Mais capítulo da guerra institucional

É uma guerra institucional que pode levar o Brasil a conflagração

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Não tem como comemorar a prisão de mais um ex-presidente e não é apenas pela tragédia de ter dois ex-presidentes enjaulados. Só esse fato é de envergonhar qualquer nação. Mas o que me impede de sair soltando fogos que agora poderosos estão indo para cadeia e o Brasil deixando o famoso PPP (só prende preto, pobre e puta) de lado, não é por Temer ter feito muito em pouco tempo de presidência, de ter pegado um carro desgovernado de Dilma (aliás, estou esperando “Nossos heróis” fazer uma visitinha em uma manhã qualquer a ela) e entregado a Bolsonaro bem mais dirigível.

Na letra fria da Constituição a prisão de Lula é um arbítrio, porque não se esgotou todos os recursos, assim como a prisão de Michel Temer é mais uma jogada de quem quer engolir as instituições; jacobinos e iludidos comemoram o “fim da impunidade”. A prisão de qualquer cidadão, sem nem ainda ter sido julgado, já não é um bom sinal e digno de preocupação por quem quer Justiça, não justiçamento. De um ex-presidente, então, acende o alerta que esse pessoal não está de brincadeira no seu projeto de poder.

É uma guerra institucional que pode levar o Brasil a conflagração que ocorre normalmente em países poucos estruturados institucionalmente. A Lava Jato foi acusada por petistas de ser parcial e partidária. Acertaram errando. A Lava Lato é partidária sem partido, o partido que procuradores e juízes defendem é da corporação “lavajatista”, viram na operação a chance de ouro e única de tomar o poder sem largar a toga para pedir voto.

Se cometem um arbítrio contra uma ex-alta autoridade da República, o que fazem e farão contra os plebeus? E se objetivo dessas prisões de hoje forem para o STF soltar os envolvidos, pelo flagrante absurdo jurídico, minando ainda mais a credibilidade perante um povo com tochas na mão? É um futuro assustador que se avizinha de um país que há oito anos atrás teve um crescimento de quase 10% no PIB, com inflação controlada, ascensão social e vislumbrava sediar megaeventos como Copa do Mundo de futebol e uma Olimpíada.

Aqui não se trata de defender Temer ou Lula e qualquer outra autoridade que esteja enrascada nos próprios erros e na soberba de que nunca seria pega delinquindo. Quero Justiça, o que é diferente de justiçamento a qualquer preço. Não referendo quem usa a força da caneta carregada pelas leis para não fazer a Justiça, para fazer justiçamento, defesa de corporação e jogo de interesses por poder. Não sou fantoche de político, de togado e não quero ser de procurador pop star.

Não é fácil ir contra a maré e ser o “chato” que chega na festa com a notícia ruim. Mas me sinto na obrigação moral de ao menos deixar um aviso de alerta mesmo que não seja ouvido (lido) por ninguém.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

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