
Mais de oito horas foi o tempo da sabatina de Sergio Moro no Senado. Foram 40 inscritos para falar e questionar o ministro sobre os vazamentos de mensagens em doses homeopáticas do site Intercept Brasil. Desses 40, só 12 foram de oposição ao ministro e pouco souberam explorar as suas contradições. Talvez o que mais chegou perto de emparedar Moro foi Renan Calheiros, o que os inquéritos contra o senador favorecem o ministro nesse embate junto à opinião pública.
Sergio Moro pode sair fortalecido de tudo isso, assim como Jair Bolsonaro saiu fortalecido da campanha “ele não”, porque a esquerda e seus opositores estão errando aqui como erraram lá atrás. Apesar do impacto inicial ter derrubado a popularidade de Moro, a sua credibilidade não foi arranhada no núcleo duro de apoio da Lava Jato. O lado ideológico do site e o método questionável de ir divulgando as mensagens que estão em poder dos jornalistas ajudam os defensores do ex-juiz na sua defesa e o próprio a ganhar anticorpos a futuros vazamentos.
Sergio Moro já demonstrava como juiz ser um estrategista digno de um veterano da política. Nos primeiros meses como ministro da Justiça e Segurança Pública estava um pouco perdido no trato com políticos e protagonizou embates com Rodrigo Maia, por causa do pacote anticrime, mas aos poucos foi entendendo como funciona o jogo político. Com esse episódio e a tentativa de desgastar sua imagem, precisando ganhar a opinião pública no duelo de narrativas, a impressão é que mudou seus planos esquecendo a cadeira de Celso de Mello no STF – até porque ficou difícil – para um novo objetivo: sucessão presidencial.
Moro está cada vez mais político, o que ele sempre rechaçou e disse que era um “ministro técnico”. Sempre tive um pouco de dúvida se Moro realmente tinha intenção de virar ministro do STF ou trilhar uma carreira política. Se tivesse que arriscar hoje, apostaria na segunda opção.