O PT demoniza a palavra “privatização” porque muita gente ainda tem ojeriza das privatizações dos anos 1990, muito disso graças ao PT oposição. As privatizações do governo FHC ganhou o nome de “privataria tucana”, que rendeu até um livro do jornalista Amaury Ribeiro Júnior, e esse nome foi popularizada rapidamente. No governo, o PT faz um verdadeiro malabarismo para fugir da palavra “privatização”. Tanto é que o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, teve que corrigir seu secretário que disse que o governo municipal pretendia privatizar o Centro de Convenções do Anhembi. Haddad disse que não é bem assim. Seria em regime de concessão. Para o PT, privatização é pecado. Concessão, não.
Agora, com caixa zerado, o governo Dilma quer voltar com o modelo de concessões aplicado no governo FHC. É mais uma bandeira histórica que o governo petista guarda no fundo do baú.
Há, também, a questão do brasileiro ser, em sua maioria, estatista. A prova está na pesquisa Datafolha que 62% não quer a privatização da Petrobras, apesar dos escândalos de corrupção e endividamento da empresa.
As privatizações do governo FHC foram boas e ruins ao mesmo tempo. Boa porque expandiu a telefonia para todos. A parte ruim foi o jeito que as privatizações foram feitas. O hoje senador José Serra (PSDB/SP), que na época era o ministro do planejamento, fez um modelo que privilegiou um grupo de empresários e banqueiros, o mercado de telefonia ficou concentrado, um oligopólio, com o serviço sendo um dos que mais recebe reclamações dos consumidores.
Mas ninguém aqui quer reestatizar o sistema e ressuscitar a Telebras. Ocorre que tem que ser dito a verdade e vamos dar às coisas os nomes que elas têm. Foram cometidos erros na privatização do sistema de telecomunicações no governo do PSDB e o PT têm que parar de eufemismos.
Se você tem algum elo de ligação com um governo/partido rival do que você fica em cima direto, você perde a legitimidade da crítica, do deboche ao chapa-branca governista
Alguns ditos liberais brasileiros odeiam intervenção estatal e vantagens do governo, mas adoram uma teta governamental quando convém. Não tem nenhuma irregularidade nesse caso aqui, mas tem um conflito de interesse grande aí. Isso ninguém pode negar. Todo mundo tem um pouco de telhado de vidro.
Não adianta você arrotar ética contra alguém porque um dia será sua vez de experimentar um arroto desse tipo na sua cara. A crítica a qualquer governo é saudável e denúncias de falcatruas de governos são essenciais para a democracia, a internet é um bom lugar para isso.
Mas se você tem algum elo de ligação com um governo/partido rival ao que você fica em cima direto, você perde a legitimidade da crítica, do deboche ao chapa-branca governista. É conflito de interesse. Debochar do governista pago tendo algum elo com a oposição é incoerência e hipocrisia. Bater forte em tal partido e no governo dele, mas receber dinheiro público dos governos dos partidos de oposição a ele ou receber gordos patrocínios estatais, qual é a diferença? Nenhuma. Ambos os lados estão errados. Isto é fato!
Em tempo, o caso envolvendo o site Implicante não absolve os blogs ditos “progressistas” que são financiados com patrocínios de empresas estatais e pelo PT. O caso é só a prova do Fla-Flu ideológico na internet e que está entrando na política institucional brasileira, especificamente nos partidos políticos. É muito grave.
Reportagem no jornal Folha de São Paulo mostra que a economia da região Nordeste começa a sentir o efeito da crise que passa o país. A região que vinha experimentando um crescimento chinês começa a desacelerar a economia. Esse sem dúvida é o principal motivo da rejeição ao governo da presidente Dilma na região ter disparado de 11% para 55% no último Datafolha.
Já foi comentado aqui que votar por interesse não é errado. Os nordestinos vêm votando em massa no PT nas últimas eleições presidenciais e por isso muitas mensagens de ódio aos mesmos nas redes sociais pelos resultados das eleições de 2010 e 2014. O Nordeste também já votou em peso no PSDB, quando este venceu a eleição de 1994. Fernando Henrique Cardoso venceu em todos os Estados nordestinos naquela eleição.
Existe um ditado que o “eleitor vota pelo bolso”. Talvez seja verdade. Talvez não, é verdade. Mas isso não é errado. Se a economia estiver rodando normal, se as pessoas têm trabalho e uma renda fixa e que dê para usufruir não só do básico, mas também para cultura e lazer é claro que o eleitor vai optar pelo governante que está no poder esperando que os ganhos continuem e melhorem.
Quando a economia desacelera e a inflação começa a corroer os ganhos, a população fica descontente com o governo de plantão e isso reflete na popularidade do governante. E se a crise persistir por muito tempo sem dúvida vai ter influência na disputa presidencial de 2018. Até antes, nas eleições municipais de 2016.
