Datafolha: PSDB sonha com 2018; PT tem pesadelos

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O Instituto Datafolha divulgou na tarde deste sábado mais uma pesquisa da avaliação de governo. E os números são péssimos para a presidente Dilma. A avaliação positiva do governo caiu de 13% para 10%, enquanto a negativa subiu para 65%, só não é pior que a avaliação do presidente Collor.

Por regiões, a reprovação ao governo no Centro-Oeste é de 70%; 69% no Sudeste, 63% no Norte e no Sul, de 58% no Nordeste. Até 2 salários mínimos o governo é avaliado ruim ou péssimo por 62%, de 2 a 5 salários por 69%, de 5 a 10 salários por 65%; e quem recebe mais de 10 salários, 66%.

O recorte na parte por região e renda é trágico para o PT. Não cola mais o discurso do “nós contra eles” nem o “a elite insatisfeita com a ascensão social dos mais pobres”. São os mais pobres que estão engrossando os números da reprovação popular do governo, e são os mais pobres que estão sentindo a inflação em mais de 8%, desemprego aumentando e recessão na economia que pode ir para retração em 2015 para fazer o ajuste nas contas públicas, o que era a oposição que faria se vencesse a eleição passada, segundo a narrativa petista.

O povo está se sentido enganado, principalmente os mais pobres. Enganados pela presidente por um discurso na campanha e ações contrárias no governo. Tudo isso acrescentado aos escândalos sucessivos de corrupção e o desgaste de mais de 12 anos de PT no poder.

Simulação do Datafolha para corrida presidencial de 2018 mostra Aécio Neves com 10 pontos de vantagem para Lula (PT). A última vez que o instituto fez esse tipo de simulação já mostrava Aécio na frente do ex-presidente. Esse fato era inimaginável há dois anos. Lula mantinha blindada sua popularidade e parecia que venceria a próxima eleição voltando ao Planalto. Mas não se vence eleição por antecipação nem de véspera – vale para essa pesquisa também. O Senador Aécio Neves não pode pensar que já está eleito porque faltam mais de três anos para o pleito.

O PSDB, no entanto, tem que levar essa pesquisa e outras futuras em consideração na hora que for escolher o candidato tucano para a disputa de 2018. A disputa interna será grande entre os grupos de Aécio e do governador de São Paulo Geraldo Alckmin. Senador José Serra corre por fora só observando essa disputa tentando achar uma brecha para sua terceira disputa presidencial.

E Marina Silva? Ela tem seu eleitorado fixado entre os 19 milhões de 2010 e os 22 milhões de 2014 – margem de erro para mais ou para menos. O seu partido, a Rede Sustentabilidade, está quase pronto. Só esperando o novo julgamento para receber o registro no TSE. Marina aparece em terceiro na simulação que Aécio é o candidato do PSDB (35%, 25% e 18% respectivamente) e em segundo quando Alckmin é o representante tucano, um ponto atrás de Lula (26% a 25%) e 5 pontos na frente de Alckmin (25% a 20%).

É muito cedo, mas o cenário para sucessão da presidente Dilma está se desenhando e não é nada animador para o PT. Ainda tem uma disputa municipal no meio, em 2016. É nelas que o cenário fica mais nítido pensando na disputa de 2018.

Uma estrela (de)cadente

É com dor no coração que escrevo isso: Aquele PT, até 1990, não existe mais

O ex-deputado federal Roberto Jefferson concedeu uma entrevista esclarecedora para o jornal Folha de São Paulo neste sábado (6). O ex-presidente e “dono” do PTB disse algumas coisas que confirmam algumas dúvidas que pairam sobre o mundo político brasileiro.

O que me chamou mais atenção na entrevista foi a seguinte declaração de Jefferson:

Não é diferente. Infelizmente, as estatais são braços partidários. As empresas públicas ainda funcionam no financiamento dos partidos. O cara briga para fazer diretor da Petrobras. É para fazer obra positiva, a favor do povo? Não existe isso.

As estatais são as grandes promotoras da infraestrutura do país. Elas é que são fortes. Não tem empresa privada no Brasil. E tem as paraestatais, que são as empreiteiras. Funcionam em função do governo.

E o mais estarrecedor foi este trecho:

O Brasil não tem financiamento privado. O financiamento é público de segunda linha, mas é. Quem financia campanha no Brasil são as empresas que têm grandes contratos com BNDES, Banco do Brasil, Petrobras. Eu acho uma graça isso: “Temos que acabar com o financiamento privado”. Não tem financiamento privado, é estatal. Os empreiteiros não são privados, são braços das estatais.

E mais:

Havia mesada. A Lava Jato agora clareou isso. Por respeito à decisão do ministro [Luis Roberto] Barroso, eu só posso falar do passado. Mas o [Alberto] Youssef fazia pagamento mensal para vários deputados de partidos da base. Era aquilo que havia na época. As malas chegavam com R$ 30 mil, R$ 60 mil, R$ 50 mil. Não se comprovou porque não fotografaram.

