Paulo Gonet reconduzido à PGR

A recondução de Paulo Gustavo Gonet Branco para PGR foi aprovada pelo Senado Federal. Primeiro na CCJ, por 17 votos a 10, algumas horas depois o plenário confirmou por 45 a 26.

Na sua primeira indicação, em 2023, Gonet teve 65 votos a favor e apenas 11 contra. É uma queda significativa de 20 votos e apenas 4 a mais do mínimo necessário para a aprovação (41).

O resultado é pela denúncia que levou o ex-presidente Jair Bolsonaro a ser condenado pelo STF a 27 anos em regime fechado por tentativa de golpe de Estado. Senadores bolsonaristas que votaram a favor de Gonet há 2 anos mudaram o voto, mesmo sabendo que seria reconduzido, para mostrar insatisfação com o PGR.

Mostra também que, se o plano de Bolsonaro funcionar e eleger uma bancada grande para o Senado em 2026, pode fazer estrago.

Paulo Gonet para PGR e Flávio Dino para o STF

Presidente Lula escolheu de forma casada os indicados para a PGR e o STF

Paulo Gonet assumiu a procuradoria-geral da República na segunda-feira (18/12). Gonet foi o escolhido pelo presidente Lula fora da lista da ANPR – Associação Nacional de Procuradores da República (ainda bem), foi sabatinado e aprovado pelo Senado Federal. Teve seu nome aprovado por 23 votos na Comissão de Constituição e Justiça e por 65 votos no plenário.

Paulo Gonet é conservador e tem boa relação com ministros do STF, principalmente Gilmar Mendes, que já foi sócio, e Alexandre de Moraes.

Lula demorou para escolher o novo PGR. Desde a saída de Augusto Aras foram mais de dois meses para a escolha de Paulo Gonet. O presidente tinha dúvida entre escolher um nome ligado a ministros do STF, um mais ligado ao PT ou um mais independente.

No fim, o escolhido foi um PGR mais ligado ao STF. Que o seu mandato seja como ele falou na posse: sem holofotes. Que seja o oposto de Rodrigo Janot e de Augusto Aras. Sem as fechas de um e sem a omissão conivente do outro.

Flávio Dino no STF

O presidente aproveitou e indicou de forma casada com o indicado a PGR também o ministro da Justiça Flávio Dino para a vaga de Rosa Weber no STF. Foi uma indicação polêmica. A oposição acusou Lula de querer apagar fogo com gasolina.

Isso porque Dino foi o ministro que mais teve desentendimento com a oposição. Duro com os ataques golpistas de 8/1 e provacador de modo sarcástico com a oposição quando ia no Congresso (e foi incontáveis vezes) debater com parlamentares.

O presidente tinha na mesa para escolher além de Flávio Dino os nomes de Jorge Messias (favorito do PT) e Bruno Dantas, presidente do TCU – Tribunal de Contas da União. Tinha a campanha identitária nas redes sociais por uma ministra negra, mas Lula não se curvou ao identitarismo.

Lula levou em conta a lealdade de Dino, que se levantou contra a sua prisão e quando o agora presidente teve seus direitos políticos restaurados Dino abriu mão da pré-candidatura à presidência para o apoiar.

No final, Dino teve seu nome aprovado por 17 votos na CCJ e por 47 votos no plenário, a segunda menor votação desde a redemocratização, empatada com André Mendonça (governo Jair Bolsonaro), e dois a menos (45) que Francisco Rezek (governo Fernando Collor). Mas Rezek teve apenas 16 votos contra, Dino teve 31 e Mendonca, 32.

Bigonha ganha força na sucessão de Aras

Bigonha ganha força na sucessão de Augusto Aras na PGR. Antonio Carlos Bigonha é próximo a petistas.

O presidente Lula sinalizou a aliados que Bigonha ganhou força na disputa contra Paulo Gonet, favorito dos ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, depois de conversas recentes com antigos membros da cúpula da PGR.

Se Lula confirmar o nome de Bigonha, espero que não seja um novo Rodrigo Janot e a volta dos “tuiuius” (apelido de um grupo de procuradores).

Não seja a volta dos vazamentos seletivos, de inquéritos sem nada com o único objetivo de marcar negativamente políticos que não gosta e não volte as denúncias vazias. Não volte a espetacularização e criminalização da política. Espero que a proximidade com o PT não o leve a perseguir rivais políticos do partido ou que incomode o governo.