Covas e Boulos no segundo turno em SP

Guilherme Boulos (PSOL) vai fazer o segundo turno contra o prefeito Bruno Covas (PSDB). Deixou pra trás nomes de peso como o ex-governdor Márcio França (PSB) e o deputado federal, apresentador Celso Russomanno (REP), mesmo com apenas 17 segundos no horário eleitoral e apostando no engajamento das redes sociais.

O PSOL dá um importante passo para tentar romper a hemogemonia petista no campo da esquerda. Ficou muito a frente do candidato do PT. Mesmo que não seja eleito, não é o favorito, Boulos já fez história. Mas, em surpreendendo novamente, dobraria o feito e entregaria ao PSOL a maior cidade do país, a maior da América do Sul e a terceira das Américas.

Mas herdar apenas os votos do PT não adiantaria para Boulos, porque o partido foi nanico nessa eleição. Boulos terá que conversar e convergir com eleitores de França e com eleitores de direita do Russomanno e Arthur “Mamãe Falei”. O candidato está disposto a suavizar propostas para conquistar o voto desses eleitores?

Até aqui, Boulos não foi radical como se espera de um candidato do PSOL, apesar de mostrar convicções em determinados temas caros ao partido, esquerda e ao próprio candidato.

No discurso após confirmada sua passagem para o segundo turno, o candidato deu uma amostra no que deve ser a estratégia que é apostar na alta rejeição do governador João Doria na cidade de São Paulo contra Covas e contra a hegemonia tucana no estado. Só que Boulos terá a barreira da própria rejeição, maior do que a de Covas.

Já Bruno Covas, vai viver um dilema nessa disputa. Para ganhar os votos do campo mais à direita terá que apelar para polarização que sua campanha foge. O arco de aliança que lhe conferiu o maior tempo de televisão é um esboço de uma frente de centro para a candidatura presidencial de Doria ou outro nome em 2022.

Covas não tem o perfil de polarizador e apostou justamente no discurso contra os extremos, o que deve reforçar agora na reta final para colar no adversário a pecha de radical. O que torna o atual prefeito favorito é a tendência dos eleitores de França, Russomanno e Arthur do Val penderem a ele. Vai ser divertido bolsonaristas pedindo voto no vice de Doria para derrotar a esquerda ou votarão no escurinho da urna ou se absterão.

Há as quase 30% de abstenções. Covas e Boulos podem convencer muitos eleitores que não foram votar no primeiro a votar no segundo turno.

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Autor: Brasil Decide

Política e democracia

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