Rodrigo Maia acerta em não pautar impeachment

O presidente da Câmara mostra responsabilidade

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Quem está ávido para que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) seja cassado cobra do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), que paute ao menos um das dezenas de pedidos de impeachment. No programa Roda Viva da última segunda-feira, 03, Maia esclareceu os motivos que o levam a sequer arquivar. E seus motivos são corretos.

Primeiramente, disse não encontrar crime de responsabilidade nas dezenas de denúncias que chegam na sua mesa contra Bolsonaro. Apesar da imprudência e às vezes o pouco caso do presidente com os quase 100 mil brasileiros mortos pela Covid-19, dos ataques às instituições que deram uma parada, não há crime de responsabilidade cristalino e irrefutável.

Mas a principal razão é que o processo de impeachment é mais político do que jurídico. O presidente detém 30% de apoio da população. Dilma foi cassada por ter perdido apoio popular e político. As “pedaladas fiscais” foram o pretexto jurídico encontrado. Michel Temer teve duas denúncias por crime comum “congeladas” pela Câmara mesmo tendo entre 3% e 5% de aprovação quando foram votadas, em 2017. Temer tinha apoio político, mesmo sem apoio popular. Impeachment é doloroso e traumático, e o último é uma ferida aberta que demorará anos para cicatrizar.

Voltando ao Rodrigo Maia, ele também explicou o motivo de não arquivar, já que não vê crime de responsabilidade. Se arquivar um deputado pode pedir recurso ao plenário e toda energia no Parlamento focada em medidas contra a pandemia e para mitigar os efeitos econômicos se volta para guerra política governo versus oposição. O presidente da Câmara mostra responsabilidade.

Maia também sabe que uma vez aceito o processo de impeachment, ele passa ter a cara de quem assinar a denúncia e de quem libera para apreciação dos parlamentares. Não ter os votos para concretizar o afastamento do chefe do Executivo é uma derrota do presidente da Câmara. E os presidentes da Câmara dos impeachments de Collor e Dilma, Ibsen Pinheiro e Eduardo Cunha, tiveram seus mandatos cassados por problemas com a Justiça.

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Autor: João Paulo

Editor-chefe de Brasil Decide

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