda. Mas não se pode ignorar as carências e vacilações no que seria o “Centro”. Por exemplo, impossível ser contra Bolsonaro e a favor de Paulo Guedes.”

Juliano Medeiros, presidente do PSOL, foi mais incisivo: “Formar uma frente com Moro, Huck, Maia e outros golpistas, reabilitaria os canalhas que viabilizaram o bolsonarismo no Brasil, direta ou indiretamente. Seria um indignidade da qual o PSOL jamais tomará parte. Devemos construir uma alternativa de esquerda. Não estamos nos EUA.”

José Guimarães, figurão do PT concordou: “Muito menos o PT, é minha opinião. Essa gente é responsável pela eleição de Bolsonaro. Os que bradaram contra o PT e os que se omitiram que paguem a contra (sic) do desastre para nossa democracia que foi a eleição de Bolsonaro! #ForaBolsonaro”

Óbvio que a esquerda, principalmente a mais hardcore, não apoiaria uma candidatura de centro e/ou centro-direita. Assim como a esquerda trabalhista terá Ciro Gomes (PDT) como player. E Ciro trabalha para construir uma “terceira via” de centro-esquerda viabilizando alianças com partidos de centro, conseguiu para as eleições municipais de 2020 aliança com Democratas, de ACM Neto em Salvador, e PSD com Alexandre Kalil em Belo Horizonte. Ciro tem uma candidata com chance de ir ao segundo turno no Rio e apoia Márcio França (PSB) em São Paulo, que tem chance de vitória, e apoia o PSB de Pernambuco com o filho de Eduardo Campos na liderança nas pesquisas no Recife-PE. Além da sua Fortaleza-CE, o seu candidato tem uma frente ampla que tem PP, DEM, PSDB, PSD, PSB, Cidadania.

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), também já colocou seu nome no jogo e busca uma robusta frente de aliados para ser a alternativa de centro para 2022. E tem o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que ganhou muita visibilidade no começo da pandemia.

Ou seja, Huck e Moro terão dificuldades de conseguir aliados para uma chapa, seja pela concorrência ou pelos dois agregarem rejeição aos seus nomes. Mas dependendo do cenário político do biênio 2021-2022, a candidatura conjunta pode sim ser viabilizada e a ampla aliança de centro.

Moro empata com Bolsonaro em eventual segundo turno, mostra pesquisa

Já em outro segundo turno entre Bolsonaro e Haddad, o presidente voltaria a vencer o petista

Pesquisa fresquinha divulgada pelo Jornal da Band mostra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) bem posicionado para sua reeleição e quem mais o ameaça é o ex-juiz e seu ex-ministro Sergio Moro (sem partido).

O presidente teria quase 40% dos votos no cenário mais realista hoje, faltando mais de dois anos para a eleição presidencial. Enquanto o candidato derrotado no segundo turno de 2018, Fernando Haddad (PT), teria 14%, contra 10% de Moro. Ciro (PDT), Mandetta, (DEM), Doria (PSDB) e Dino (PCdoB) aparecem respectivamente com 6%, 5%, 4% e 3%.

Já em outro segundo turno entre Bolsonaro e Haddad, o presidente voltaria a vencer o petista por 42% a 34%. E no duelo direto Bolsonaro contra Moro, aconteceria um empate de 41% para cada. O detalhe é que o instituto pesquisou o que o eleitor de Haddad faria em um segundo turno com o atual presidente e o ex-juiz que condenou Lula, e 62% do eleitorado do PT votariam em Moro, apenas 2% votaria em Bolsonaro.

Parece distante, mas as máquinas para 2022 já começaram a rodar e quem demorar muito a se movimentar pode ficar sem convite para o baile da democracia.

Como qualquer cidadão, Lula tem que julgado dentro da lei, mas sem truques para condená-lo

Alija-lo da disputa eleitoral com truques só enfraquece a democracia

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Por 2 votos a 1, a segunda turma do STF anulou a inclusão da delação premiada de Antonio Palocci em um dos processos contra o ex-presidente Lula. Palocci acusou Lula de receber propina da Odebrecht por meio de um terreno para o Instituto Lula e ter usado a empresa para comprar apartamento vizinho ao que mora em São Bernardo (SP). O trecho foi incluído e tornado público pelo então juiz Sergio Moro dias antes do primeiro turno das eleições presidenciais de 2018. A defesa alegou quebra da imparcialidade.

Votaram pela exclusão os ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, Edson Fachin (para surpresa de ninguém) votou contra o pedido da defesa. Cármen Lúcia e Celso de Mello, outros integrantes desta turma, não participaram da sessão.

O ministro Gilmar Mendes foi categórico e afirmou em seu voto: “Verifica-se que o acordo foi juntado aos autos da ação penal cerca de três meses após a decisão judicial que o homologara. Essa demora parece ter sido cuidadosamente planejada pelo magistrado para gerar verdadeiro fato político na semana que antecedia o primeiro turno das eleições presidenciais de 2018 (…) Resta claro que as circunstâncias que permeiam a juntada do acordo de delação de Antonio Palocci no sexto dia anterior à realização do primeiro turno das eleições presidenciais de 2018 não deixam dúvidas de que o ato judicial encontra-se acoimado de grave e irreparável ilicitude”.

