
Os jacobinos viram na “Operação Lava Jato” a chance de limpeza na política. Para o bem ou para o mal e propositalmente ou não, a operação foi responsável por um grande expurgo na política, mais refletida na renovação ampla no Congresso Nacional, também nos governos estaduais e colaborou na vitória do presidente Jair Bolsonaro. Procuradores pop stars se sentiram tão emponderados que perderam completamente o foco e seus limites constitucionais usando as redes sociais para pressionar superiores do Judiciário quando querem impor seus desejos mesmo que eles firam as leis e a própria Constituição.
O mais recente exemplo é o acordo do Ministério Público do Paraná com autoridades americanas e a ideia de instituir uma fundação que contaria com representantes do MP/PR para gerir bilhões de dinheiro da Petrobras recuperados de multas para evitar processos lá fora por causa dos desvios na estatal. Procuradores ignoraram completamente os seus limites de atuação e estavam criando um Estado paralelo supostamente para usar esse dinheiro no social e em mecanismos que inibiriam a corrupção.
Deltan Dallagnol e cia não pensam duas vezes em jogar a matilha contra juízes que ousam ir contra as autoridades da República de Curitiba. Para os nobres procuradores da Lava Jato a operação sempre está correndo perigo. Há uma mistura de alucinação e método. Alucinação ao ver inimigo em qualquer ato que não diga amém ao Ministério Público ou endeusamento da Lava Jato e método é que a criação de inimigos que não existem é estratégico para alimentar os devotos do lavajatismo. Não é que não existam quem deseja “estancar a sangria”, mas jogar todos os políticos e até parte do Judiciário na mesma cesta não só é errado como perigoso para o Estado Democrático de Direito, a democracia e a integridade nacional.
Por exemplo, o julgamento que decidiu, por apertada maioria, que supostos crimes de “caixa 2” conexos a outros têm que primeiro passar pela justiça Eleitoral mostrou, mais uma vez, a histeria de procuradores com o propósito de jogar os devotos liderados por Deltan contra o STF.
O artigo 35 do Código Eleitoral é cristalino:
Art. 35. Compete aos juizes:
II – processar e julgar os crimes eleitorais e os comuns que lhe forem conexos, ressalvada a competência originária do Tribunal Superior e dos Tribunais Regionais
Mas fizeram um terrorismo de vida ou morte estrategicamente como parte de uma disputa de poder dentro da Procuradoria-geral da República e um cabo de guerra entre Ministério Público/Justiça Federal contra tribunais superiores (STF e STJ), com desdobramentos políticos. Não tem risco de processos já em cursos ou outros que já deram em condenações sejam revertidos pela decisão de ontem. Lula, Eduardo Cunha, Sérgio Cabral, Marcelo Odebrecht, Léo Pinheiro não terão seus casos enviados para JE de uma hora para outra. O Lula não vai ser solto porque o STF seguiu a letra fria da lei (pode ser por outros julgamentos, como seu recurso especial ao STJ que está para ser julgado ou o julgamento da constitucionalidade da prisão após a segunda instância no STF), o que deveria ser sempre assim e não ativismo judicial por parte de alguns ministros que querem legislar sem voto ou por populismo.
Uma coisa é você não gostar de uma lei. Outra coisa é querer passar por cima dela de qualquer jeito. Se uma lei incomoda tanto pressione os deputados e senadores para mudá-la. Principalmente os eleitos que você confiou seu voto na última eleição. O que não pode é postar em redes sociais calúnias, difamações e até ameaças contra ministros da Suprema Corte.
Que país queremos com atitudes criminosas, com práticas que alimentam o ódio contra autoridades? Querer passar o Brasil a limpo com práticas criminosas é incoerente. Deslegitimar poderes constituídos na base da calúnia, difamação, ódio, ameaças é destruir a democracia e isso ameaça os direitos fundamentais mais básicos. Jogar a matilha contra autoridades que não gosta em mensagens curtas, textos e artigos, vídeos não é o papel de procuradores. Insuflar campanhas contra instituições por interesses – muitos nebulosos – acaba em sangue derramado.
Ameaça Jacobina? Se não fosse a Lava Jato, a AMEAÇA BOLIVARIANA teria se tornado real, e hoje estaríamos nos tornando UMA VENEZUELA CONTINENTAL, simples assim.
Quando alguns entenderão que a velha política, representada pela falsa rivalidade PT VERSUS PSDB foi abalada pela Lava Jato de tal forma, que a mesma não voltará a ter o antigo poder? Não adianta, a história será favorável ao que o próprio Lula chamou de REPÚBLICA DE CURITIBA. Por mais que alguns tentem, não existe caminho de volta, essa é uma etapa histórica que tende a ser superada, petistas e tucanos que lamentem o quanto quiserem, o passado não volta mais.
Concordo. Aliás, as manifestações dos membros do MPF nas redes sociais são inapropriadas desde sempre e diversos limites foram ultrapassados nos últimos anos. O episódio da ONG foi a gota d’água, pois a repercussão foi péssima.
A turma de hipócritas de Curitiba se pretende a mais competente e a única isenta e confiável para combater a corrupção.
Tanto que pressiona a PGR para mandar para lá casos que não são da sua jurisdição e não têm a ver com o Petrolão, alvo da Lava Jato, como ocorreu no caso de Paulo Preto.
No fundo, não querem perder os holofotes e voltar à labuta comum do dia-a-dia, pois se tornaram celebridades, youtubers, frequentadores de rodas de artistas.
Por isso a Lava Jato não pode acabar. Tomaram gosto.