
Nas últimas semanas veio ao público a notícia de que o Grupo Bandeirantes (influenciado pelo Agronegócio) e o Grupo Record (influenciado pela Igreja Universal do Reino de Deus) apoiarão na surdina o candidato Jair Bolsonaro (PSL) contra o candidato Fernando Haddad (PT) no segundo turno da eleição presidencial de 2018. E foi confirmado nos últimos dias por matérias do portal R7, controlado pelo Grupo Record, entrevista com Bolsonaro na hora do último debate com outros candidatos, além de uma matéria do The Intercept relatando constrangimento de jornalistas do R7, com tal interferência no jornalismo.
O candidato Haddad criticou o Bispo Edir Macedo e Paulo Guedes, futuro ministro da economia em um governo Bolsonaro, acusando uma união entre o “neoliberalismo com fundamentalismo charlatão” e ambos só “pensam em ganhar dinheiro”. A Universal respondeu Haddad em um editorial no programa Fala Que Eu Te Escuto. Lembrando que a Universal apoiou publicamente o PT nas disputas presidenciais de 2006 a 2014.
A questão é mais ampla abarcando a liberdade editorial de meios de comunicações e ética no jornalismo. Tanto o Grupo Record e Bandeirantes podem declarar seu apoio a um candidato de acordo com seus dogmas. Se preferem o candidato Bolsonaro por vários motivos – entre eles o medo que grupos de comunicações têm do PT falar em controle de mídia ou por questão religiosa, ambiental ou mesmo por visões sobre a economia – é um direito que a Constituição garante a liberdade editorial de imprensa a um veículo declarar publicamente apoio a um candidato assim como existe nos EUA.
Agora, no Brasil, as empresas de comunicação não fazem uso da liberdade editorial e preferem camuflar apoio ou repulsa a candidatos com matérias jornalísticas enviesadas, seja nos jornais impressos, revistas semanais, rádios, TVs e recentemente nos portais de internet. Aí é que está o erro do R7. Poderia fazer campanha abertamente para o seu candidato escolhido em editoriais no portal e na Record TV, assim como a Band poderia fazer também, mas os meios de mídia brasileiros preferem a falsa isenção – Band e Record não são os únicos – para não fechar as portas do governo independente quem ganhe a eleição.
O jornalista, vereador e Senador eleito, por Goiás, Jorge Kajuru diz uma frase que é muito verdadeira: Não existe liberdade de imprensa no Brasil, existe liberdade de empresa. E a culpa é das próprias empresas de mídia que não fazem uso da liberdade editorial que a Constituição garante por puro mercantilismo, de olho nos milhões da publicidade governamental.