
O presidente Rodrigo Maia se consolida como o “Senhor Reforma” – parafraseando o “Senhor Diretas” de Ulysses Guimarães durante a campanha “Diretas, já” e na Constituinte de 1988. Consolida, assim, a liderança do Parlamento brasileiro em um momento histórico do país. Toda a costura para que fosse possível concluir o primeiro turno da reforma da Previdência antes do recesso tem o DNA de Maia e do “centrão”, ambos transformados em “vilões” pelos radicais de internet e chancelado pelo governo.
Maia viu o vácuo de liderança e o ocupou, o poder não aceita vácuo. O placar superando as mais otimistas perspectivas o deu mais força e o xeque-mate foi o discurso contundente na noite do dia 10 antes de abrir o resultado da votação do primeiro turno. Sem o “centrão” não tinha reforma nem de R$ 1 levando o colapso total do Estado e o fracasso do governo Bolsonaro. E os destaques aprovados que enfraqueceram um pouco a economia em 10 anos fazem parte do jogo para se chegar em um consenso.
O momento atual sopra a favor de quem defende o Parlamentarismo como sistema de governo, aliás, a Constituição de 88 foi elaborada para o Parlamentarismo. Só que os adeptos do Presidencialismo conseguiram de última hora enfiar um plebiscito (realizado em 1993) para a população escolher o sistema de governo dando no Frankenstein que é uma Constituição Parlamentarista com um regime Presidencialista.
Enquanto isso o presidente Jair Bolsonaro fica na sua agenda ideológica e quase Imperial, inclusive chegando ao ápice de indicar o próprio filho e deputado Eduardo Bolsonaro para a embaixada do Brasil nos EUA. Comete o erro de querer “presentear” o filho com uma embaixada das mais importantes. A provável indicação de Eduardo para embaixador brasileiro na América leva consigo problemas jurídico, moral e ético, além de comprometer o discurso meritocrático do presidente na campanha. Independente se o “03” tem alguma credencial para o cargo, o desgaste de sua indicação não compensa qualquer vantagem do filho presidencial na embaixada americana.
Nem os apoiadores, influenciadores digitais de primeira hora do bolsonarismo, gostaram dessa arriscada jogada e dentro do próprio PSL não caiu bem o deputado mais votado da história e atual presidente do partido, em São Paulo, deixar quase 2 milhões de eleitores com o sentimento que jogaram o voto no lixo. É entregar de bandeja uma pauta para opositores em um momento que a esquerda está atordoada com a estrondosa derrota na Câmara.
Por falar em esquerda, esta humilhante derrota sacramenta o isolamento da mesma. PT se prendeu ao “Lula livre”, Freixo e Boulos transformaram o PSOL em puxadinho do lulismo e levaram o partido para essa. Enquanto Ciro Gomes sonha com a “cirocracia” custe o que custar, até ceifar jovens lideranças com uma cabeça mais arejada na esquerda repetindo Lula cortando pela raiz quem o ameaçava como grande liderança no partido.
O Brasil se encontra com um governo que tem uma ala reacionária que defende um Judiciário jacobino e um presidente que não consegue se comportar como presidente, uma oposição sem rumo apostando no caos e um vazio silencioso no centro. No que vai sair disso é imprevisível.