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Há 10 anos e agora Roberto Jefferson vomita os conchavos que são feitos nos bastidores da política. E isso envolve toda a classe política do passado, do presente e do futuro próximo também – não me iludo com falsos moralistas com o discurso “contra a corrupção”. A reforma política não é urgente, já passou do tempo, só que não será feita por quem usufrui do sistema podre, carcomido, ou vai fazer um arremedo de reforma e se orgulhar que tirou-a do papel, como fez Eduardo Cunha. Uma falácia.

Mas só a reforma política não adianta. É preciso uma reforma administrativa nas empresas estatais e na máquina pública, uma reforma completa a outra. Trocar só os nomes e continuar com o sistema viciado é como trocar as moscas.

O PT traiu a nação. Mentiu descaradamente se passando por um “partido diferente”, defendendo a bandeira da ética e não adianta defender o partido argumentando que foi algumas “laranjas podres” ou “a corrupção não nasceu com o PT no governo” – isso é óbvio. José Dirceu era quem mandava no PT desde 1995 até 2005 e dava ordens no partido mesmo cassado e preso.

Também não adianta fazer campanha na internet com “O PT não vai matar o petismo”, o petismo já morreu, só falta descobrirem e enterrarem. Já está fedendo. Cada vez mais gente está acordando para essa realidade. É com dor no coração que escrevo isso: Aquele PT, até 1990, não existe mais. É preciso surgir um novo partido de esquerda. O PT atual não tem salvação e o PSOL não é uma alternativa segura. O PT faz as mesmas práticas dos demais partidos, só que de forma “gourmet” ou Padrão FIFA.

PT: A estrela já perdeu o brilho e está se apagando

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PT, Partido dos Trabalhadores, nasceu das bases da sociedade – movimentos sociais, sindicatos, igrejas, intelectuais e acadêmicos. Um partido que unia todas as camadas da sociedade porque defendia a ética na política e a justiça social. O PT era a esperança de uma mudança profunda, de uma guinada do Brasil, um salto para o “novo mundo”.

Lula era quase um “messias”, no entanto, existia muita rejeição do empresariado ao petismo devido ao radicalismo do partido. Mas esse medo foi deixado de lado e empresários e a classe média deram uma chance ao PT depois de três derrotas presidenciais seguidas (1989-1994-1998). O dia que a esperança venceu o medo. Foi assim que Lula venceu a eleição de 2002, com o empresário José Alencar como vice e um discurso menos radical comandado pelo marqueteiro Duda Mendonça acalmando o mercado.

No poder, Lula manteve a política econômica do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o que foi um acerto, desagradando a ala mais radical da esquerda do PT. A gota d’água foi a reforma da Previdência em 2003. Contrariando a orientação do partido, um grupo liderado pela senadora Heloísa Helena e pelo deputado Babá votou contra e a direção nacional do partido expulsou todos eles. Os dissidentes fundaram o PSOL.

Veio o mensalão e um “traído” Lula conseguiu a reeleição apostando na ascensão social da população mais pobre.

Mesmo com a pior crise econômica desde 1929 nos EUA e que contaminou o mercado global, o Brasil ficou quase imune a ela. O Governo apostou no consumo interno e conseguiu absolver os efeitos da crise, conseguiu preservar o emprego e a renda crescente dos trabalhadores. No final do governo Lula, o presidente tinha uma aprovação histórica de 87%, o que levou a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à vitória em 2010.

12 anos de governo do PT. Além do desgaste natural e erros na política econômica que levaram a uma inflação incomoda e crescimento baixo, fazendo o governo Dilma o de menor crescimento desde Collor, a operação Lava-Jato deflagrada pela Polícia Federal que investiga desvios na Petrobras agravou o quadro. O antipetismo foi crescendo e chegou a um ponto que os mais radicais não aceitam a reeleição da presidente Dilma, por uma diferença mínima (51,64% a 48,36%) contra Aécio Neves (PSDB), em 2014.

Movimentos criados via redes sociais como MBL (Movimento Brasil Livre) e “Vem pra rua” levaram às ruas de todo país multidões pedindo o impeachment de Dilma, inclusive com eleitores da presidente descontentes em razão do discurso de campanha conflitante com decisões tomadas no governo.

Uma provável onda de dissidentes assusta o PT. Primeiro, Marta Suplicy, 33 anos de partido, onde foi prefeita de São Paulo, ministra de Estado e atualmente senadora da República. Agora, com medo da rejeição ao partido princialmente no Estado de São Paulo, prefeitos do PT no interior ameaçam seguir o caminho de Marta – provavelmente para o PSB.

Encerro com um trecho desse editorial da Folha, que resume o momento do Partido dos Trabalhadores.

Se houve práticas corruptas, estas devem ser julgadas e condenadas pelos órgãos competentes; quanto às mentiras, elas já começam a cobrar seu preço em termos de prestígio e popularidade –uma fatura que o PT dificilmente deixará de pagar diante das urnas. Editorial do jornal Folha de São Paulo, 26/05/2015.

