A AMEAÇA QUE VEM DA ÁSIA

O já falecido Kim Jong-il ao lado de seu filho e sucessor, Kim Jong-un. (Foto: Daily Telegraph)
O já falecido Kim Jong-il ao lado de seu filho e sucessor, Kim Jong-un. (Foto: Daily Telegraph)

Aloisio Villar

Quando eu era pequeno passava um filme no SBT chamado “Day After – O Dia seguinte”. Um dia parei pra ver e fiquei impressionado. Tão impressionado que começo por ele.

O filme trata de uma guerra nuclear. É, simples assim. EUA e União Soviética que se ameaçaram por décadas finalmente cumprem as promessas e se atacam. Não fica claro no filme quem faz o primeiro ataque até porque não é essa a importância e sim as consequências.

Depois que o cogumelo sobe na cidade americana, muita gente morre, cidades são devastadas e os sobreviventes passam por uma aparente tempestade de neve que não é neve, é radioatividade.

No fim quase ninguém sobrevive.

Por quê falei nesse filme?

Porque apesar de alguns anos depois do lançamento do filme Estados Unidos e União Soviética terem chegado a um tratado de paz, desarmamento, a União Soviética ter implodido e aparentemente estarmos livres dessas ameaças o mundo nunca estará livre de malucos.

Depois do fim soviético tivemos Saddam Hussein invadindo o Kuwait. Mexeu com o errado, não o Kuwait claro porque o mundo tá se lixando pra ele, mas com o petróleo.

Graças a isso caiu em desgraça e o maior genocida de nosso tempo, George W Bush, inventou umas armas químicas marotas em solo iraquiano para matar o ditador, tomar o país de assalto e implantar a democracia e a paz na base da porrada.

Osama Bin Laden era amigo dos americanos até enfiar alguns aviões no ventre de seu sistema. Em 2001 novamente o mundo perdeu a paz agora sob o medo do terrorismo e outros malucos foram surgindo como o presidente do Irã e sua bomba atômica.

O ser humano é o único ser vivo inteligente e o único capaz de acabar com sua própria espécie. Genial.

O maluco da vez vem da Ásia. Um baixinho, gorducho e playboy chamado Kim-Jong-un. Evidente que fui ao Google pra escrever seu nome. O problema é esse nome se tornar comum.

Esse rapaz bitolado é filho de um homem que também era bitolado chamado Kim-Jong-Il. Norte coreanos são famosos por viver em um regime ultra fechado, ter cara de quem tem prisão de ventre e de vez em quando arrumar uma confusão.

Além disso tudo vivem em uma sociedade que cultuam personalidades, mas diferente da nossa que também cultua  pessoas, como Neymar, Ivete Sangalo e ex BBBs. Lá cultuam a família ditatorial que comanda o país e juntando isso a forçada de barra que ocorreu na morte do pai do Kinzinho, tivemos momentos dramáticos  mostrados pela tv de todo mundo, de dor, choro e um pouco de encenação pelo passamento do “líder”.

Coréia do Norte sempre teve suas tretas com a do Sul e cinquenta anos atrás assinaram um cessar fogo, quer dizer, uma parada na guerra que de fato nunca acabou. Resumindo a história toda. Kinzinho estava entediado, sem nada pra fazer em seu país, já tinha bebido todas, pego todas as mulheres e decidiu reativar o problema com seus vizinhos coreanos. Cancelou o cessar fogo, disse que seu país estava em estado de guerra, direcionou mísseis para a Coréia do Sul e por último disse aos países que não podia mais proteger seus embaixadores.

Resumindo mais ainda. Fedeu.

E aí o leitor pergunta. O que temos com isso?

Tudo amigo. Lembra do filme que citei logo no começo? Então. Não temos mais a União Soviética, mas temos a Coréia do Norte que se não tem o mesmo poderio da União Soviética tem sim armamento nuclear pesado para trazer grandes problemas não só pra Coréia do Sul, como aos Estados Unidos que foram ameaçados e a humanidade inteira.

Até hoje apenas duas vezes tivemos armas nucleares usadas em uma guerra. As duas bombas atômicas jogadas sobre o Japão em 1945 e os efeitos foram devastadores com gente que nem existia na época, mas por ser descendente dos sobreviventes sofrendo as conseqüências até hoje em seus corpos e suas vidas.

E nisso falamos de armas usadas há sessenta e oito anos. Imaginando que tudo na vida evolui, até mesmo as ruins qual seria o poderio de armas nucleares hoje?

Não sei e espero que continue sem saber.

A princípio tudo isso me parece uma perigosa falácia. Uma fanfarronice do ditador coreano, mas nunca sabemos até onde vai a fanfarronice e chega a verdade. O mundo já esteve muito próximo de uma guerra nuclear na crise dos mísseis no começo dos anos 60 quando os mesmos foram apontados para Estados Unidos e União Soviética provocando grande apreensão.

E agora se não chegou ainda ao ponto daquela crise provoca expectativa e medo por não sabermos até onde isso pode chegar. Nada sabemos sobre o ditador coreano que é um ser obscuro para gente. Obscuro e perigoso.

Os mísseis já estão apontados. As vozes se elevaram em todos os lados e lá vamos nós de novo correr riscos de extinção graças a botõezinhos vermelhos ao alcance de dedo de gente maluca.

Que o filme não vire realidade e tudo realmente não passe de fanfarronice de gente, que como garotos de colégio, fica se ameaçando e pedindo pros coleguinhas não segurarem.

Senão quero nem pensar no dia seguinte..

Hugo Chávez e o chavismo

Leonardo Dahi

Morreu no fim da tarde de terça-feira (5), o Presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Ele, que já estava internado em Cuba há algum tempo (não pôde, inclusive, assumir o novo mandato, que conquistou nas Eleições de outubro de 2012), não resistiu a um câncer e, nos últimos dias, já estava “mais-pra-lá-do-que-pra-cá”.