Lewandowski sentenciou no seu voto: “A determinação da juntada dos termos de colaboração premiada consubstancia, quando menos, inequívoca quebra de imparcialidade”.

A decisão é importante para reafirmar o compromisso da Suprema Corte com o Estado de Direito tão deteriorado pelo estado policialesco dos últimos anos que o STF se calou para abusos e em alguns casos foi cúmplice. Essa decisão casa com o julgamento de um habeas corpus que pede a suspeição de Moro ao condenar Lula, que o impediu de disputar a eleição que aparecia na liderança em todas as pesquisas, ao aceitar integrar o governo do presidente beneficiado da condenação do ex-juiz confirmada em segunda instância. Cármen e Fachin já votaram contra; Gilmar pediu vista e até hoje não devolveu. Se seguir a tendência, Gilmar e Lewandowski devem votar pela anulação e o decano Celso de Mello é quem provavelmente decidirá.

O deferimento desse HC tornaria um pouco confusa a situação eleitoral de Lula, porque ele já foi condenado pela segunda vez no TRF-4, mas ainda não foram esgotados todos os recursos do processo sobre o sítio de Atibaia. Lula ainda é o único no PT que aparece com potencial de rivalizar com Jair Bolsonaro. Mesmo completando 80 anos na eleição, acho difícil que ele abrisse mão se sua ficha fosse limpa. Como acho difícil o tribunal de Porto Alegre reverter a segunda condenação.

Independentemente da situação eleitoral, anular a sentença de Sergio Moro sobre o triplex no Guarujá é devolver os direitos arrancados de Lula e anular uma condenação sem a prova do crime. Anos revirando e só encontraram indícios. Condenar Lula a qualquer preço não condiz com o império das leis. Alimenta apenas a sanha justiceira. Longe de achar o ex-presidente inocente, mas que o condenem provando sua culpa, respeitando as suas prerrogativas, respeitando a Constituição, o Estado de Direito. Alija-lo da disputa eleitoral com truques só enfraquece a democracia.

Lava-jatismo é a subversão da democracia

Sob a bandeira do combate à corrupção tentam subverter a democracia

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Os que se acham dentro de uma casta de poder e privilégios, aliados na mídia e jagunços nas redes sociais partiram para o ataque depois que o procurador-geral Augusto Aras escancarou o que já era visível: forças-tarefa, a mais famosa, interminável e inimputável Lava Jato, estão abusando e formando verdadeiros Estados paralelos. O movimento Vem Pra Rua, que surgiu nas manifestações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, passou a pedir abertamente o “fora Bolsonaro“. Estão, na verdade, começando a pré-campanha presidencial de Sergio Moro.

Na mídia, a Rede Globo e o site O Antagonista são “parceiros” de primeira hora dos “justiceiros jacobinos” que enfraqueceram as instituições brasileiras. Tudo em nome do “combate à corrupção”. As mensagens da “Vaza Jato“, vindas ao público pelo site The Intercept Brasil, mostraram a simbiose entre juiz, força-tarefa e mídia. Ferindo os códigos de ética da magistratura. Mesmo assim quem cometeu crimes em “nome da lei” segue impune e esbravejando nas redes (anti) sociais toda vez que é contrariado.

A turma de Deltan Dallagnol e cia criminalizou a política ao ligar corrupção com atividade política e generalizando toda uma classe. Destruíram empregos ao não separar CPF do CNPJ e punir os seus executivos corruptos, mas preservando as empresas. Ao disseminar com ajuda da mídia a percepção na população a ideia que o Estado Democrático de Direito e prerrogativas constitucionais são escudos de bandidos e impedem o avanço de investigações contra poderosos.

Derrubaram o PT. Quando deixou de ser útil, Eduardo Cunha foi descartado. Ao não ser longa manus da “República de Curitiba”, armaram o golpe de maio de 2017 para derrubar Michel Temer, que também era uma forma de proteger os privilégios com a reforma da Previdência pronta para ser aprovada. Como Jair Bolsonaro canalizou o sentimento antipetista e antissistema da última eleição, os “guerreiros” do lava-jatismo embarcaram na campanha dele para impedir a volta do PT. Como Bolsonaro não é bobo, percebeu o erro de ter levado Moro para o governo e tratou de se livrar dele. O lava-jatismo agora vira seus canhões para o governo que ajudou a eleger e, não há dúvida disso, jogarão pesado para forçar o clima favorável de impeachment, como fizeram com Dilma. Mourão sonha em sentar na cadeira de presidente sem ter que disputar no voto e não vai pensar duas vezes em aceitar um acordo.

O objetivo final é substituir toda classe política por outra que seja submissa aos desejos e caprichos do que se convencionou a chamar de lava-jatismo. Sob a bandeira do combate à corrupção fizeram todo tipo de estripulia e tentam subverter a democracia em nome de um projeto de poder.