Fim da guerra em Gaza

A notícia mais aguardada desde o bárbaro ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023 e o revide israelense que passou de todo limite do aceitável aconteceu hoje.

Foram mais de 2 anos de debates intermináveis sobre quem tem razão na secular disputa de judeus contra palestinos. Debates feitos com o fígado e a base de muito ódio de parte a parte. Terroristas de um lado e invasores sionistas do outro.

Quem defende a posição de 2 estados, Israel e Palestina convivendo em paz, criticou o ataque brutal do Hamas, mas critica a resposta do governo de Benjamin Netanyahu promovendo matança e destruição em Gaza, virou defensor de terroristas e antissemita. Não sabem separar o governo do povo.

Quem sai forte é o presidente dos EUA, Donald Trump, mesmo com declarações muito infelizes sobre a Faixa de Gaza, como comprar e transformar a região em resort. Mas conseguiu parar a guerra que começou no governo de Joe Biden e o ex-presidente não soube como parar.

Que o cessar-fogo permanente seja, de fato, permanente. O trabalho de reconstrução físico e institucional de Gaza será árduo e vai precisar de muita ajuda internacional. Que Israel aceite a criação do estado palestino e a região desfrute da almejada paz.

Netanyahu tem que ser parado

Israel faz um massacre contra palestinos da Faixa de Gaza há um ano e oito meses. Com pretexto de se defender e acabar com o grupo terrorista Hamas depois do ataque promovido por ele em 7 de outubro de 2023, Netanyahu começou uma guerra desigual que já matou milhares de inocentes – muitas crianças e mulheres. E quem reclamar mostrando indignação é acusado de antissemita que está promovendo o antissemitismo.

Além dos bombardeios de forma irresponsável, Israel dificulta acesso humanitário condenando a população de Gaza a um verdadeiro genocídio de “honrar” os facínoras do passado como Stalin e Hitler.

É impensável que Israel vítima do horror do holocausto, que matou milhões de judeus, esteja fazendo o mesmo com palestinos. O pior é a comunidade internacional inerte ou apoiando a matança de Israel.

Passou da hora do Brasil dentro das suas prerrogativas passar de palavras para ação e cortar de vez relação com Israel. O presidente Lula passou a ser persona non grata lá por ter comparado a carnificina em Gaza com o holocausto. Pois bem, já não é mais uma blasfêmia tal comparação. É hora de cortar relações com Israel enquanto Netanyahu for o premier praticando as suas atrocidades para manter a coalizão extremista que o sustenta no poder.

A fala desastrosa de Lula e a manifestação bolsonarista do dia 25

Ao atacar Israel com tamanha ênfase o presidente Lula (PT) abriu uma crise diplomática com o país. Lula disse que nunca houve nada parecido como o que está passando o povo da Palestina e comparou com o holocausto.

Realmente a pretexto de se defender e eliminar o grupo terrorista Hamas, Israel está destruindo Gaza e matando muito mais pessoas – entre terroristas e palestinos inocentes, principalmente mulheres e crianças – que o Hamas matou no atentado do dia 7/10. É desproporcional o que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu está fazendo.

Vingança não é o caminho contra o terrorismo, mas Netanyahu também não poderia deixar de fazer nada depois do ataque de 7/10. Era preciso uma resposta firme contra o Hamas que, sim, usa civis de escudo. Contudo, essa resposta já passou dos limites dos estatutos de guerra. Israel já gabaritou quase todos os crimes de guerra.

Mas Lula errou no tom. Não poderia nunca ter recorrido a Hitler e acusar Israel de fazer o que os judeus sofreram. É errado do ponto vista da história comparar a guerra em Gaza mesmo com os crimes de Israel com o holocausto. O presidente poderia ter criticado o que Israel está fazendo sem recorrer ao holocausto.

Ao fazer tal comparação, Lula trouxe a guerra para o Brasil e deu munição para a oposição que falou até em impeachment. Lula tenta conquistar o eleitorado evangélico, mas fazendo isso mata qualquer chance de diálogo com o segmento que trata Israel como se fosse a casa de Jesus Cristo na terra.

Obviamente que a oposição não tem voto nem clima para o impeachment e a fala de Lula infeliz que foi não é crime de responsabilidade, mas a crise pode afetar matérias de interesse do governo e desgastar a imagem do presidente.

Além do mais pode impulsionar a manifestação que ex-presidente Jair Bolsonaro pretende fazer no dia 25/2 na Av. Paulista em São Paulo para, segundo ele, se defender e em defesa do Estado Democrático de Direito. Na verdade, o que Bolsonaro pretende é mostrar força popular e política, que ainda é um líder que leva multidão para às ruas, que uma eventual prisão sua convulsionaria o país e aproveita a data perto da reunião do G20 no Brasil que a imprensa mundial estará aqui para exportar a narrativa que seu grupo político é perseguido.