Parabéns, Datafolha, Folha e Globo

Que papelou Datafolha, Folha de SP e TV Globo fizeram. Manipulação grotesca da nova pesquisa presidencial do segundo turno.

Nos votos totais (incluindo brancos/nulos/indecisos), Flavio tem 47% e Lula, 46%. Separando votos válidos, o instituto, o jornal e a tv falam em empate numérico 50% a 50%. Só tem detalhe um detalhe que não passou despercebido por quem sabe fazer conta: Flavio ficaria com 50,53% contra 49,46% de Lula.

Quem aprendeu matemática básica sabe que se arredonda para cima. Ou seja, o número maior e não o menor como fez Datafolha e Folha. O certo é 51% a 49% ou 50,5% a 49,5% para o Flavio.

O glorioso instituto Datafolha vem errando há anos e justificando seus erros com teorias. No primeiro turno de 2026 erram a pontuação do Flavio Bolsonaro por 5 pontos, já descontada a margem de erro da pesquisa do instituto em 2 de outubro.

Não sei se é por preferência partidária ou se tem algo mais. Seja o que for, é falta de ética.

Datafolha: avaliação Lula e Bolsonaro próximas reflete polarização

Pesquisa Datafolha que mostra as avaliações de Lula e Bolsonaro semelhantes no mesmo período dos seus respectivos governos reflete o período de país dividido. Essa divisão está difícil de ser superada e não deve ser por muito tempo.

As redes sociais ajudam na polarização. Em busca de engajamento as pessoas se dividem em tribos e uma não conversa com a outra.

Os políticos vendo que a polarização os ajuda fazem é inflamar suas militâncias. Qualquer um que busque furar essa bolha é logo rotulado de “isentão”. Apesar disso a maioria das pessoas se sentem cansadas dessa divisão, mas por mais paradoxo que pareça as tribos são mais fortes, barulhentas e influenciam pessoas.

Por outro lado, a pesquisa serve de alerta para o governo Lula. Sua aprovação perto da do governo anterior é um sinal que a população não sentiu muita diferença e combinado com o resultado da última eleição apertado como foi uma brecha a oposição volta ao governo. Além do mais, Lula está cada vez mais longe da frente ampla que o elegeu.

24% aprovam governo Bolsonaro; 49% querem o impeachment, diz Datafolha

O Datafolha verificou a popularidade do atual governo e detectou uma piora no quadro.

Apenas 24% aprovam o governo de Jair Bolsonaro (sem partido); 45% de rejeição. É o pior resultado desde o início do governo.

Datafolha também pesquisou o tamanho do apoio ao impeachment. Para 46%, o Congresso não deve abrir processo contra Bolsonaro, contra 49% que deveria abrir um processo de afastamento.

Eleitores de Lula, estudantes, funcionários públicos e moradores do Nordeste formam o bonde do impeachment. Empresários, evangélicos, moradores do Sul e quem ganha de 5 a 10 salários mínimos são contra afastar o presidente.

O destino de Bolsonaro está na economia

Nova pesquisa Datafolha de avaliação do governo Jair Bolsonaro (sem partido) mostra queda na sua aprovação e elevação da reação negativa. Houve uma queda na avaliação positiva do governo e paradoxalmente a maioria não deseja a saída de Bolsonaro por meio de um impeachment nem a renúncia do presidente. Mostrando que sua base popular ainda é bem numerosa e resiliente.

O processo de impeachment do presidente da República apesar de ter duas pernas – jurídico e político – é mais político, é arrastado e muito traumático. O Brasil passou por um há 5 anos. Além disso, Bolsonaro aliou-se ao baixo clero do centrão para dirimir qualquer risco de impeachment. Já está e ficará mais caro se o candidato que o governo apostou suas fichas – Arthur Lira (PP-AL) – vencer a eleição para presidência da Câmera dos Deputados.

Baleia Rossi (MDB-SP), o principal adversário de Lira, votou mais com o governo. O ex-presidente Michel Temer já avisou a Bolsonaro em caso de vitoria de Baleia, que ele não será oposição. Ou seja, só com grande pressão da sociedade para o processo de impeachment ser instaurado. E não tem povo na rua por causa pandemia.