João Santana mudou de time?

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Nos filmes da campanha de 2014, João Santana apostou no “medo” para afastar os “fantasmas do passado”, se referindo aos tucanos e para desidratar Marina Silva, que vinha subindo nas pesquisas como um foguete antes mesmo de assumir a candidatura pelo PSB após a morte de Eduardo Campos. Marina chegou a abrir 10 pontos para Dilma numa possível disputa entre as duas no segundo turno.

O filmete mais marcante foi sobre a independência do Banco Central que Marina tentou colocar no debate eleitoral e foi trucida por causa disso. Na peça publicitária eleitoral de Santana, o BC independente serviria para os banqueiros fazerem a festa e aumentar os juros, o que tiraria a comida dos pratos dos mais pobres. A propaganda tucana de agora copia o modelo petista para denunciar o estelionato eleitoral praticado por Dilma/PT na campanha passada.

Mas fica a dúvida se precisava mesmo fazer uma propaganda tão óbvia ou se seria melhor o PSDB usar o valioso tempo que o partido tem direito para mostrar o que faria de diferente se estivesse no poder.

Na última eleição havia um sentimento de mudança que fez Aécio Neves encostar e quase vencer Dilma Rousseff, no segundo turno da eleição. Porém, o sentimento de que a oposição não satisfazia esse desejo por mudança acabou prevalecendo. Se o PSDB não ocupar esse espaço e perder mais essa chance outro partido pode fazer isso.

Quem mente por último, mente mais e melhor

Fábio Piperno 

Em momento algum da campanha de reeleição a presidente Dilma admitiu que promoveria modificações nos benefícios trabalhistas que estão agora na mira dos ajustes fiscais. Pelo contrário. Foi bem assertiva na defesa das conquistas dos trabalhadores, que seriam resguardadas, “nem que a vaca tussa”. Hoje se sabe que não é bem assim. A tosse da vaca pode não ter sido uma pneumonia. Mas ela anda resfriada. Os benefícios não foram retirados, como insinuam as oposições à direita e à esquerda. Mas foram, sem dúvida, modificados e a nova configuração dificulta-lhes o acesso por parte dos trabalhadores.

Em relação a esse necessário esclarecimento, a presidente, o governo e o envergonhado PT faltaram com a verdade. Na votação que aprovou a MP 665, a primeira dos ‘ajustes, o PT contribuiu com 54 votos em uma bancada de 64 deputados. O PCdoB entregou 11 de seus 13 votos. E a classe trabalhadora que confiou nas duas legendas ganhou motivos para se sentir traída.

Difícil mesmo será para os partidos governistas convencer seus tradicionais eleitores de que o ajuste era necessário e que será aprovado para o bem deles. E que, depois da tempestade do arrocho virá a bonança, com recompensas para os trabalhadores na forma de mais empregos e benefícios, que estarão imunes ao apetite dos tubarões, “nem que a vaca tussa”. Do outro lado, a oposição afirmou durante a campanha que 2015 seria um ano de sacrifícios na economia e que o governo precisaria cortar na carne. Quase ganhou a eleição. Bem, as pessoas mudam de ideia e com os parlamentares contrários ao governo não seria diferente.

Na votação da MP 665, os 51 deputados do PSDB que compareceram ao plenário votaram contra os ajustes. Outras legendas de oposição, como PPS e Solidariedade, acompanharam maciçamente os Tucanos. Apenas 8 deputados do DEM ousaram ser os estranhos do ninho, por conta de alinhamento ideológico com a proposta.

Mas os deputados do PSDB foram eleitos para isso? E o que pensam sobre os ajustes os mais ilustres economistas alinhados com o partido? Armínio Fraga, provável czar da economia em um governo Aécio, afirmou em várias entrevistas que considera ainda tímidos os ajustes. Ao jornal O Estado de São Paulo de 24 de janeiro respondeu com um “sinceramente, acho pouco” quando perguntado sobre se repetiria seu colega Joaquim Levy.

Senador mais votado da safra passada, o tucano José Serra disse em palestra à consultoria GO Associados, também no início do ano, que considera “modesto o ajuste fiscal promovido pela nova equipe econômica”. Não é difícil encontrar na internet declarações de Gustavo Franco no mesmo sentido.

Então, se defenderam um conjunto de propostas que contemplava os apertos na economia, realinhamento tarifário, cortes em benefícios e em gastos do governo, como é que os pragmáticos deputados tucanos agora tentam em bloco derrubar a tentativa, ainda tímida segundo seus próprios economistas, de promover ajustes? Quando é que faltaram com a verdade, na campanha ou agora?

Bem, a verdade é que se mudaram de ideia e não contaram para ninguém, restou ao menos o consolo de posar de defensor dos direitos dos trabalhadores. O que, convenhamos, é um bom antídoto para quem tenta neutralizar a ação do Partido dos Trabalhadores sobre esse segmento.