Um bom número de brasileiros (não importa se 1 milhão, 500, 200, 50, 10 mil ou 10 pessoas) foram às ruas para protestar contra a corrupção nesse domingo, 15 de março de 2015, dia que se comemorou os 30 anos da Nova República, contra o governo Dilma, contra o PT, contra a incompetência do Poder Público. Teve também os acéfalos que pedem intervenção militar. Só na democracia isso acontece. Em ditaduras você não pode expressar seu desejo por democracia sem correr risco até de perder a vida.
Claro que petistas e esquerdistas tentaram e tentam desqualificar os protestos pacíficos e democráticos mostrando cartazes de intervenção militar nas manifestações, buscando histórias bem duvidosas – exemplo um cachorro espancado por pessoas de camisas amarelas que estavam nos protestos porque o cachorro estava com um lenço vermelho no pescoço – e tentando diminuir o impacto usando os dados do Datafolha, que diz que foram 210 mil no protesto em São Paulo, não 1 milhão como disse a PM paulista (PM do Alckmin… Repetem os papagaios). Como se 210 mil fossem nada… É muita gente, em ato político só perde para a campanha Diretas já!
Outros acusam a imprensa (PIG, PIG, PIG) de tramar um golpe contra o governo do “povo”, dos “oprimidos”, da classe operária. Esquecendo-se dos bancos lucrando apesar da crise e do PIB zerado quase negativo. Tenho pra mim que muitas pessoas têm uma relação com o petismo parecido com a SÍNDROME DE ESTOCOLMO. Nem se o Lula ou a Dilma espancar uma gata PRENHA ainda encontrariam um jeito de defender os dois e o PT.
“O PT não é o único partido político corrupto nem inventou a corrupção”. Correto, mas o partido nasceu para corrigir essa falha da política entre outras bandeiras rasgadas, defendeu por muito tempo à bandeira da ética na política e, ao subir ao Poder, cometeu práticas de corrupção piores. O PT está provando do próprio veneno. Na oposição o partido fazia várias manifestações pedindo FORA FHC. Petistas pediam em artigos nos jornais o impeachment do Fernando Henrique, sem motivo.
Mas o pior é o MINISTRO Miguel Rossetto levando o discurso da militância para dentro do Palácio do Planalto. Golpistas, ataque a democracia, eleitores da oposição. Sério, ministro? O senhor foi a TODAS as cidades que teve protesto e perguntou um por um dos manifestantes em quem votou na última eleição? “A grande participação é de eleitores que não votaram na Dilma.”. Não acredito que o ministro acha isso mesmo. Se achar, está muito por fora da realidade. E até um SENADOR DO PT discordou do ministro do governo que ele representa.
Mesmo se fossem apenas os eleitores do Aécio Neves (51 milhões), da classe média, da “elite branca coxinha reacionária”, os protestos seriam LEGÍTIMOS! E a imprensa é livre (GRAÇAS A DEUS NÃO estamos na Venezuela) para noticiar um protesto dessa magnitude e do jeito que desejar. Só seria condenável se jornalistas e comentaristas incentivassem a população contra a ordem pública e a democracia, o que passou longe (MUITO LONGE, KILOMÊTROS DE DISTÂNCIA) de acontecer.
O que mais revolta no governo Dilma – incluindo a presidente e ministros – é a incapacidade de reconhecer erros e o estelionato eleitoral praticado na eleição. Governo diz que entendeu o recado das ruas, mas não consegue fazer mea-culpa, joga a culpa nos “não eleitores”, promete pacote anticorrupção que não sai nunca e ainda vem com esse papo de financiamento público de campanha, ou seja, mais uma conta para o povo pagar. A impressão é que o governo está atônico e não sabe como recuperar um pouco da popularidade perdida.
Contudo, sou contra o impeachment da presidente por ora. Mas deixem o povo ir às ruas e manifestar-se contra a degradação da política nacional. Se essas manifestações pelo país conseguirem pelo menos destravar a reforma política já vai ser uma grande vitória.
Impossível de saber se aqui só tem não-eleitores do PT
O aguardado programa nacional de TV e rádio do PMDB não teve nenhuma bomba, mas deixou um recado ao PT. Bem produzido e com uma cara da série americana “House of Cards”, o destaque foi a não menção do nome da presidente Dilma Rousseff em nenhum momento dos 10 minutos do programa partidário do vice-presidente eleito na chapa do PT, que também não teve o nome citado.
Até parecia que o presidente da República eleito era o Michel Temer, do PMDB.
Está claro que o casamento entre PT e PMDB acabou. É aquele casamento que se mantém apenas nas aparências, com o prazo de validade vencido, só esperando o momento de pular fora. O programa dos peemedebistas foi um recado ao PT: a partir de hoje é cada um por si.
Dilma vai precisar de muitos cargos para acalmar aquele que, em tese, seria o seu fiel aliado, o partido do seu vice-presidente. O PMDB deixou claro que não vai morrer abraçado com o PT, nem vai defender a presidente em um eventual processo de impeachment.