A avaliação do governo do presidente Jair Bolsonaro continua se recuperando atingindo 40% de ótimo e bom, a reprovação caiu para abaixo de 30%, segundo pesquisa Ibope encomendada pela CNI. Bolsonaro está conseguindo algo que poucos imaginavam que seria possível penetrar nas cidadelas do lulopetismo, principalmente no Nordeste. Deve-se ao auxílio emergencial, não é possível minimizar sua força, mas não só.
A postura do presidente mais de acordo com o cargo sem perder a genuinidade popular que o conecta com o povo também ajuda e obras e ações que beneficiam diretamente comunidades. Um governo quando entra no poder uma das primeiras ações é paralisar obras iniciadas ou planejadas dos antecessores. Por dificuldade de caixa, o atual governo tocou obras paradas mais próximas de finalizar, privatizações de rodovias, portos e aeroportos já engatilhadas. Merece aplauso – e não crítica – o governo que não abandona uma obra por ter a marca de outro governo. O povo reconhece que o governo está enfrentando tormenta violenta e evitou o pior, mesmo debaixo de uma oposição sistêmica de todos os lados.
Mas a mesma pesquisa Ibope traz um alerta. Só a segurança pública tem maioria aprovando a atuação do governo (51% x 45%). No meio-ambiente as “manchetes incendiárias” estão funcionado (37% x 57%); a saúde não vai bem (43% x 55%), apesar da população não ter embarcado na narrativa que o presidente é o “genocida” responsável pelas quase 140 mil mortes pela covid-19; na educação o novo ministro Milton Ribeiro pegou um MEC paralisado da gestão Weintraub (44% x 52%); e é das áreas ligadas à Economia do “Posto Ipiranga” que vem o alerta principal: emprego (37% x 60%), combate à inflação (38% x 56%), taxa de juros (30% x 64%), impostos (28% x 67%).
Os números comprovam o fracasso de Paulo Guedes em quase dois anos de governo. Pode ser pouco tempo de avaliação, mas a equipe econômica tão elogiada no início não apresenta um plano de retomada consistente para a economia. Excesso de dogmatismo propondo propostas surreais (a última é meter a faca no Simples Nacional estrangulando microempreendedores) e a falta de interlocução provocada por um ministério hipertrofiado. A ideia de um “super ministério” se mostrou errada.
A reeleição de Bolsonaro passa pela economia e os números da pesquisa Ibope mostram que o empregado do presidente está desagradando a maioria do chefe dele (o eleitor). Antes da pandemia Guedes já havia levado um ultimato presidencial para mostrar resultado na questão do desemprego. O ministério trabalhou bem e minimizou o estrago do radical fecha tudo de governadores e prefeitos, o plano de redução de jornada e corte de salário compensado pelo governo evitou que o desemprego atingisse os 20 milhões. Mas não se tem um plano robusto e factível para depois. Apenas a fixação de desonerar a folha das empresas acompanhada do fantasma da CPMF.
Bolsonaro tenta se equilibrar entre consolidar o seu potencial novo eleitorado sem desagradar a Faria Lima. Mas creio que até a Faria Lima já cansou das palestras de Paulo Guedes.