Gilmar x Janot

Não convide para mesma festa o ministro Gilmar Mendes e o ex-PGR Rodrigo Janot. Ambos se detestam e não escondem a sua ojeriza pelo outro.

Janot já disse que chegou a ir armado ao STF e por pouco não disparou no Gilmar cometendo suicídio depois.

Já o ministro não perde a oportunidade de fazer comentários nada honrosos a um dos seus maiores desafetos (a lista é longa).

A seguir algumas vezes que Gilmar falou publicamente de Janot.

Bigonha ganha força na sucessão de Aras

Bigonha ganha força na sucessão de Augusto Aras na PGR. Antonio Carlos Bigonha é próximo a petistas.

O presidente Lula sinalizou a aliados que Bigonha ganhou força na disputa contra Paulo Gonet, favorito dos ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, depois de conversas recentes com antigos membros da cúpula da PGR.

Se Lula confirmar o nome de Bigonha, espero que não seja um novo Rodrigo Janot e a volta dos “tuiuius” (apelido de um grupo de procuradores).

Não seja a volta dos vazamentos seletivos, de inquéritos sem nada com o único objetivo de marcar negativamente políticos que não gosta e não volte as denúncias vazias. Não volte a espetacularização e criminalização da política. Espero que a proximidade com o PT não o leve a perseguir rivais políticos do partido ou que incomode o governo.

Absolvição de Aécio Neves não recupera sua reputação destruída pela Lava Jato

O TRF 3 – Tribunal Regional Federal da terceira região – absolveu por unanimidade o deputado federal Aécio Neves (PSDB/MG) da prática de corrupção passiva. O deputado então senador na época da denúncia feita pela PGR – Procuradoria-geral da República – comandada na época por Rodrigo Janot com base na delação premiada (no caso delação superpremiada) dos irmãos Batista, da JBS.

Foi um carnaval em cima dessa delação. O objetivo de Janot era derrubar o então presidente Michel Temer e tirar da corrida presidencial de 2018 o Aécio, que na eleição passada tinha conquistado 51 milhões de votos e ficou perto de derrotar a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT).

Janot teve a ajuda do Grupo Globo e com raríssimas exceções de toda a mídia do país. Era a época do acuse primeiro depois vejamos se conseguimos provas. Época de linchamento midiático e turbinado com o virtual da internet.

Procuradores e juízes manipularam a opinião pública para criminalizar a política, com ajuda da mídia tradicional e usando as recém mídias digitais. Tudo com um STF acovardado que chancelava tudo que vinha da “redentora” Lava Jato.

Esse absolvição do tucano se junta as anulações das sentenças condenatórias cheias de vícios de Lula e outras absolvições de outros políticos para mostrar como o lavajatismo foi deletério ao Brasil. Ao Estado Democrático de Direito. Mais: a mídia tradicional não vai pedir desculpas por ter ajudado a criminalizar a política nem influencers que surfaram a onda do lavajatismo ganhando notoriedade e alguns muito dinheiro.

Deltan Dallagnol, Sergio Moro, Marcelo Bretas, Rodrigo Janot, ministros do Supremo que não só chancelavam os absurdos da República de Curitiba mas aplaudiam e defendiam (aqui um olhar especial a Luis Roberto Barroso e a pior presidência da história do STF da Carmen Lúcia) os métodos dessa operação fascistoide devem um pedido de desculpas. Mas não vão pedir. O STF ficou superexposto após começar a corrigir os erros da Lava Jato e ficando mais exposto ao segurar o ímpeto autoritário do governo de Jair Bolsonaro que é fruto da Lava Jato.

A absolvição de Aécio Neves não apagará o mal que a Lava Jato causou ao político. Ele até pode se reerguer e chegar à presidência da República  (bem improvável) como Lula chegou após ficar preso por mais de 500 dias, mas o mal causado nunca será apagado.

2 anos de Temer

A presidência de Michel Temer era necessária

2 anos do governo do presidente Michel Temer. Se você me perguntar o que mudou de maio de 2016 a maio de 2018, eu direi que muita coisa. Algumas para melhor e outras para pior. Mas que mudou, com certeza mudou.

No primeiro ano, Temer levava o barco com uma certa tranquilidade graças a ampla base que conseguiu forma no Congresso e estava conseguindo aprovar reformas importantes. Turbulências aqui e ali, mas o presidente conseguia blindar o Planalto delas até pela sua característica de habilidade política, o que falta na sua antecessora.

Temer vinha aprovando mudanças na governança nas estatais, as tornando mais profissionais e menos políticas, a reforma do ensino médio parada desde 1999, um teto para gastos públicos limitando a inflação do ano anterior, reajustou – não acontecia desde 2014 – o Bolsa Família em mais de 10% assim que assumiu o governo ainda de formar interina, reforma trabalhista pronta para aprovação e da Previdência Social estava pronta para ir para votação no plenário da Câmara. E a inflação que Temer pegou em quase dois dígitos e a levou ao centro da meta, terminando 2017 abaixo de 3%.

