Briga interna no PSL prejudica o governo

Joice Hasselmann e Major Olimpio já não nutriam uma boa relação. Resolveram levar ao público que não falam a mesma língua a líder do governo de Jair Bolsonaro no Congresso Nacional e o líder do PSL, o partido do presidente, no Senado Federal.

O estopim foi um desentendimento na votação de um veto presidencial. Mas a treta vem de longe e os dois travam uma disputa de olho nas eleições de 2020 e 2022. O senador quer ser governador e a deputada sonha com a prefeitura de São Paulo, mas o grupo do Olimpio não quer Joice como candidata pelo PSL e tenta atrair o apresentador José Luiz Datena para sigla e o lançar candidato a prefeito.

Joice já se desentendeu com Eduardo Bolsonaro via Whatsapp e as mensagens foram vazadas para a imprensa. Foi por causa da eleição para presidente da Câmara. Joice também trocou tuítes nada amistosos com a colega deputada e de partido Carla Zambelli.

O governo está acéfalo no Congresso. A única bancada que faz parte oficialmente da base do governo ficou conhecida como “a bancada do selfie e lives”, de um partido formado de última hora que congrega de tudo. Resultado é a dificuldade em aprovar projetos de interesse do governo.

Por exemplo, essa confusão de hoje fez com que o presidente do Congresso Nacional Davi Alcolumbre encerrasse a sessão sem terminar de limpar a pauta dos vetos presidenciais e destaques e visivelmente irritado, dificultando ainda mais a apreciação do PLN 4 para evitar um ‘shutdown‘, uma paralisia generalizada em programas, benefícios e subsídios do governo.

Condescendência de Bolsonaro para Marcelo Alvaro Antônio

Inconcebível o ministro do Turismo Marcelo Alvaro Antônio continuar na cadeira apesar dos fatos o engolir em velocidade impressionante. Começou com as reportagens da Folha desbundando o laranjal do PSL mineiro, reduto do ministro, com evidências cada vez mais contundentes que Marcelo Alvaro não só sabia como era o líder e mentor do esquema.

A última é a deputada Alê Silva (PSL/MG) dizer em depoimento na PF que o ministro a ameaçou acabar com a carreira política ou a vida dela por ter denunciado o esquema de candidatas laranjas do seu próprio partido. O silêncio do Planalto é ensurdecedor. Cadê sua caneta bic, presidente Jair Bolsonaro? Que medo é esse de afastar um ministro enrolado até o pescoço em caso de polícia? Diferentemente quando o ministro se desentende com um dos filhos e a rapidez para o demitir.

Demitir ou afastar o ministro não é uma condenação prévia. É política, o que já está acabada. Ele saindo do cargo vai poder se defender melhor, sem a pressão do cargo e desgastando o governo. Ao se calar sobre a grave acusação da sua correligionária e mantendo o ministro no cargo, Bolsonaro passa a impressão de está sendo chantageado. Na melhor das hipóteses, está sendo enganado. Nos dois caos, é ruim para a imagem do presidente.

Eleição 2018 remember 2014

Neste momento, de paixões exacerbadas, a porta de saída de confusões provocadas pelos homens é a lei

Chuvas de ações deixam a eleição presidencial com futuro incerto. Neste momento, de paixões exacerbadas que tornam a visão turva, você falar em lei será acusado de sacrilégio. Mas existe lei e somente ela é a porta de saída de confusões provocadas pelos homens.

O PT entrou com uma ação no TSE pedindo a cassação da candidatura de Jair Bolsonaro e que o deixe inelegível por 8 anos por abuso de poder econômico e doação de empresas (vedada pelo STF em 2015) via caixa 2. A Procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu para Polícia Federal investigar as empresas que a Folha de São Paulo diz que foram contratadas para impulsionar mensagens em massa no Whatsapp. Uma terceira ação protocolada pelo PDT, partido do terceiro colocado Ciro Gomes, no primeiro turno, pede uma nova votação sem Bolsonaro.