Mesmo que se forme uma onda pró-impeachment na sociedade, vai precisar primeiro combinar com o “russo”, o vice-presidente da República. Sem anuência do vice, sem impeachment. Apesar de não ter um bom relacionamento com a ala ideológica do governo, principalmente com os filhos do presidente e ter altos e baixos com o próprio, Hamilton Mourão não rompeu com Bolsonaro e rechaça participar de uma articulação para ocupar a cadeira do seu parceiro de chapa e de Exército, por enquanto.

Mas política é como nuvem: uma hora está de um jeito, você olha minutos depois e está de outro. A tendência é a turbulência se agravar com a explosão do desemprego que está por vir com o fim do auxílio emergencial, já se encontra em níveis alarmantes.

A economia de um país roda quando um ambiente de negócios está normal para as empresas investirem gerando empregos e renda. Porém, é necessário de um mercado consumidor disposto a consumir e o governo é quem pode prover com medidas de estímulo, sem descuidar da responsabilidade fiscal. As reformas estruturantes precisam caminhar paralelamente com medidas mais urgentes.

Mas Paulo Guedes e a equipe econômica só falam em “reformas estruturantes” que são importantes para o país, mas são para o médio e longo prazo. Um governo de uma nota. É verdade que o estado de calamidade findado em dezembro passado estrangulou a capacidade de endividamento do poder público. Mas o governo não pode deixar que milhões sejam tragados para a pobreza extrema (milhões já foram) e a fome que voltou a ser um flagelo ganhe proporções trágicas.

O governo também não pode enviar as reformas para o Congresso fingindo que fez a sua parte e quando não consegue nem fazer tramita-las joga a culpa exclusivamente no Legislativo.

A PEC emergencial para que a emenda do teto de gasto não seja uma ficção e o Estado não entre em insolvência afastando investidores. É preciso tirar do papel a mais que urgente reforma tributária, ao menos inicialmente simplificando e tornando mais racional o caótico sistema tributário, adotando posteriormente um modelo mais justo.

A reforma política também é necessária, mas uma reforma de verdade e não um arremedo que fazem um ano antes de cada eleição. E tem que, como diz o ditado político, “cortar na própria carne” para ganhar a confiança e apoio da população nas reformas impopulares, mas indispensáveis. Entre elas está a reforma administrativa. Uma reforma do Estado cortando privilégios da elite do funcionalismo público é necessária, mas sem demonizar nem fazer caça às bruxas aos servidores públicos.

O dilema de Bolsonaro

Entre os “farialimers” e a reeleição

A popularidade do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) continua subindo e a avaliação positiva já é numericamente maior. Pelo Datafolha, os que acham o governo ótimo/bom foi de 32% para 37%, a queda de ruim/péssimo foi mais acentuada: 44% para 34%. 27% consideram o governo regular e 1%, não sabe.

Apesar de ter na região a aprovação mais baixa, ainda, o presidente viu sua impopularidade despencar no Nordeste: 52% para 35%. Sua popularidade entre os nordestinos subiu 6 pontos atingindo 33%. A alta na avaliação popular coincide com a virada do presidente no trato com as instituições após a prisão de Fabrício Queiroz, principalmente com o Congresso, mas o auxílio emergencial é o principal motivo da elevação da popularidade.

O problema para manter esse crescimento na popularidade vai ser encontrar espaço fiscal para o Renda Brasil, impulsionar o MCMV e reativar várias obras paradas sem que tenha que furar o teto de gasto. O déficit fiscal vai terminar 2020 em 800 bilhões e o estado de calamidade que vai até 31/12 pode ser prorrogado. Vai depender quem vai ganhar a disputa dentro do governo. Se a ala mais austera ultraliberal de Paulo Guedes ou uma mais pragmática com apoio dos militares.

Bolsonaro foi eleito com o voto majoritário da classe média e dos ricos, está aos poucos migrando para o eleitorado mais pobre em um movimento muito parecido que Lula fez no primeiro mandato. A diferença é que Lula tinha a economia em crescimento, Bolsonaro tem uma crise econômica, sanitária e um buraco gigante nas contas públicas. O presidente se encontra entre continuar tendo o apoio do mercado e o projeto reeleição.