Mas no fatídico dia 17 de maio de 2017, o furacão JBS veio com força total devastando a estabilidade do governo. A conversa entre Joesley Batista com o presidente Temer quase custou o curto mandato. O furacão perdeu força, mas suas consequências, entre elas duas denúncias criminais por corrupção, organização criminosa e obstrução de justiça, levaram Temer a queimar quase todos os cartuchos para barrar as denúncias na Câmara. A popularidade do governo e do presidente, que já não eram grandes coisas, desabaram e nunca mais se recuperaram. E ainda há inquéritos abertos e uma possível terceira denúncia vindo aí.

O presidente teve que escolher entre sobreviver, mesmo com seu governo em frangalhos, ou aprovar reformas. Aliás, um erro grave da equipe econômica foi começar as reformas pelo teto e não pela base. Reforma da Previdência era para ter sido colocada em pauta assim que Temer assumiu a presidência definitivamente, em agosto de 2016. Foi um erro fatal da equipe econômica ter começado as reformas pelo teto e não na raiz do déficit público.

No campo econômico, apesar de toda tormenta, a desvantagem do governo Temer para o governo anterior é na questão do emprego. É o grande gargalo que a equipe econômica não conseguiu derrubar nos últimos dois anos. Excetuando o desemprego, todos os índices econômicos são favoráveis a Temer.

Dilma Rousseff foi derrubada pelo conjunto da obra – perda de apoio político, popular e escândalos de corrupção – sob o pretexto jurídico das ditas “pedaladas ficais” para aprovar o impeachment por crime de responsabilidade. Mais do que isso, Dilma caiu por ter levado o Brasil a dois PIBs negativos, uma inflação de 10% provocada pelo estelionato eleitoral que depois da eleição teve que liberar preços represados de combustíveis e energia, no último caso o sistema energético foi quebrado pelo populismo irresponsável nas Medidas Provisórias para baixar a conta de luz na marra.

Em síntese, maquiagem nas contas públicas para ser reeleita. Também a farra no BNDES para “empresas amigas” e governos aliados ideologicamente ao PT, que agora dão calote no Brasil e o brasileiro que vai pagar mais essa conta.

Se Temer é ruim, Dilma foi uma tragédia, e Lula foi quem a colocou lá. Colocou os dois, diga-se. A presidência de Michel Temer era necessária para estancar a sangria não de “lava jato”, mas do caos econômico provocado pela irresponsabilidade e populismo, foi bem sucedido até Janot e cia deflagrarem o golpe fatal nas pretensões políticas, econômicas e eleitorais do governo Temer.

Perplexidade de Janot

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Ex-Procurador-Geral Rodrigo Janot resolveu comentar algumas notícias no Twitter. Uma foi o encontro da presidente do STF, Cármen Lúcia, e do presidente Michel Temer, no Palácio Jaburu, para tratar sobre segurança. A imprensa noticiou como se fosse uma “ofensiva de Temer” contra o inquérito do decreto dos portos e a inclusão de seu nome em inquérito com base nas delações da Obedrecht. Temer não tem folga da imprensa que não gosta de seu governo e quer sua cabeça a qualquer custo nem que seja por meios golpistas e saindo da inércia de longos anos sem o mesmo ímpeto investigativo contra o governo.

Para o senhor Rodrigo Janot, um encontro de dois chefes de poderes aos olhos de todos “causa perplexidade”. Para o senhor Rodrigo Janot, “causa perplexidade” tratar assuntos republicanos em “convescotes matutinos ou vespertinos”. Não causa perplexidade em Janot, no entanto, o próprio se encontrar com o advogado de delatores em um boteco de Brasília, dias depois de pedir anulação da delação dos clientes dele por vícios envolvendo inclusive um assessor próximo do Procurador-geral.

Janot também comentou um notícia na qual informa que a sua sucessora Raquel Dodge não firmou novas (delações) colaborações premiadas. Para Rodrigo Janot, o bom procurador-geral é aquele que firma delações açodadas para fazer denúncias ineptas levando ao arquivamento ou absolvição de acusados por conta desse açodamento e dando a sensação de impunidade.

Fora a seletividade deste senhor nos quatro anos como PGR. Por exemplo, Janot demorou mais de um ano para fazer uma denúncia aos ex-presidentes Lula e Dilma no caso “Bessias”, o termo de posse de Lula para ministro da Casa Civil e ele fugir da 1ª instância (Moro), mas fez correndo duas denúncias contra o presidente Temer tentando derruba-lo para conseguir um terceiro mandato como chefe do MPF ou colocar um preposto seu no cargo. E outras denúncias mal feitas contra senadores, deputados, ministros, ex-ministros o levando a pedir constrangido o arquivamento de algumas por não ter encontrado provas.

Janot não teve êxito nas duas empreitadas contra Temer, mas conseguiu barrar a reforma da Previdência Social.