Das três ações a do PDT pode descartar que é sem o menor fundamento jurídico e de lógica. Já a ação do PT e o inquérito da PF renderão muitas manchetes e já adianto que não tem a menor chance de a votação do dia 28 não acontecer ou acontecer sem Jair Bolsonaro.

Porque é impossível julgar uma ação no TSE faltando uma semana para o segundo turno. O ministro-corregedor Jorge Mussi aceitou com ressalvas o pedido do PT e deu os 5 dias de prazo para o denunciado se defender. Depois, o ministro decidirá se precisa de mais tempo para colher provas para ao final da coleta de provas despachar a ação e a presidente Rosa Weber marcar a data do julgamento. Não tem prazo. É o mesmo trâmite na ação que pedia a cassação da chapa de Dilma Rousseff e Michel Temer, pelo mesmo motivo da ação do PT: abuso de poder econômico na eleição. Aécio Neves entrou contestando a chapa vencedora de 2014 após a diplomação dos eleitos, em dezembro de 2014, só em junho de 2017 que o tribunal julgou e por 4 a 3 inocentou Dilma e Temer.

A acusação que pesa contra o candidato do PSL é de que empresários contrataram empresas de marketing digital para impulsionar menagens em massa contra o PT. O que o tribunal eleitoral vai investigar é se (1) houve de fato o que a Folha trouxe, (2) comprovando a denúncia se há conexão com a campanha do candidato Bolsonaro (3) e se interferiu no curso da eleição. Atenção: os itens 2 e 3 são os principais para o julgamento do TSE.

Comprovada a denúncia e comprovado que o candidato sabia – por partícipe da trama ou por omissão -, a lei determina a cassação do registro da candidatura e, caso os componentes já diplomados, uma nova eleição é convocada independente se os eleitos já tomaram posse. Os perdedores – presidente e vice – do segundo turno não assumem no lugar dos cassados.

O jornalista Reinaldo Azevedo, que tem trânsito nos corredores do STF, disse no RedeTV News que ministros acham que essa ação é o “freio” que as instituições precisavam em um governo Bolsonaro. Dependendo de como ele governará, respeitando a Constituição e não incitando guerras contra grupos opositores ou/e a imprensa, ela pode dormir na gaveta do TSE por todo mandato.

Caso contrário, o julgamento aconteceria antes da metade do mandato para, em caso de condenação, realizar eleição direta. Na vacância da presidência e da vice-presidência nos dois primeiros anos de mandato a Constituição determina realização de eleição direta e nos dois anos finais eleição indireta no Congresso Nacional.

Independente do que acontecer, com a redemocratização foram 6 eleições presidenciais sem contestação do resultado. Vamos para a segunda que o seu resultado será decidido nos tribunais.

Guerra no PSL

Na última semana, um princípio de terremoto ameaçou o partido do presidenciável Jair Bolsonaro. A jornalista Joice Hasselmann, segundo ela “pega de surpresa”, foi convocada para ser candidata ao governo de São Paulo pelo PSL. Dep. Major Olimpio, presidente do partido em São Paulo, gravou um vídeo contrariado com o episódio, que o nome de Joice foi indicado ao cargo apenas por um pré-candidato a deputado pelo partido que lançou o nome da jornalista youtuber ao governo paulista à revelia da direção do PSL.

Major Olimpio tenta costurar uma aliança com o pré-candidato Paulo Skaf (MDB), o que opõe o deputado e a jornalista, que é contra e acha que essa possível aliança prejudica a candidatura de Bolsonaro. A jornalista e youtuber fez uma sequência de vídeos tentando acalmar o ambiente no partido, mas não descartando sua candidatura ao governo.

O que é certo é que o PSL paulista ficou dividido com esse lançamento da pré-candidatura de Joice Hasselmann ao governo paulista. Joice foi convidada por Jair Bolsonaro para ser candidata ao Senado, também por São Paulo.