Por isso, dada a gravidade da doença, todos tratavam Hugo Chávez como um “morto-vivo”, cuja morte seria apenas questão de tempo. E, como era de se esperar, se acalorou, em especial nas redes sociais, um debate sobre seu legado político e sobre sua emblemática figura.

De um lado, os admiradores de seu governo. Do outro, seus detratores. Alguns, inclusive, torciam – e agora comemoram – pelo fim do líder venezuelano, algo que é absolutamente lamentável. Porém, nada nos impede de comemorar um possível fim do chavismo. Repetindo: possível. Pode ou não acontecer, mas sobre isso nós falamos depois.

Por agora, quero focar mais nos anos de governo de Chávez.

Não dá para negar que ele foi um dos maiores líderes políticos que este continente já viu. Porém, isso não é, necessariamente, uma coisa boa no que eu considero como um ideal político. Nesses 14 anos em que esteve no comando da Venezuela, Chávez não só se colocou no direito de atropelar a constituição local para se reeleger quantas vezes quisesse, como tomou o quase absoluto poder de todos os setores da sociedade e da economia venezuelana. Tomou atitudes extremas como fechar (ou, como gostam de dizer os esquerdistas, “apenas não renovou a concessão”) o maior canal de TV do país, a RCTV que, quatro anos antes, em 2002, havia se colocado a favor de um golpe ao já Presidente Chávez.

Não se pode dizer que ele foi um ditador, já que, em todos os mandatos, foi eleito pelo povo (aliás, com uma participação impressionante do povo da Venezuela, onde o voto não é obrigatório). Porém, como se viu no parágrafo anterior, seu governo esteve longe de ser democrata. Porque democracia não é apenas votar. É votar, protestar, exigir seus direitos, expôr suas ideias e, no caso de você ser um canal de TV, poder fazer tudo isso sem correr o risco de ser arrancado do ar.

Por tudo isso, o Governo Chávez foi uma desgraça do ponto de vista social. Embora eu pouco saiba sobre o assunto, é do conhecimento de todos os problemas econômicos e sociais do país, justamente a maior muleta da maioria dos governos esquerdistas.

Como todo bom governo, hã, “não lá muito democrata” da América Latina, Chávez tinha como grande “ideal” o combate ao tal do “imperialismo americano”. É um modo quase adolescente de fazer política. Sabe aquele negócio de “os EUA são os vilões que querem impôr sua cultura ao Mundo! Vamos endurecer, pero sin perder la ternura jamás!”? Nada contra, cada um tem o direito de pensar como quiser, mas fazer isso com todo um país é muito perigoso. E, ainda por cima, na Venezuela, isso é feito de maneira totalmente alienada. Porque eu não consigo encontrar outra palavra para um Governo que culpa os Estados Unidos pelo câncer de seu Presidente, como disse hoje, poucas horas antes da morte de Chávez, o vice-presidente Nicolas Maduro. Daqui a pouco a Beth Carvalho vem e fala que a CIA quer acabar com o samba, como declarou uns dois anos atrás.

Aí, você pode vir me dizer que Chávez é bastante querido na Venezuela e eu, de fato, não tenho como discordar. Até porque ninguém se elege tantas vezes sendo odiado por todo um país. Porém, essa aprovação toda não significa que ele fez um governo bom para os venezuelanos. É que eles simplesmente não tem outra visão política. Há 14 anos, eles só conhecem esse jeito de se levar o país e, se falta carne no supermercado, as TVs mostram um inflamado discurso que prega o já citado “combate ao imperialismo americano”, pregando ideais bolivarianos. É algo tão bonito, tão legal, que o cidadão até esquece de comer a carne. E não para por aí.

Quem acompanha futebol pode notar que grande parte dos times venezuelanos que disputam a Libertadores são patrocinados pela estatal petroleira PDVSA. É só mais um modo de associar tudo ao Governo que, no caso, “apóia e sustenta o esporte nacional”.

Além do mais, há aquela velha questão: quanto mais fechado o país é, mais difícil fica para se ter informações precisas sobre a vida local. Muitos entusiastas do regime venezuelano sequer passaram perto do país (assim como eu, contrário a tudo isso, também nunca estive lá). Ainda assim, tem todo o direito de se posicionar desta maneira. Mas, pense comigo: em um regime fechado como esse, qual tipo de opinião será exposta para o mundo afora? A que critica o Governo? Claro que não. O controle à informação filtra tudo o que se pensa sobre o cotidiano local (inclusive, quem convive com alguns venezuelanos afirma que eles não são lá muito simpáticos a Chávez e seu governo).

Nas últimas eleições, por exemplo, Hugo conquistou quase 55% dos votos, vencendo por uma margem de votos não tão expressiva, pouco mais de 10% de vantagem para Henrique Capriles. Sinal do desgaste de sua administração, talvez.

No início deste texto, disse que a morte de Hugo Chávez pode ser também a morte do chavismo. Nos próximos dias, meses e talvez anos, a República Bolivariana da Venezuela será palco de uma intensa batalha política, que será do interesse de todo o planeta. A direita do país terá trabalho para conseguir superar a figura de mártir que, provavelmente, será criada em cima do agora finado Presidente. Já a esquerda, deverá conter os ânimos daqueles que, agora, sentem que chegou o momento de uma nova revolução.

O que eu acho que vai acontecer? Honestamente, não faço a menor ideia. Não conheço a política interna local e, creio eu, mesmo quem conhece não consegue afirmar muita coisa com certeza. Fica a torcida, no entanto, para que o povo venezuelano, que é quem realmente importa, saia ganhando, independente do que aconteça a partir de agora.