O pré-candidato a deputado federal Alexandre Frota não vai com a cara da jornalista. Em entrevista exclusiva ao blog, ele não poupou críticas pesadas para Joice.

O que achou dessa briga Joice Hasselmann e Major Olimpo no PSL?

Joice não vale nada. É mentirosa, falsa e está se vitimizando. Mas faz tudo de caso pensado. Uma chata, fala pelos cotovelos, gralha. Imagina acordar com essa mulher falando assim sempre em tom acima do normal, gritando e rápido. Ela vai perder essa guerra, pois não manda no PSL e muito menos tem moral na cúpula e sabe de nada essa metida e prepotente.

Pode atrapalhar o PSL e prejudicar a candidatura de Jair Bolsonaro?

Jamais vai atrapalhar a candidatura de Jair, pois ele construiu tudo sem ela. E não depende dessa mulher pra nada. Joice se vende como se fosse uma Ivete Sangalo, mas não passa de uma Mara Maravilha.

Você parece ter uma bronca da Joice, o que acha dela?

Não tenho bronca, sou realista e verdadeiro. Ela não vale nada e eu já deixei claro que não confio nela. Por mim, seria expulsa do PSL.

Sua candidatura a deputado federal não prejudica Eduardo Bolsonaro, já que concorrem ao mesmo cargo, no mesmo estado e no mesmo partido?

Eu e Eduardo somos amigos antes de mais nada. Ele me convidou para entrar no PSL. O público dele é um e o meu é outro. Ele é a estrela o numero 1 nessa corrida e torço por ele e vou trabalhar para ele ser eleito com 1 milhão de votos, quem sabe ele me arrasta.

Jair Bolsonaro fecha com PSL e deixa o PEN ‘a ver navios’

O hoje segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto para presidente e primeiro sem o Lula na disputa, Jair Bolsonaro mandou o PEN, que estava em processo para trocar de nome para Patriota, a pedido do próprio Bolsonaro, para o espaço e vai se filiar ao PSL.

Em nota assinada pelo presidenciável e o presidente da legenda Luciano Bivar, eles afirmam que “Tanto para o presidente Luciano Bivar, quanto para o deputado Jair Messias Bolsonaro, são prioridades para o futuro do país, o pensamento econômico liberal, sem qualquer viés ideológico, assim como, o soberano direito a propriedade privada e a valorização das forças armadas e de segurança. Ambos comungam também da necessidade de preservar as instituições, proteger o Estado de Direito em sua plenitude e defender os valores e princípios éticos e morais da família brasileira”.

Bolsonaro e Adilson Barroso se desentenderam porque o candidato queria 23 de 27 diretórios do PEN/Patriota, segundo Barroso. Já Bivar, segundo informações, aceitou que o Bolsonaro tenha total autonomia no partido e pode ser o candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo deputado.

Com a chegada de Jair Bolsonaro ao PSL, que poderá mudar de nome, o movimento Livres vai sair do partido que tentava ter maioria para controla-lo. Livres e Bolsonaro divergem em muitos pontos. O movimento acusa o deputado-militarista de ser estatista de direita e ser contra a liberdade individual em casos da sexualidade e na questão das drogas – Livres é um movimento liberal “puro”.

O grande problema do Livres, que é uma ideia boa em defesa do liberalismo na política institucional, é justamente esse puritanismo de não querer se misturar com conservadores ou quem é mais ortodoxo. Após surgir a notícia de Bolsonaro no PSL, sugeriram que o Livres fosse para o partido NOVO, mas alguns adeptos do Livres acham a direção nacional do NOVO centralizadora. Essa galera libertária e anarcocapitalista não entende que só com união se ganha uma guerra e isso vale para política.

A esquerda é muito mais unida que a direita no Brasil. Também há divergências sérias no campo esquerdista, mas na hora das eleições deixam por um momento as divergências de lado para derrotar o outro lado.